O jornalista e escritor Humberto Werneck, autor de O santo sujo – a vida de Jayme Ovalle (APCA 2008), é o convidado do projeto “Sempre um papo”, no dia 16 de julho, para falar sobre jornalismo literário e de sua experiência ao escrever a biografia de uma das personalidades mais fascinantes – e desconhecidas – do modernismo brasileiro. “Saí à procura dos baús de Ovalle, mas o que encontrei cabia com sobras numa mochila”, costuma dizer o escritor ao relatar o desafio das pesquisas a respeito do biografado.

Humberto Werneck e Lobo Antunes na Flip 2009. Foto: Walter Craveiro
O santo sujo recebeu, publicamente, rasgados elogios do escritor português António Lobo Antunes, um dos destaques da Flip 2009, protagonista da mesa de conversa Escrever é preciso, conduzida por Werneck. “Recomendo vivamente a leitura da biografia de Jayme Ovalle. Aprendi muito com Humberto Werneck”, disse o autor de Meu nome é legião, cujo avô brasileiro nasceu no Pará, assim como Ovalle.
“Sempre um papo” em São Paulo, com Humberto Werneck
Dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h
SESC Vila Mariana – Rua Pelotas, 141 – São Paulo (SP). Grátis
A mesa número 6 da Flip 2009, Evocação de um poeta, reuniu numa manhã de garoa os poetas Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas, com mediação de Carlito Azevedo. Todos escolheram poemas de Bandeira para ler: Angélica optou por “Porquinho-da-Índia” e “Namorados”, do livro Libertinagem (1930). Heitor Ferraz preferiu “O martelo”, do livro Lira dos cinquent’anos (1940), e “Consoada”, de Opus 10 (1952). Já Eucanaã Ferraz recitou “Evocação do Recife” e “Satélite”, para depois apresentar seu “Bandeira e guarda-chuva” (“Sob bibliotecas, qual piolharia: / Bandeira sob um guarda-chuva. / Nada mais dada. Quem imaginaria?”).

Carlito Azevedo, Angélica Freitas, Heitor Ferraz e Eucanaã Ferraz
A conversa girou em torno de como cada qual recebe as influências do mestre. Eucanaã Ferraz lembrou do alumbramento como característica da poética bandeiriana, ressaltando o trabalho de construção que também está por trás de cada verso, “algo que ficou mais identificado com a poesia de João Cabral de Melo Neto”. “Acredito que no trabalho poético haja 100% de inspiração e 100% de transpiração. Não separo as duas coisas”, disse o autor, que revelou sua preferência pela prática de burilar as palavras ao invés de escrever “por estalo”.
“Quando tenho uma ideia, não guardo para mais tarde. Tenho que escrever na hora”, contou Angélica, “como se passava com Bandeira, que escreveu ‘não faço poesia quando quero, e sim quando ela quer’. Comigo é assim também”.
Para Heitor Ferraz, a boa lição deixada por Bandeira foi despertá-lo para a musicalidade da língua ‘brasileira’. “Com ele aprendi a delícia que é esta língua e a ver poesia nas coisas simples e cotidianas. Com Chico Alvim, aprendi a desvendar a ideologia que há por trás disso, a perceber as ideias muitas vezes cristalizadas que estão embutidas em uma conversa corriqueira”.
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