Leia algumas das frases ditas por Grégoire Bouillier e Sophie Calle na mesa Entre quatro paredes. Matéria completa aqui.
“A vida é uma espécie de ficção na qual a gente desempenha o papel de herói. As coisas da vida real merecem que sejam contadas”. Bouillier
“Você sabe que eu sei me cuidar” Sophie Calle
“Não é proibido dar um fora em alguém. Este é o direito fundamental de amar e deixar de amar” Bouillier
“Para mim, [o e-mail de rompimento] foi uma mensagem de um homem que parte mas não sabe como partir. Não foi agradável ler” Sophie
“Escrever também não foi agradável” Bouillier
“Trato por vous a todas as mulheres que eu amo, e não por tu. Esta é minha linguagem de apaixonado.” Bouillier
“Também chamo de vous os homens com quem durmo” Sophie
Mais de uma hora antes de começar a mesa de conversa que juntou o escritor Grégoire Bouillier e a artista conceitual Sophie Calle, o burburinho fora da Tenda dos Autores já era enorme. Todos se aglomeravam para tentar garantir lugar nas primeiras cadeiras diante do palco, que se transformou num espaço íntimo e deu lugar a uma troca de leves alfinetadas entre o ex-casal, mas também a elogios mútuos quando o assunto era arte ou literatura. Conduzindo esta “DR a la francesa”, Angel Gurría-Quintana tentava de fato mediar as emoções e expectativas de Sophie e Grégoire, que assumiram suas apreensões diante do encontro, o primeiro que se deu em público após o rompimento do namoro. “Estar aqui é ao mesmo tempo trágico e divertido”, disse Grégoire.

Sophie Calle e Grégoire Bouillier. "A arte vale a pena"
A origem do espetáculo em torno dos dois franceses teve inicio anos antes, quando Bouillier finalizou o relacionamento através de um e-mail, que ao final dizia: “Cuide de você”. Como ela própria disse, Sophie fez “de um limão, uma limonada”: convidou 107 mulheres de várias profissões para reinterpretarem a mensagem. O trabalho resultou em uma exposição de arte na Bienal de Veneza, em 2003. “Grégoire disse que não faria nada para impedir o projeto. Isso já foi um belo presente para mim”, reconheceu ela.
“Quando fui conhecer a obra, as mulheres convocadas por Sophie vinham me dizer que eu era muito corajoso em aparecer. Eu disse que corajosas eram elas, por virem falar comigo”, disse Boullier, entre irônico e crítico.
Crítica, aliás, é algo que o autor de O convidado surpresa (publicado pela Cosac Naify e no qual ele relata a noite em que conheceu Sophie Calle) desferiu somente à matéria que gerou o trabalho da artista, e não ao resultado final. “Não concordo com seu propósito, mas a obra é ótima”, elogiou, arrancando um leve sorriso da ex-namorada. Perguntado a respeito da exploração da intimidade com finalidades artísticas, o escritor afirmou que “a arte nunca é sobre o público ou o privado. A arte é sempre sobre a interioridade de um sujeito”.
Entre a arte e a vida, Sophie ficaria com a segunda. “Se Grégoire tivesse voltado para mim mesmo após o início do projeto, eu não teria levado isso adiante. Como isso não aconteceu, tive a necessidade de me afastar do fato para poder lidar com o sofrimento. É assim que ajo com as coisas ruins de minha vida”, revelou Sophie, ressaltando que o trabalho não significou uma vingança. “Foi um projeto artístico que vale a pena em si mesmo”.
Sophie Calle é autora de Histórias reais (Editora Agir), que narra em texto e foto episódios nos quais se misturam a vida pessoal e a matéria-prima de suas intervenções. Ao final da conversa, ela contou que já tem um novo amor, que pediu para não ser transformado em obra de arte. “Eu aceitei, mas isso não quer dizer que vou cumprir”.
A mesa foi encerrada com uma importante ressalva feita por Calle: “Grégoire é, antes de tudo, um excelente escritor, e não vítima de meu trabalho”.
Guia Cosac Naify na Flip 2009, ou melhor, nosso livreto, com textos selecionados e lidos pelos autores nas mesas de bate-papo, programação completa, páginas para anotações e prinipais serviços de Paraty.



Fotos: Andressa Veronesi

A atriz Malu Mader, com o livro "O convidado surpresa", de Grégoire Bouillier, após assistir à mesa que o autor francês dividiu com a artista conceitual Sophie Calle. Foto: Andressa Veronesi
Em breve assista ao vídeo com trechos do bate-papo do escritor Rodrigo Lacerda com estudantes de escolas de Paraty sobre o livro O Fazedor de Velhos. O evento faz parte da FlipZona, programação voltada a adolescentes.
Por muito pouco a mesa mais aguardada desta Flip não acontece antecipadamente: na noite de ontem, quinta-feira (2/7), Grégoire Bouillier acabava de deixar a mesa de um bar no centro de Paraty quando a artista plástica Sophie Calle, para quem dedicou o livro O convidado surpresa, chegou. Não se esbarraram por uma questão de poucos minutos.
O bate-papo entre ambos na Flip (mesa 12), Entre quatro paredes, está marcado para sábado, às 11h45. Se a Internet não cair, haverá transmissão pelo Twitter Cosac Naify.
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Horas antes do quase-encontro, Grégoire Bouillier, em entrevista coletiva para a imprensa, falou brevemente sobre a relação entre arte e a exposição da intimidade (Sophie Calle transformou o e-mail de rompimento de namoro escrito por ele em uma exposição artística na Bienal de Veneza, 2003, a partir da interpretação de 107 mulheres sobre a mensagem).
“O que interessa é que a obra de arte seja feita a partir do que emociona a pessoa. Mas isso não deve serir de pretexto para alimentar uma indústria de celebridades, que nada tem a ver com a intrepretação artística dos sentimentos”, disse o francês.
Em 2003, a revista francesa Les Inrockuptibles publicou um questionário elaborado por Sophie Calle e Grégoire Bouillier sobre suas próprias questões pessoais, artísticas e filosóficas. Leia aqui as perguntas.
“Mario Bellatin foi a descoberta literária da minha vida”, disse Heitor Ferraz, encantado com o livro Salão de beleza, escrito pelo mexicano em 1994. “Nele, Bellatin faz uma incrível relação entre beleza e morte, com muita ironia”, diz o poeta, que mora no bairro paulistano de Perdizes, “onde há um salão de beleza atrás do outro, fato que sempre me chamou a atenção.” Ferraz também citou o livro Jacobo, El mutante, lido em uma viagem à Argentina, como outro ponto alto da literatura de Bellatin. “Ele escreve de forma espetacular, realmente me impressiona”.
A próxima leitura será Flores.
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