Por Murilo Marcondes de Moura
É fácil imaginar o valor de um acompanhamento crítico quase cotidiano do movimento literário e artístico das décadas de 1920 a 1940, provavelmente o período mais rico de toda a história da cultura brasileira. Para tentar uma fórmula sintética: esta riqueza consistiu na associação de uma enorme liberdade estética à visão crítica mais empenhada. Esse valor se multiplica quando tal acompanhamento provém de um dos maiores protagonistas do período Manuel Bandeira, que foi, de modo superlativo, criador e in-térprete, poeta e fino observador da poesia e das artes em geral.
De alguma forma, essas duas instâncias, a da criação e a da crítica, nasceram juntas no jovem Manuel Bandeira, retirado da vida prática pela tuberculose e, por assim dizer, constrangido à vida contemplativa de poeta e de estudioso. Como ele próprio afirma no Itinerário de Pasárgada, isto é, entre o momento em que adoeceu, 1904 e o ano em que publicou seu primeiro livro, A cinza das horas (1917): “Foi nesses treze anos que tomei consciência de minhas limitações, nesses treze anos que formei a minha técnica”.
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