
Projeto gráfico especialíssimo para Flores, criado por Elaine Ramos e Maria Carolina Sampaio. Foto: Nino Andrés
Aqui vai uma tentativa de ir direto ao ponto (um aviso: quando se trata de Bellatin, o “ponto”, qualquer que seja, se move): Flores é formado por narrativas curtas (todas com nomes de flores) que se relacionam entre si, fragmentos de vida de personagens solitários e ambíguos que não abrem espaço para zonas de conforto. O pai que infecta o filho indesejado com o vírus da Aids; mães que disputam a guarda de gêmeos sem membros, um escritor a quem lhe falta uma perna e é membro de uma seita mulçumana. Possuidores de deformações físicas – como o próprio autor, vítima de talidomida, remédio usado contra enjoos da gravidez e que causou má-formação em bebês nos anos 50 e 60 –, os personagens vão em busca da origem de seus males. Contadas de maneira seca e reticente, as tramas possuem uma violência implícita e potencial, em um mundo instável em que a anormalidade é a regra.
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