Apresentação da Poesia Brasileira « COSACNAIFY NA FLIP 2009

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Homenagem à Manoel Bandeira

Crônicas Inéditas 2
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Apresentação da Poesia Brasileira
Apresentação da Poesia Brasileira
Macbeth, de Sheakspeare
Macbeth, de Sheakspeare

Mario Bellatin

Flores
Flores
Entrevista

Grégoire Bouillier

O Convidado Supresa
O Convidado Supresa

Angélica Freitas

Rilke Shake
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Poema inédito

Flip Zona

  1. Bandeira antenado 2

    Quarta-feira, 1 julho, 2009, às 16:02

    Abaixo, mais depoimentos de poetas que tiveram textos seus selecionados por Manuel Bandeira para a Apresentação da poesia brasileira, agora reeditado pela Cosac Naify.

    “Manuel Bandeira é um dos poetas de minha vida. Ele me estendeu a sua mão de clássico e imperdível quando eu tinha vinte anos. Ainda hoje sinto o calor dessa mão sábia e fraterna.” 

    Lêdo Ivo

    *

    “Toda vez que lembro me comovo. Foi de noite, na redação do Diario Carioca, no Rio, onde eu trabalhava, nos começos dos anos 50, acho que 52. Com o Armando Nogueira, o Castelinho, o Luis Paulistano, o Pompeu de Souza chefe da redação. O Prudentinho, perdão, o grande Prudente de Morais,neto, me chama à sua mesa de editor principal e me estende o telefone:
    - O Bandeira quer falar com você.
    Atendi contente:
    - Alô, poeta ! Como vai?
    - Você já viu?, ele foi logo me perguntando.
    - Vi o quê, poeta?
    - Você, o seu poema. Na minha Apresentação da poesia.
    Ele sentiu a emoção na minha voz agradecida e me cortou com a sua imensa gargalhada:
    - A palavra da boca é sempre inútil se o sôpro não lhe vem do coração.

    Eram dois versos do meu ‘Sonho da Argila’.” 

    Thiago de Mello


    *

    “Manuel Bandeira, desde o início, nos deu — a nós, então jovens integrantes do movimento concretista — muita força.  Lançada em dezembro de 1956 na Exposição no MAM de São Paulo (transferida para o Rio em fevereiro de 1957), a poesia concreta enfrentou uma enxurrada de  críticas ao mesmo tempo horrorizadas e insultuosas. O arco de negação pode ser medido pelos comentários dos escritores Lêdo Ivo e José Lins do Rego: o primeiro nos recomendava um curso de alfabetização; o segundo, nos aconselhava ‘um banho de burrice’. Desafiando a desconfiança ou o silêncio de outros e a acrimônia da maioria, Bandeira publicou várias crônicas simpáticas e até tentou ‘concretizar-se’. Na grande reportagem da revista O Cruzeiro sobre a mostra, intitulada provocativamente ‘O Rock and Roll da Poesia’, ele compareceu com um ‘poema concreto’ e   foi fotografado, atento, diante do meu poema ‘Tensão’.  No mesmo ano me escreveu solicitando esse texto para a versão atualizada de sua antologia da poesia brasileira, que apareceu em dezembro de 1957. Com o poema ‘ Tensão’ encerrou o volume. Aos vinte e poucos anos, eu confiava cegamente no que nós fazíamos e estava disposto a enfrentar todos os moinhos de vento que aparecessem, mas é fácil imaginar o estímulo que representou a atenção  do  admirado poeta que ousava ‘desafiar o coro dos contentes’ da poesia oficial e juntar-se às poucas vozes que então nos apoiaram.” 

    Augusto de Campos

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  2. Bandeira antenado

    Terça-feira, 30 junho, 2009, às 19:23

    Em seu Apresentação da poesia brasileira, escrito em 1946, Bandeira corajosamente apontou, com muito rigor, grandes promessas da poesia do país. Imaginem o que significava para um jovem poeta ter alguns de seus versos selecionados pelo mestre. Pois é exatamente esta sensação que revelam Ferreira Gullar, Lêdo Ivo, Mário Chamie, Thiago de Mello e Augusto de Campos ao Blog da Cosac Naify na Flip 2009.

    “Certamente, foi com surpresa e alegria que vi meu poema ‘Mar azul’ incluído pelo mestre Manuel Bandeira na nova edição da Apresentação da poesia brasileira. Ele estava sempre aberto às novas buscas de expressão e já havia escrito uma crônica, no Jornal do Brasil, falando com simpatia da poesia concreta, que escandalizava muita gente. E me envaideceu muito ler, na Apresentação, a referência que fazia a mim, dizendo que eu era, dentre os novos poetas, “o mais estranho e inteligente”. Inteligente, não sei; estranho eu era, embora sem querer”.

    Ferreira Gullar


    Uma questão de sufixo

     “Numa das últimas visitas de Manuel Bandeira a São Paulo, conversamos calmamente sobre poesia.
    O local e cenário, escolhidos por ele, não poderiam ter sido melhores: a praça Dom José Gaspar, numa tarde serena de outono, à sombra do busto de Mário de Andrade.

    Para Bandeira, o busto de Mário era mais do que uma presença escultórica; confirmava, também, a veracidade daquele seu poema “A Mário de Andrade ausente”, segundo o qual o autor de Paulicéia desvairada não morrera, apenas tinha se ausentado por algum tempo de nossa cidade. Estes belos versos do poema me vieram à memória:

    Anunciaram que você morreu/ Você não morreu: ausentou-se./ A vida é uma só. A sua vida continua/ na vida que você viveu./ Por isso não sinto agora a sua falta.

    Nesse clima, Bandeira foi me dizendo que o motivo de nosso encontro era, na verdade, uma questão de sufixo.  Não entendi e perguntei:

     - De sufixo?
    - Sim, de sufixo.

    Pedi esclarecimento e o poeta me esclareceu:
       – Estou preparando a edição definitiva de meu livro Apresentação da poesia brasileira. Nas duas edições anteriores, eu vinha até a Geração de 45. Na próxima edição, vou encerrar o livro falando da Poesia Práxis, com a transcrição de um trecho de poema seu. Nesse trecho, você fragmenta duas palavras para multiplicá-las em várias outras.

     - O mestre estaria dizendo que eu decomponho os afixos dos vocábulos, a exemplo da palavra “maravilha”, em que “mar” é prefixo, “ave” é infixo e “ilha” é sufixo?
    - Exato. Só que, no texto seu que citarei, o meu interesse recai sobre o sufixo da palavra “asfalto”. Esta comparece nestes seus versos: o esfalfado arfar do asfalto/ falto de ar… Percebo, aí, a idéia contida de cansaço arfante e da perda de fôlego de quem se exaure pelas ruas da vida urbana. E aqui está o ponto: eu gostaria de saber se “falta” em lugar de “falto” não comunicaria melhor a sua mensagem, já que a “falta de ar”, no caso, seria um infortúnio comum a todas as pessoas aridamente esfalfadas, enquanto “falto de ar” restringe-se tão só à sensação de asfixia que o asfalto sugere.
    Diante da fina acuidade de Bandeira, sem dizer sim ou não, reverenciei as suas observações.

     Naquela tarde de outono, saboreei, com humor e humildade, outras lições do grande poeta, até nos despedirmos.
    Confesso que, na época, não li a nova edição prometida por ele. Semana passada, porém, numa livraria da cidade topei com o livro, reeditado, no ano de 2000, pela Ediouro.  Abri o volume e fui direto às suas páginas finais. Quase me faltou o ar! Embora ausente como Mário de Andrade, Bandeira cumpriu a promessa. Numa espécie de coautoria consentida, ele substituiu “falto” por “falta”, não faltando, assim, com a generosidade maior de sua palavra.

     De fato, Manuel Bandeira encerra a edição definitiva de sua indispensável Apresentação da poesia brasileira não só com a citação daquele verso do meu poema “Migradores”, mas também com a transcrição de um breve texto crítico que o acompanha criativamente”.

    Mário Chamie

     

    [Amanhã, quarta-feira, leia os depoimentos de Lêdo Ivo, Thiago de Mello e Augusto de Campos]

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  3. Remingtons embandeiradas

    Sábado, 27 junho, 2009, às 18:10

    O leitor Sergio Fonseca fotografou a exposição do livro Apresentação da Poesia Brasileira na vitrine da Livraria da Travessa do Leblon (RJ) e gentilmente nos enviou a imagem.

    Por Sergio Fonseca / flip2009.recorte.org

    Por Sergio Fonseca / flip2009.recorte.org

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  4. Remington

    Sexta-feira, 26 junho, 2009, às 18:55

    A Livraria da Travessa usou máquinas de escrever dos anos 50 para enfeitar as pilhas de Apresentação da Poesia Brasileira, de Manuel Bandeira, que exibe em suas lojas.

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  5. Apresentação da poesia brasileira, de Manuel Bandeira

    Quarta-feira, 24 junho, 2009, às 21:04

    Para apresentar nossos melhores poetas ao leitor estrangeiro, Manuel Bandeira preparou este volume que, na verdade, são dois livros em um. A primeira parte traz um panorama crítico dos poetas, escolas e movimentos que marcaram a poesia no país, de José de Anchieta ao Concretismo. Leitor atento dos clássicos e dos novos poetas, Bandeira revaloriza obras esquecidas, acompanha com interesse a produção dos nomes que despontavam, como Drummond e Vinicius, faz questionamentos às vezes polêmicos, mas sempre marcados pela erudição e graça de sua prosa. A segunda parte se organiza como uma antologia, gênero em que, nas palavras de Antonio Candido, Bandeira se tornou perito: 125 poemas de 55 poetas, dos grandes clássicos como a “Canção do exílio” e o “Navio negreiro” aos achados bandeirianos como os bissextos Pedro Nava e Pedro Dantas, chegando até Augusto de Campos e Ferreira Gullar, então com vinte e poucos anos de idade. A edição, pensada tanto para o especialista como para o estudante, traz seleção iconográfica da Biblioteca de José Mindlin e posfácio de Otto Maria Carpeaux.

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  6. Drummond, um humorista de grande estilo

    Quarta-feira, 24 junho, 2009, às 20:56

    “Carlos Drummond de Andrade [1902-87] é o representante mais típico em poesia do homem de Minas. Os mineiros mais genuínos são dotados daquelas qualidades de reflexão cautelosa, de desconfiança do entusiasmo fácil, de gosto das segundas intenções, de reserva pessimista, elementos todos geradores de humour. Toda vez que com esse feitio mineiro coincidirem uma sensibilidade mais rara e o dom da poesia, é de esperar um humorista de grande estilo. Carlos Drummond de Andrade é o primeiro caso dessa feliz conjunção. Sensibilidade comovida e comovente em cada linha que escreve, o Poeta não abandona quase nunca essa atitude de humour, mesmo nos momentos de maior ternura.”

    [Apresentação da poesia brasileira, de Manuel Bandeira]

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