Na conferência de abertura da Flip 2009, o crítico e professor Davi Arrigucci Jr. falou da formação poética de Manuel Bandeira, que tem no alumbramento uma de suas principais forças. Espécie de epifania, ou êxtase diante do sublime “que nos abre para o insondável”, esta emoção diante das coisas miúdas do cotidiano é tomada, na obra bandeiriana, por enorme profundidade, revelando uma capacidade única de colher da vida concreta grandes experiências humanas. “A poesia pode estar nos amores e nos chinelos”, dizia o poeta.

"Bandeira soube se desligar do mero sentimentalismo", disse o crítico Davi Arrigucci Jr. na abertura da Flip 2009. Fotos: Livia Deorsola
Arrigucci lembrou que foi no morro do Curvelo, em Santa Teresa, no Rio, que Bandeira exercitou plenamente este olhar sobre as coisas simples e deixou de lado o sentimento de auto-piedade, passando à superação constante frente à morte iminente. “Bandeira poderia ter sido um personagem de Thomas Mann em seu A montanha mágica”, comparou o crítico. Foi dali, do interior de seu quarto, mirando do alto a vida passar pela janela, que, para Arrigucci, estabeleceu-se de vez a estreita relação entre o alto e o baixo, o mundo interior e o exterior que caracteriza toda a poesia de Bandeira.
Aplaudido de pé, Arrigucci Jr. encerrou suas considerações com breves análises de alguns poemas do autor, como “Momento num café”, “Poema só para Jaime Ovalle”, “Comentário musical” e “Poema do beco”.

Edson Nery da Fonseca, grande conhecedor da obra de Bandeira e organizador de "Poemas religiosos e alguns libertinos" (Cosac Naify, 2007), foi aplaudido ao entrar na Tenda dos Autores para assistir à conferência
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