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Crônicas Inéditas 2
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Macbeth, de Sheakspeare
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Flores
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Entrevista

Grégoire Bouillier

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Angélica Freitas

Rilke Shake
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Poema inédito

Flip Zona

  1. O inventário amoroso de
    Grégoire Bouillier e Sophie Calle

    Sábado, 4 julho, 2009, às 19:22

    Mais de uma hora antes de começar a mesa de conversa que juntou o escritor Grégoire Bouillier e a artista conceitual Sophie Calle, o burburinho fora da Tenda dos Autores já era enorme. Todos se aglomeravam para tentar garantir lugar nas primeiras cadeiras diante do palco, que se transformou num espaço íntimo e deu lugar a uma troca de leves alfinetadas entre o ex-casal, mas também a elogios mútuos quando o assunto era arte ou literatura. Conduzindo esta “DR a la francesa”, Angel Gurría-Quintana tentava de fato mediar as emoções e expectativas de Sophie e Grégoire, que assumiram suas apreensões diante do encontro, o primeiro que se deu em público após o rompimento do namoro. “Estar aqui é ao mesmo tempo trágico e divertido”, disse Grégoire.

    Sophie Calle e Grégoire Bouillier. "A arte vale a pena"

    Sophie Calle e Grégoire Bouillier. "A arte vale a pena"

    A origem do espetáculo em torno dos dois franceses teve inicio anos antes, quando Bouillier finalizou o relacionamento através de um e-mail, que ao final dizia: “Cuide de você”. Como ela própria disse, Sophie fez “de um limão, uma limonada”: convidou 107 mulheres de várias profissões para reinterpretarem a mensagem. O trabalho resultou em uma exposição de arte na Bienal de Veneza, em 2003. “Grégoire disse que não faria nada para impedir o projeto. Isso já foi um belo presente para mim”, reconheceu ela.

    “Quando fui conhecer a obra, as mulheres convocadas por Sophie vinham me dizer que eu era muito corajoso em aparecer. Eu disse que corajosas eram elas, por virem falar comigo”, disse Boullier, entre irônico e crítico.

    Crítica, aliás, é algo que o autor de O convidado surpresa (publicado pela Cosac Naify e no qual ele relata a noite em que conheceu Sophie Calle) desferiu somente à matéria que gerou o trabalho da artista, e não ao resultado final. “Não concordo com seu propósito, mas a obra é ótima”, elogiou, arrancando um leve sorriso da ex-namorada. Perguntado a respeito da exploração da intimidade com finalidades artísticas, o escritor afirmou que “a arte nunca é sobre o público ou o privado. A arte é sempre sobre a interioridade de um sujeito”.

    Entre a arte e a vida, Sophie ficaria com a segunda. “Se Grégoire tivesse voltado para mim mesmo após o início do projeto, eu não teria levado isso adiante. Como isso não aconteceu, tive a necessidade de me afastar do fato para poder lidar com o sofrimento. É assim que ajo com as coisas ruins de minha vida”, revelou Sophie, ressaltando que o trabalho não significou uma vingança. “Foi um projeto artístico que vale a pena em si mesmo”.

    Sophie Calle é autora de Histórias reais (Editora Agir), que narra em texto e foto episódios nos quais se misturam a vida pessoal e a matéria-prima de suas intervenções. Ao final da conversa, ela contou que já tem um novo amor, que pediu para não ser transformado em obra de arte. “Eu aceitei, mas isso não quer dizer que vou cumprir”.

    A mesa foi encerrada com uma importante ressalva feita por Calle: “Grégoire é, antes de tudo, um excelente escritor, e não vítima de meu trabalho”.

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