Já imaginaram Rubem Braga com inveja de algum cronista? Difícil, mas foi exatamente o que passou pela cabeça do crítico Davi Arrigucci Jr. ao comentar as 130 crônicas que Manuel Bandeira publicou na imprensa entre 1930 e 1944 e que agora estão reunidas em Crônicas inéditas 2. Os textos somam-se aos 113 do primeiro volume, lançado em 2008, e às Crônicas da província do Brasil (2006), organizadas pelo próprio autor. As obras são resultado de um árduo trabalho levado adiante pelo pesquisador Júlio Castañon Guimarães, que se embrenhou em todos os arquivos de jornais da época em busca do que pensava Bandeira sobre arte, literatura, arquitetura, os concursos de miss Brasil, música erudita, cinema mudo, as manias que tomavam conta do Rio de Janeiro, (então capital do país) e muitos outros assuntos que formavam o incipiente panorama cultural da época.
Fino observador da cidade, Bandeira se revela um escritor de mão-cheia também no gênero da prosa, mostrando-se um verdadeiro pensador da cultura brasileira ao testemunhar com rigor e humor a formação do ambiente artístico no Brasil.
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