junho « 2009 « COSACNAIFY NA FLIP 2009

Busca
Fale Conosco


Homenagem à Manoel Bandeira

Crônicas Inéditas 2
Crônicas Inéditas 2
Apresentação da Poesia Brasileira
Apresentação da Poesia Brasileira
Macbeth, de Sheakspeare
Macbeth, de Sheakspeare

Mario Bellatin

Flores
Flores
Entrevista

Grégoire Bouillier

O Convidado Supresa
O Convidado Supresa

Angélica Freitas

Rilke Shake
Rilke Shake
Poema inédito

Flip Zona

  1. Sophie Calle e Grégoire Bouillier perguntam

    Terça-feira, 30 junho, 2009, às 20:26

    A revista francesa Les Inrockuptibles publicou, em 19 de novembro de 2003, um questionário elaborado por Sophie Calle e Grégoire Bouillier sobre suas próprias questões pessoais, artísticas e filosóficas. Você encara?

    1) Quando você já morreu?

    2) O que faz você se levantar de manhã?

    3) O que viraram os seus sonhos de infância?

    4) O que distingue você dos outros?

    5) O que falta em você?

    6) Acha que todo mundo poderia ser artista?

    7) De onde você vem?

    8) Você acha o seu destino invejável?

    9) A que você renunciou?

    10) O que você faz com o seu dinheiro?

    11) Qual tarefa doméstica provoca mais aversão em você?

    12) Quais são os seus prazeres favoritos?

    13) O que você gostaria de ganhar de aniversário?

    14) Cite três artistas vivos que você deteste.

    15) O que você defende?

    16) O que você é capaz de recusar?

    17) Qual é a parte mais frágil do seu corpo?

    18) O que você já foi capaz de fazer por amor?

    19) O que recriminam em você?

    20) Pra que serve a arte?

    21) Redija o seu epitáfio.

    22) Sob que forma você gostaria de voltar?

    Tags:

  2. O universo particular
    de Mario Bellatin

    Terça-feira, 30 junho, 2009, às 20:18

    Entrevista para Livia Deorsola

    Um termo foi criado especialmente para designar os acontecimentos que cercam sua vida. Ele criou uma escola de escritores onde há uma regra fundamental: não escrever. Fã de Machado de Assis, por supuesto, organizou um congresso de autores mexicanos no qual compareceram apenas dublês. Rótulos a respeito de sua literatura assustam, mas por pouco tempo.
    Na entrevista a seguir, descubra mais sobre o escritor Mario Bellatin, cuja presença é altamente aguardada na sétima edição da Flip.

    Leia entrevista completa aqui

    Mexicano de pais peruanos, Bellatin se apresenta na Flip nesta sexta, dia 3/07. Foto: Gabriela León

    Mexicano de pais peruanos, Bellatin se apresenta na Flip nesta sexta, dia 3/07. Foto: Gabriela León

    Em Flores, os personagens se manifestam sobretudo por suas ações, mais do que por seus pensamentos. A perspectiva parece não ser o mundo interior das idéias e sentimentos, mas sim o mundo exterior das condutas, dos objetos e lugares. Qual o papel dos acontecimentos na construção de suas narrativas? E como a reflexão se materializa na voz impessoal e objetiva deste narrador tão particular?
    Costumo pensar que, como escritor, vejo o mundo através de um visor, de uma câmera antiga, muda e aparentemente objetiva, situada sempre em um mesmo ângulo. Então, através desta lente, supostamente se captam apenas ações, abjetos, cenografias. Mas todos sabemos que a aparente objetividade dessa câmera é falsa, e é ela quem vai falando desde sua própria mudez.

    O escritor catalão Enrique Vila-Matas revelou ao site Cosac Naify que tudo que vive, lê ou observa “é convertido imediatamente em literatura vilamatasiana”. Para você, a conexão entre o vivido e o escrito se dá de que forma?
    Alguns amigos criaram o termo “mariontropía”, que consiste em considerar que muitos dos acontecimentos ao meu redor se comportam de uma maneira particular. Não tenho certeza de que isso seja exatamente assim, mas talvez eu possa funcionar como um eixo em torno do qual as coisas sejam vistas pelos outros a partir de ângulos diferentes dos tradicionais. Transformar essas experiências em escrituras? Ufff, seria um trabalho interminável e, além disso, sem sentido. Para que escrever algo já regido pela lei de sua própria “mariontropía?

    Em sua poética, encontramos muitos aspectos caros à pós-modernidade, como a fragmentação, a mescla de gêneros literários, o questionamento do papel do autor. Ao mesmo tempo, suas histórias recuperam um mundo mítico, feito de uma ordem própria. Como transitar entre esses dois universos?
    Acho que os elementos considerados pós-modernos – eu duvidaria do termo – estão presentes no imaginário coletivo, e não há escritor que não seja receptor de seu próprio tempo. A aparição de uma espécie de mundo mítico, de um espaço fundador presente em meus escritos pode ter a ver com minha prática espiritual, com minha recorrência aos livros sagrados, que são as únicas leituras que, na verdade, levo relativamente a sério.

    Você fundou, no México, a Escola Dinâmica de Escritores, um lugar onde não se aprende a escrever. O que de mais interessante se pode colher dessa experiência?
    Estou certo de uma coisa: de que não se trata de um lugar de trânsito. A escola não é procurada para se aprender a escrever e logo colocar em prática algum tipo de habilidade. O importante, a finalidade de se frequentar uma escola como esta – na qual se proíbe escrever – é justamente presenciar o instante em que um criador de alguma arte se reúne com trinta interessados na escritura com o fim de ir adiante com um determinado projeto.

    Quando se fala em literatura latino-americana, é corrente a ideia sobre a distância que separa as experiências ocorridas no Brasil do resto da América Latina. Concorda com essa posição ou percebe diálogos ainda pouco explorados?
    Percebo diálogos pouco explorados e nem sequer vejo uma literatura latino-americana, nem autores latino-americanos, e menos ainda considero o Brasil como parte ou não da América Latina. Trato de apreciar somente os livros, e procuro separá-los de suas circunstâncias.

    Há muitos autores brasileiros, do século XIX até nossos dias, que chamam minha atenção. É uma lista muito comprida, mas destaco Machado de Assis, claro, e Mário de Andrade. Dos contemporâneos, Rubem Fonseca, João Gilberto Noll e sobretudo Glauco Mattoso, todo um mistério.

    Mario Bellatin na Flip 2009
    3/07, sexta-feira, 17h – Mesa 9
    O eu profundo e os outros eus, com Cristovão Tezza. Mediação de Joca Reiners Terron

    Tags:

  3. Bandeira antenado

    Terça-feira, 30 junho, 2009, às 19:23

    Em seu Apresentação da poesia brasileira, escrito em 1946, Bandeira corajosamente apontou, com muito rigor, grandes promessas da poesia do país. Imaginem o que significava para um jovem poeta ter alguns de seus versos selecionados pelo mestre. Pois é exatamente esta sensação que revelam Ferreira Gullar, Lêdo Ivo, Mário Chamie, Thiago de Mello e Augusto de Campos ao Blog da Cosac Naify na Flip 2009.

    “Certamente, foi com surpresa e alegria que vi meu poema ‘Mar azul’ incluído pelo mestre Manuel Bandeira na nova edição da Apresentação da poesia brasileira. Ele estava sempre aberto às novas buscas de expressão e já havia escrito uma crônica, no Jornal do Brasil, falando com simpatia da poesia concreta, que escandalizava muita gente. E me envaideceu muito ler, na Apresentação, a referência que fazia a mim, dizendo que eu era, dentre os novos poetas, “o mais estranho e inteligente”. Inteligente, não sei; estranho eu era, embora sem querer”.

    Ferreira Gullar


    Uma questão de sufixo

     “Numa das últimas visitas de Manuel Bandeira a São Paulo, conversamos calmamente sobre poesia.
    O local e cenário, escolhidos por ele, não poderiam ter sido melhores: a praça Dom José Gaspar, numa tarde serena de outono, à sombra do busto de Mário de Andrade.

    Para Bandeira, o busto de Mário era mais do que uma presença escultórica; confirmava, também, a veracidade daquele seu poema “A Mário de Andrade ausente”, segundo o qual o autor de Paulicéia desvairada não morrera, apenas tinha se ausentado por algum tempo de nossa cidade. Estes belos versos do poema me vieram à memória:

    Anunciaram que você morreu/ Você não morreu: ausentou-se./ A vida é uma só. A sua vida continua/ na vida que você viveu./ Por isso não sinto agora a sua falta.

    Nesse clima, Bandeira foi me dizendo que o motivo de nosso encontro era, na verdade, uma questão de sufixo.  Não entendi e perguntei:

     - De sufixo?
    - Sim, de sufixo.

    Pedi esclarecimento e o poeta me esclareceu:
       – Estou preparando a edição definitiva de meu livro Apresentação da poesia brasileira. Nas duas edições anteriores, eu vinha até a Geração de 45. Na próxima edição, vou encerrar o livro falando da Poesia Práxis, com a transcrição de um trecho de poema seu. Nesse trecho, você fragmenta duas palavras para multiplicá-las em várias outras.

     - O mestre estaria dizendo que eu decomponho os afixos dos vocábulos, a exemplo da palavra “maravilha”, em que “mar” é prefixo, “ave” é infixo e “ilha” é sufixo?
    - Exato. Só que, no texto seu que citarei, o meu interesse recai sobre o sufixo da palavra “asfalto”. Esta comparece nestes seus versos: o esfalfado arfar do asfalto/ falto de ar… Percebo, aí, a idéia contida de cansaço arfante e da perda de fôlego de quem se exaure pelas ruas da vida urbana. E aqui está o ponto: eu gostaria de saber se “falta” em lugar de “falto” não comunicaria melhor a sua mensagem, já que a “falta de ar”, no caso, seria um infortúnio comum a todas as pessoas aridamente esfalfadas, enquanto “falto de ar” restringe-se tão só à sensação de asfixia que o asfalto sugere.
    Diante da fina acuidade de Bandeira, sem dizer sim ou não, reverenciei as suas observações.

     Naquela tarde de outono, saboreei, com humor e humildade, outras lições do grande poeta, até nos despedirmos.
    Confesso que, na época, não li a nova edição prometida por ele. Semana passada, porém, numa livraria da cidade topei com o livro, reeditado, no ano de 2000, pela Ediouro.  Abri o volume e fui direto às suas páginas finais. Quase me faltou o ar! Embora ausente como Mário de Andrade, Bandeira cumpriu a promessa. Numa espécie de coautoria consentida, ele substituiu “falto” por “falta”, não faltando, assim, com a generosidade maior de sua palavra.

     De fato, Manuel Bandeira encerra a edição definitiva de sua indispensável Apresentação da poesia brasileira não só com a citação daquele verso do meu poema “Migradores”, mas também com a transcrição de um breve texto crítico que o acompanha criativamente”.

    Mário Chamie

     

    [Amanhã, quarta-feira, leia os depoimentos de Lêdo Ivo, Thiago de Mello e Augusto de Campos]

    Tags:

  4. Carlito Azevedo revela do que nos salva a poesia de Angélica Freitas

    Terça-feira, 30 junho, 2009, às 18:31

    Perguntamos ao poeta e editor da editora 7Letras Carlito Azevedo por que ele gosta tanto da poesia de Angélica Freitas. Abaixo, a resposta.

    “A Angélica consegue criar. Já nos primeiros versos de qualquer poema seu, uma atmosfera feliz e profanadora que nos convida a relativizar o gigantismo de certos sentimentos solenes, sagrados, até mórbidos que por muito tempo quiseram, e ainda hoje querem, se fazer passar pela poesia mais autêntica, pela mais sensível forma de se viver um estado poético.

    Com ela não tem autor sagrado (mesmo os que mais admira, como Gertrude Stein), não tem sentimento hierarquicamente superior (ela mesmo já se definiu uma vez como a “patinha sem páthos”), o que tem é a força do poema, nascendo do contato furioso da existência, como uma sonda enviada para investigar todos os sentimentos que ainda não vivemos, como uma transparência através da qual se quer ver as pessoas de agora, na ruas de agora, falando a língua de agora, sentindo os sentimentos de agora.

    Nesse sentido, acho que ela se inscreve numa esplêndida tradição da poesia universal, mas que infelizmente está em baixa no Brasil, apesar de Oswald de Andrade. Que é a tradição da anti-poesia de um Nicanor Parra, o maior poeta chileno do século, de uma Susana Thénon, o segredo mais bem guardado da poesia argentina, e de uma Adília Lopes, a portuguesa mais brasileira desde Carmem Miranda.

    Para os poetas dessa tradição, o poema é a arma mais potente para desmontar as armadilhas que o tempo dispõe à nossa frente o tempo todo. Penso que a armadilha da identidade (sexual, política, nacional etc), que nos quer sempre “idênticos” a nós mesmos, sem possibilidade de metamorfose, é aquela que, até agora, mais mereceu os disparos certeiros da poesia de Angélica”.

    Tags:

  5. Flavio Moura aponta para novo olhar sobre Bandeira

    Segunda-feira, 29 junho, 2009, às 12:34

    Desde sua primeira edição, em 2003, a cada ano a Flip homenageia um autor, e vários são os critérios para a escolha. Na estreia, Vinicius de Moraes, o único poeta da lista, que, nos anos seguintes, teve Guimarães Rosa (2004), Clarice Lispector (2005), Jorge Amado (2006), Nelson Rodrigues (2007) e, no centenário se seu nascimento, Machado de Assis (2008), que embora também tenha escrito poesia, tem sua maestria reconhecida em romances e contos.

    Com Manuel Bandeira, um poeta volta a ter seu legado destacado. Flavio Moura, diretor de programação, diz que um dos fatores decisivos para a definição, além da envergadura literária, foi o bom momento para uma compreensão mais profunda da obra de Bandeira, que não se limita apenas à poesia. “O lançamento de sua prosa ajuda a redimensionar a importância desse autor, que também foi um excelente crítico”.

    Moura acredita que, de quebra, os escritos bandeirianos ganharão certa visibilidade também no exterior, já que a Flip tem natureza internacional.

    Tags:

  6. Remingtons embandeiradas

    Sábado, 27 junho, 2009, às 18:10

    O leitor Sergio Fonseca fotografou a exposição do livro Apresentação da Poesia Brasileira na vitrine da Livraria da Travessa do Leblon (RJ) e gentilmente nos enviou a imagem.

    Por Sergio Fonseca / flip2009.recorte.org

    Por Sergio Fonseca / flip2009.recorte.org

    Tags:

  7. “Não se pode ensinar a escrever”

    Sábado, 27 junho, 2009, às 16:32

    Tags:

® COSAC NAIFY Todos os direitos reservados.