Direto da Tenda « COSACNAIFY NA FLIP 2009

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Homenagem à Manoel Bandeira

Crônicas Inéditas 2
Crônicas Inéditas 2
Apresentação da Poesia Brasileira
Apresentação da Poesia Brasileira
Macbeth, de Sheakspeare
Macbeth, de Sheakspeare

Mario Bellatin

Flores
Flores
Entrevista

Grégoire Bouillier

O Convidado Supresa
O Convidado Supresa

Angélica Freitas

Rilke Shake
Rilke Shake
Poema inédito

Flip Zona

  1. Uma invenção de si mesmo

    Sábado, 4 julho, 2009, às 21:06

    O Mexicano Mario Bellatin (Flores) e o brasileiro Cristóvão Tezza (O filho eterno) protagonizaram uma das mesas mais elogiadas da Flip 2009: O eu profundo e os outros eus, que tratou dos frágeis limites entre autobiografia e ficção. Por diversas vezes as falas foram interrompidas pelas palmas do público.

    Bellatin contou como se inventou como escritor. Quando era totalmente desconhecido, ainda estudante na faculdade, e terminava de escrever o primeiro livro, encomendou uma tiragem baixa e distribuiu pelas ruas oitocentos cupons que davam “desconto na compra do livro do grande escritor Mario Bellatin, a ser lançado no dia tal”. “O lançamento foi um sucesso”.

    Joca Reiners Terron, Mario Bellatin e Cristovão Tezza. Foto: Sérgio Fonseca / Recortes

    Joca Reiners Terron, Mario Bellatin e Cristovão Tezza. Foto: Sérgio Fonseca / Recortes.org

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  2. O inventário amoroso de
    Grégoire Bouillier e Sophie Calle

    Sábado, 4 julho, 2009, às 19:22

    Mais de uma hora antes de começar a mesa de conversa que juntou o escritor Grégoire Bouillier e a artista conceitual Sophie Calle, o burburinho fora da Tenda dos Autores já era enorme. Todos se aglomeravam para tentar garantir lugar nas primeiras cadeiras diante do palco, que se transformou num espaço íntimo e deu lugar a uma troca de leves alfinetadas entre o ex-casal, mas também a elogios mútuos quando o assunto era arte ou literatura. Conduzindo esta “DR a la francesa”, Angel Gurría-Quintana tentava de fato mediar as emoções e expectativas de Sophie e Grégoire, que assumiram suas apreensões diante do encontro, o primeiro que se deu em público após o rompimento do namoro. “Estar aqui é ao mesmo tempo trágico e divertido”, disse Grégoire.

    Sophie Calle e Grégoire Bouillier. "A arte vale a pena"

    Sophie Calle e Grégoire Bouillier. "A arte vale a pena"

    A origem do espetáculo em torno dos dois franceses teve inicio anos antes, quando Bouillier finalizou o relacionamento através de um e-mail, que ao final dizia: “Cuide de você”. Como ela própria disse, Sophie fez “de um limão, uma limonada”: convidou 107 mulheres de várias profissões para reinterpretarem a mensagem. O trabalho resultou em uma exposição de arte na Bienal de Veneza, em 2003. “Grégoire disse que não faria nada para impedir o projeto. Isso já foi um belo presente para mim”, reconheceu ela.

    “Quando fui conhecer a obra, as mulheres convocadas por Sophie vinham me dizer que eu era muito corajoso em aparecer. Eu disse que corajosas eram elas, por virem falar comigo”, disse Boullier, entre irônico e crítico.

    Crítica, aliás, é algo que o autor de O convidado surpresa (publicado pela Cosac Naify e no qual ele relata a noite em que conheceu Sophie Calle) desferiu somente à matéria que gerou o trabalho da artista, e não ao resultado final. “Não concordo com seu propósito, mas a obra é ótima”, elogiou, arrancando um leve sorriso da ex-namorada. Perguntado a respeito da exploração da intimidade com finalidades artísticas, o escritor afirmou que “a arte nunca é sobre o público ou o privado. A arte é sempre sobre a interioridade de um sujeito”.

    Entre a arte e a vida, Sophie ficaria com a segunda. “Se Grégoire tivesse voltado para mim mesmo após o início do projeto, eu não teria levado isso adiante. Como isso não aconteceu, tive a necessidade de me afastar do fato para poder lidar com o sofrimento. É assim que ajo com as coisas ruins de minha vida”, revelou Sophie, ressaltando que o trabalho não significou uma vingança. “Foi um projeto artístico que vale a pena em si mesmo”.

    Sophie Calle é autora de Histórias reais (Editora Agir), que narra em texto e foto episódios nos quais se misturam a vida pessoal e a matéria-prima de suas intervenções. Ao final da conversa, ela contou que já tem um novo amor, que pediu para não ser transformado em obra de arte. “Eu aceitei, mas isso não quer dizer que vou cumprir”.

    A mesa foi encerrada com uma importante ressalva feita por Calle: “Grégoire é, antes de tudo, um excelente escritor, e não vítima de meu trabalho”.

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  3. Nova geração da poesia brasileira evoca Bandeira

    Sexta-feira, 3 julho, 2009, às 14:22

    A mesa número 6 da Flip 2009, Evocação de um poeta, reuniu numa manhã de garoa os poetas Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas, com mediação de Carlito Azevedo. Todos escolheram poemas de Bandeira para ler: Angélica optou por “Porquinho-da-Índia” e “Namorados”, do livro Libertinagem (1930). Heitor Ferraz preferiu “O martelo”, do livro Lira dos cinquent’anos (1940), e “Consoada”, de Opus 10 (1952). Já Eucanaã Ferraz recitou “Evocação do Recife” e “Satélite”, para depois apresentar seu “Bandeira e guarda-chuva” (“Sob bibliotecas, qual piolharia: / Bandeira sob um guarda-chuva. / Nada mais dada. Quem imaginaria?”).

    Carlito Azevedo, Angélica Freitas, Heitor Ferraz e Eucanaã Ferraz

    Carlito Azevedo, Angélica Freitas, Heitor Ferraz e Eucanaã Ferraz

    A conversa girou em torno de como cada qual recebe as influências do mestre. Eucanaã Ferraz lembrou do alumbramento como característica da poética bandeiriana, ressaltando o trabalho de construção que também está por trás de cada verso, “algo que ficou mais identificado com a poesia de João Cabral de Melo Neto”. “Acredito que no trabalho poético haja 100% de inspiração e 100% de transpiração. Não separo as duas coisas”, disse o autor, que revelou sua preferência pela prática de burilar as palavras ao invés de escrever “por estalo”.  

    “Quando tenho uma ideia, não guardo para mais tarde. Tenho que escrever na hora”, contou Angélica, “como se passava com Bandeira, que escreveu  ‘não faço poesia quando quero, e sim quando ela quer’. Comigo é assim também”.

    Para Heitor Ferraz, a boa lição deixada por Bandeira foi despertá-lo para a musicalidade da língua ‘brasileira’. “Com ele aprendi a delícia que é esta língua e a ver poesia nas coisas simples e cotidianas. Com Chico Alvim, aprendi a desvendar a ideologia que há por trás disso, a perceber as ideias muitas vezes cristalizadas que estão embutidas em uma conversa corriqueira”.

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  4. Amores e chinelos

    Quinta-feira, 2 julho, 2009, às 11:29

    Na conferência de abertura da Flip 2009, o crítico e professor Davi Arrigucci Jr. falou da formação poética de Manuel Bandeira, que tem no alumbramento uma de suas principais forças. Espécie de epifania, ou êxtase diante do sublime “que nos abre para o insondável”, esta emoção diante das coisas miúdas do cotidiano é tomada, na obra bandeiriana, por enorme profundidade, revelando uma capacidade única de colher da vida concreta grandes experiências humanas. “A poesia pode estar nos amores e nos chinelos”, dizia o poeta.

    "Bandeira soube se desligar de um mero sentimentalismo", disse o crítico Davi Arrigucci Jr. na aberura da Flip 2009. Foto: Livia Deorsola

    "Bandeira soube se desligar do mero sentimentalismo", disse o crítico Davi Arrigucci Jr. na abertura da Flip 2009. Fotos: Livia Deorsola

    Arrigucci lembrou que foi no morro do Curvelo, em Santa Teresa, no Rio, que Bandeira exercitou plenamente este olhar sobre as coisas simples e deixou de lado o sentimento de auto-piedade, passando à superação constante frente à morte iminente. “Bandeira poderia ter sido um personagem de Thomas Mann em seu A montanha mágica”, comparou o crítico. Foi dali, do interior de seu quarto, mirando do alto a vida passar pela janela, que, para Arrigucci, estabeleceu-se de vez a estreita relação entre o alto e o baixo, o mundo interior e o exterior que caracteriza toda a poesia de Bandeira.

    Aplaudido de pé, Arrigucci Jr. encerrou suas considerações com breves análises de alguns poemas do autor, como “Momento num café”, “Poema só para Jaime Ovalle”, “Comentário musical” e “Poema do beco”.

    Edson Nery da Fonseca, grande conhecedor da obra de Bandeira e organizador de "Poemas religiosos e alguns libertinos" (Cosac Naify, 2007), foi aplaudido ao entrar na Tenda dos Autores

    Edson Nery da Fonseca, grande conhecedor da obra de Bandeira e organizador de "Poemas religiosos e alguns libertinos" (Cosac Naify, 2007), foi aplaudido ao entrar na Tenda dos Autores para assistir à conferência

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  5. Por todos os lados

    Quarta-feira, 1 julho, 2009, às 18:05
    Dúvida: qual Bandeira levar?

    Dúvida: qual Bandeira levar?

    Árvore de livros infantis da Cosac Naify, um convite à leitura ao ar livre

    Árvore de livros infantis da Cosac Naify, um convite à leitura ao ar livre

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  6. A festa começou

    Quarta-feira, 1 julho, 2009, às 17:22

    A pequena Paraty começa a ganhar ainda mais vida com o início das atividades da Flip. A cidade já está cheia de gente e pelas ruas se podem ver um elegante Gay Talese pedindo um suco de laranja no balcão de um bar, ou Grégoire Bouillier admirado com o casario colonial, dividido entre olhar a bela arquitetura e não tropeçar nas pedras pelo caminho.

    Bouillier se encontrará com Sophie Calle, pela primeira vez em público desde o rompimento do namoro que deu origem a uma exposição da artista plástica na Bienal de Veneza (2003), na mesa da Flip, sexta-feira (4/7), às 11h45, com mediação de Angel Gurría-Quintana.

    A tenda dos autores, onde acontecem as mesas de pate-papo

    A tenda dos autores, onde acontecem as mesas de bate-papo

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  7. Literatura e vídeo

    Quarta-feira, 1 julho, 2009, às 16:51

    A jornalista Juliana Krapp, do Jornal do Brasil, conversou hoje com o escritor Mario Bellatin, autor convidado da Flip 2009. Durante a entrevista, o mexicano, que já declarou admiração por Machado de Assis, Mário de Andrade, João Gilberto Noll e Glauco Mattoso, falou também sobre Clarice Lispector. “Gosto muito de seus contos, mais do que de seus romances. Me incomodam sobretudo aqueles que tentam recriar a prosa poética de Clarice, como se o que ela escreveu fosse um convite a que todos fizessem o mesmo”, afirmou Bellatin.

    Bellatin em Paraty, onde se apresenta nesta sexta-feira, em mesa com Crsitovão Tezza

    Bellatin em Paraty, onde se apresenta nesta sexta-feira, em mesa com Cristovão Tezza

    Perguntado pela jornalista sobre a Escola Dinâmica de Escritores, criada por ele no México, o autor de Flores revelou a intenção de transformar as experiências que ali acontecem – lugar onde a regra básica é não escrever – em intervenções em vídeo. “Desta forma o que criamos ali passa a ser ampliado a um grupo de pessoas muito maior do que apenas aquelas trinta que se reúnem na escola”, diz Balletin, que estudou cinema em Cuba.

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