Carlito Azevedo « COSACNAIFY NA FLIP 2009

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Homenagem à Manoel Bandeira

Crônicas Inéditas 2
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Apresentação da Poesia Brasileira
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Macbeth, de Sheakspeare
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Mario Bellatin

Flores
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Entrevista

Grégoire Bouillier

O Convidado Supresa
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Angélica Freitas

Rilke Shake
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Poema inédito

Flip Zona

  1. Nova geração da poesia brasileira evoca Bandeira

    Sexta-feira, 3 julho, 2009, às 14:22

    A mesa número 6 da Flip 2009, Evocação de um poeta, reuniu numa manhã de garoa os poetas Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas, com mediação de Carlito Azevedo. Todos escolheram poemas de Bandeira para ler: Angélica optou por “Porquinho-da-Índia” e “Namorados”, do livro Libertinagem (1930). Heitor Ferraz preferiu “O martelo”, do livro Lira dos cinquent’anos (1940), e “Consoada”, de Opus 10 (1952). Já Eucanaã Ferraz recitou “Evocação do Recife” e “Satélite”, para depois apresentar seu “Bandeira e guarda-chuva” (“Sob bibliotecas, qual piolharia: / Bandeira sob um guarda-chuva. / Nada mais dada. Quem imaginaria?”).

    Carlito Azevedo, Angélica Freitas, Heitor Ferraz e Eucanaã Ferraz

    Carlito Azevedo, Angélica Freitas, Heitor Ferraz e Eucanaã Ferraz

    A conversa girou em torno de como cada qual recebe as influências do mestre. Eucanaã Ferraz lembrou do alumbramento como característica da poética bandeiriana, ressaltando o trabalho de construção que também está por trás de cada verso, “algo que ficou mais identificado com a poesia de João Cabral de Melo Neto”. “Acredito que no trabalho poético haja 100% de inspiração e 100% de transpiração. Não separo as duas coisas”, disse o autor, que revelou sua preferência pela prática de burilar as palavras ao invés de escrever “por estalo”.  

    “Quando tenho uma ideia, não guardo para mais tarde. Tenho que escrever na hora”, contou Angélica, “como se passava com Bandeira, que escreveu  ‘não faço poesia quando quero, e sim quando ela quer’. Comigo é assim também”.

    Para Heitor Ferraz, a boa lição deixada por Bandeira foi despertá-lo para a musicalidade da língua ‘brasileira’. “Com ele aprendi a delícia que é esta língua e a ver poesia nas coisas simples e cotidianas. Com Chico Alvim, aprendi a desvendar a ideologia que há por trás disso, a perceber as ideias muitas vezes cristalizadas que estão embutidas em uma conversa corriqueira”.

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  2. Carlito Azevedo revela do que nos salva a poesia de Angélica Freitas

    Terça-feira, 30 junho, 2009, às 18:31

    Perguntamos ao poeta e editor da editora 7Letras Carlito Azevedo por que ele gosta tanto da poesia de Angélica Freitas. Abaixo, a resposta.

    “A Angélica consegue criar. Já nos primeiros versos de qualquer poema seu, uma atmosfera feliz e profanadora que nos convida a relativizar o gigantismo de certos sentimentos solenes, sagrados, até mórbidos que por muito tempo quiseram, e ainda hoje querem, se fazer passar pela poesia mais autêntica, pela mais sensível forma de se viver um estado poético.

    Com ela não tem autor sagrado (mesmo os que mais admira, como Gertrude Stein), não tem sentimento hierarquicamente superior (ela mesmo já se definiu uma vez como a “patinha sem páthos”), o que tem é a força do poema, nascendo do contato furioso da existência, como uma sonda enviada para investigar todos os sentimentos que ainda não vivemos, como uma transparência através da qual se quer ver as pessoas de agora, na ruas de agora, falando a língua de agora, sentindo os sentimentos de agora.

    Nesse sentido, acho que ela se inscreve numa esplêndida tradição da poesia universal, mas que infelizmente está em baixa no Brasil, apesar de Oswald de Andrade. Que é a tradição da anti-poesia de um Nicanor Parra, o maior poeta chileno do século, de uma Susana Thénon, o segredo mais bem guardado da poesia argentina, e de uma Adília Lopes, a portuguesa mais brasileira desde Carmem Miranda.

    Para os poetas dessa tradição, o poema é a arma mais potente para desmontar as armadilhas que o tempo dispõe à nossa frente o tempo todo. Penso que a armadilha da identidade (sexual, política, nacional etc), que nos quer sempre “idênticos” a nós mesmos, sem possibilidade de metamorfose, é aquela que, até agora, mais mereceu os disparos certeiros da poesia de Angélica”.

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