Manuel Bandeira « COSACNAIFY NA FLIP 2009

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Homenagem à Manoel Bandeira

Crônicas Inéditas 2
Crônicas Inéditas 2
Apresentação da Poesia Brasileira
Apresentação da Poesia Brasileira
Macbeth, de Sheakspeare
Macbeth, de Sheakspeare

Mario Bellatin

Flores
Flores
Entrevista

Grégoire Bouillier

O Convidado Supresa
O Convidado Supresa

Angélica Freitas

Rilke Shake
Rilke Shake
Poema inédito

Flip Zona

  1. Carimbos ilustram poemas
    de Bandeira

    Quinta-feira, 2 julho, 2009, às 17:05

    Cynthia Cruttenden fez os adolescentes colocarem a mão na massa na oficina na qual ensinou a técnica do carimbo Eva. A ilustradora distribui dois poemas do homenageado desta Flip, Manuel Bandeira – “Eu vi uma rosa” e “O rio” – e pediu que os participantes escolhessem um deles para usá-lo no trabalho.

    Poema escolhido, chamou voluntários para aprenderem a confeccionar carimbos de Eva e ilustrarem junto com ela o texto. A técnica ensinada é semelhante à utilizada pela artista em Sob o sol, sob a lua.

    O sala de cinema em construção que abriga o espaço da FlipZona ganhou um clima de atelier e ficou tão animado a ponto de levar um adulto que observava o trabalho a se animar e ler “Eu vi uma rosa” em voz alta para os adolescentes.

     

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  2. Amores e chinelos

    Quinta-feira, 2 julho, 2009, às 11:29

    Na conferência de abertura da Flip 2009, o crítico e professor Davi Arrigucci Jr. falou da formação poética de Manuel Bandeira, que tem no alumbramento uma de suas principais forças. Espécie de epifania, ou êxtase diante do sublime “que nos abre para o insondável”, esta emoção diante das coisas miúdas do cotidiano é tomada, na obra bandeiriana, por enorme profundidade, revelando uma capacidade única de colher da vida concreta grandes experiências humanas. “A poesia pode estar nos amores e nos chinelos”, dizia o poeta.

    "Bandeira soube se desligar de um mero sentimentalismo", disse o crítico Davi Arrigucci Jr. na aberura da Flip 2009. Foto: Livia Deorsola

    "Bandeira soube se desligar do mero sentimentalismo", disse o crítico Davi Arrigucci Jr. na abertura da Flip 2009. Fotos: Livia Deorsola

    Arrigucci lembrou que foi no morro do Curvelo, em Santa Teresa, no Rio, que Bandeira exercitou plenamente este olhar sobre as coisas simples e deixou de lado o sentimento de auto-piedade, passando à superação constante frente à morte iminente. “Bandeira poderia ter sido um personagem de Thomas Mann em seu A montanha mágica”, comparou o crítico. Foi dali, do interior de seu quarto, mirando do alto a vida passar pela janela, que, para Arrigucci, estabeleceu-se de vez a estreita relação entre o alto e o baixo, o mundo interior e o exterior que caracteriza toda a poesia de Bandeira.

    Aplaudido de pé, Arrigucci Jr. encerrou suas considerações com breves análises de alguns poemas do autor, como “Momento num café”, “Poema só para Jaime Ovalle”, “Comentário musical” e “Poema do beco”.

    Edson Nery da Fonseca, grande conhecedor da obra de Bandeira e organizador de "Poemas religiosos e alguns libertinos" (Cosac Naify, 2007), foi aplaudido ao entrar na Tenda dos Autores

    Edson Nery da Fonseca, grande conhecedor da obra de Bandeira e organizador de "Poemas religiosos e alguns libertinos" (Cosac Naify, 2007), foi aplaudido ao entrar na Tenda dos Autores para assistir à conferência

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  3. Bandeira antenado 2

    Quarta-feira, 1 julho, 2009, às 16:02

    Abaixo, mais depoimentos de poetas que tiveram textos seus selecionados por Manuel Bandeira para a Apresentação da poesia brasileira, agora reeditado pela Cosac Naify.

    “Manuel Bandeira é um dos poetas de minha vida. Ele me estendeu a sua mão de clássico e imperdível quando eu tinha vinte anos. Ainda hoje sinto o calor dessa mão sábia e fraterna.” 

    Lêdo Ivo

    *

    “Toda vez que lembro me comovo. Foi de noite, na redação do Diario Carioca, no Rio, onde eu trabalhava, nos começos dos anos 50, acho que 52. Com o Armando Nogueira, o Castelinho, o Luis Paulistano, o Pompeu de Souza chefe da redação. O Prudentinho, perdão, o grande Prudente de Morais,neto, me chama à sua mesa de editor principal e me estende o telefone:
    - O Bandeira quer falar com você.
    Atendi contente:
    - Alô, poeta ! Como vai?
    - Você já viu?, ele foi logo me perguntando.
    - Vi o quê, poeta?
    - Você, o seu poema. Na minha Apresentação da poesia.
    Ele sentiu a emoção na minha voz agradecida e me cortou com a sua imensa gargalhada:
    - A palavra da boca é sempre inútil se o sôpro não lhe vem do coração.

    Eram dois versos do meu ‘Sonho da Argila’.” 

    Thiago de Mello


    *

    “Manuel Bandeira, desde o início, nos deu — a nós, então jovens integrantes do movimento concretista — muita força.  Lançada em dezembro de 1956 na Exposição no MAM de São Paulo (transferida para o Rio em fevereiro de 1957), a poesia concreta enfrentou uma enxurrada de  críticas ao mesmo tempo horrorizadas e insultuosas. O arco de negação pode ser medido pelos comentários dos escritores Lêdo Ivo e José Lins do Rego: o primeiro nos recomendava um curso de alfabetização; o segundo, nos aconselhava ‘um banho de burrice’. Desafiando a desconfiança ou o silêncio de outros e a acrimônia da maioria, Bandeira publicou várias crônicas simpáticas e até tentou ‘concretizar-se’. Na grande reportagem da revista O Cruzeiro sobre a mostra, intitulada provocativamente ‘O Rock and Roll da Poesia’, ele compareceu com um ‘poema concreto’ e   foi fotografado, atento, diante do meu poema ‘Tensão’.  No mesmo ano me escreveu solicitando esse texto para a versão atualizada de sua antologia da poesia brasileira, que apareceu em dezembro de 1957. Com o poema ‘ Tensão’ encerrou o volume. Aos vinte e poucos anos, eu confiava cegamente no que nós fazíamos e estava disposto a enfrentar todos os moinhos de vento que aparecessem, mas é fácil imaginar o estímulo que representou a atenção  do  admirado poeta que ousava ‘desafiar o coro dos contentes’ da poesia oficial e juntar-se às poucas vozes que então nos apoiaram.” 

    Augusto de Campos

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  4. Bandeira antenado

    Terça-feira, 30 junho, 2009, às 19:23

    Em seu Apresentação da poesia brasileira, escrito em 1946, Bandeira corajosamente apontou, com muito rigor, grandes promessas da poesia do país. Imaginem o que significava para um jovem poeta ter alguns de seus versos selecionados pelo mestre. Pois é exatamente esta sensação que revelam Ferreira Gullar, Lêdo Ivo, Mário Chamie, Thiago de Mello e Augusto de Campos ao Blog da Cosac Naify na Flip 2009.

    “Certamente, foi com surpresa e alegria que vi meu poema ‘Mar azul’ incluído pelo mestre Manuel Bandeira na nova edição da Apresentação da poesia brasileira. Ele estava sempre aberto às novas buscas de expressão e já havia escrito uma crônica, no Jornal do Brasil, falando com simpatia da poesia concreta, que escandalizava muita gente. E me envaideceu muito ler, na Apresentação, a referência que fazia a mim, dizendo que eu era, dentre os novos poetas, “o mais estranho e inteligente”. Inteligente, não sei; estranho eu era, embora sem querer”.

    Ferreira Gullar


    Uma questão de sufixo

     “Numa das últimas visitas de Manuel Bandeira a São Paulo, conversamos calmamente sobre poesia.
    O local e cenário, escolhidos por ele, não poderiam ter sido melhores: a praça Dom José Gaspar, numa tarde serena de outono, à sombra do busto de Mário de Andrade.

    Para Bandeira, o busto de Mário era mais do que uma presença escultórica; confirmava, também, a veracidade daquele seu poema “A Mário de Andrade ausente”, segundo o qual o autor de Paulicéia desvairada não morrera, apenas tinha se ausentado por algum tempo de nossa cidade. Estes belos versos do poema me vieram à memória:

    Anunciaram que você morreu/ Você não morreu: ausentou-se./ A vida é uma só. A sua vida continua/ na vida que você viveu./ Por isso não sinto agora a sua falta.

    Nesse clima, Bandeira foi me dizendo que o motivo de nosso encontro era, na verdade, uma questão de sufixo.  Não entendi e perguntei:

     - De sufixo?
    - Sim, de sufixo.

    Pedi esclarecimento e o poeta me esclareceu:
       – Estou preparando a edição definitiva de meu livro Apresentação da poesia brasileira. Nas duas edições anteriores, eu vinha até a Geração de 45. Na próxima edição, vou encerrar o livro falando da Poesia Práxis, com a transcrição de um trecho de poema seu. Nesse trecho, você fragmenta duas palavras para multiplicá-las em várias outras.

     - O mestre estaria dizendo que eu decomponho os afixos dos vocábulos, a exemplo da palavra “maravilha”, em que “mar” é prefixo, “ave” é infixo e “ilha” é sufixo?
    - Exato. Só que, no texto seu que citarei, o meu interesse recai sobre o sufixo da palavra “asfalto”. Esta comparece nestes seus versos: o esfalfado arfar do asfalto/ falto de ar… Percebo, aí, a idéia contida de cansaço arfante e da perda de fôlego de quem se exaure pelas ruas da vida urbana. E aqui está o ponto: eu gostaria de saber se “falta” em lugar de “falto” não comunicaria melhor a sua mensagem, já que a “falta de ar”, no caso, seria um infortúnio comum a todas as pessoas aridamente esfalfadas, enquanto “falto de ar” restringe-se tão só à sensação de asfixia que o asfalto sugere.
    Diante da fina acuidade de Bandeira, sem dizer sim ou não, reverenciei as suas observações.

     Naquela tarde de outono, saboreei, com humor e humildade, outras lições do grande poeta, até nos despedirmos.
    Confesso que, na época, não li a nova edição prometida por ele. Semana passada, porém, numa livraria da cidade topei com o livro, reeditado, no ano de 2000, pela Ediouro.  Abri o volume e fui direto às suas páginas finais. Quase me faltou o ar! Embora ausente como Mário de Andrade, Bandeira cumpriu a promessa. Numa espécie de coautoria consentida, ele substituiu “falto” por “falta”, não faltando, assim, com a generosidade maior de sua palavra.

     De fato, Manuel Bandeira encerra a edição definitiva de sua indispensável Apresentação da poesia brasileira não só com a citação daquele verso do meu poema “Migradores”, mas também com a transcrição de um breve texto crítico que o acompanha criativamente”.

    Mário Chamie

     

    [Amanhã, quarta-feira, leia os depoimentos de Lêdo Ivo, Thiago de Mello e Augusto de Campos]

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  5. Flavio Moura aponta para novo olhar sobre Bandeira

    Segunda-feira, 29 junho, 2009, às 12:34

    Desde sua primeira edição, em 2003, a cada ano a Flip homenageia um autor, e vários são os critérios para a escolha. Na estreia, Vinicius de Moraes, o único poeta da lista, que, nos anos seguintes, teve Guimarães Rosa (2004), Clarice Lispector (2005), Jorge Amado (2006), Nelson Rodrigues (2007) e, no centenário se seu nascimento, Machado de Assis (2008), que embora também tenha escrito poesia, tem sua maestria reconhecida em romances e contos.

    Com Manuel Bandeira, um poeta volta a ter seu legado destacado. Flavio Moura, diretor de programação, diz que um dos fatores decisivos para a definição, além da envergadura literária, foi o bom momento para uma compreensão mais profunda da obra de Bandeira, que não se limita apenas à poesia. “O lançamento de sua prosa ajuda a redimensionar a importância desse autor, que também foi um excelente crítico”.

    Moura acredita que, de quebra, os escritos bandeirianos ganharão certa visibilidade também no exterior, já que a Flip tem natureza internacional.

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  6. Remingtons embandeiradas

    Sábado, 27 junho, 2009, às 18:10

    O leitor Sergio Fonseca fotografou a exposição do livro Apresentação da Poesia Brasileira na vitrine da Livraria da Travessa do Leblon (RJ) e gentilmente nos enviou a imagem.

    Por Sergio Fonseca / flip2009.recorte.org

    Por Sergio Fonseca / flip2009.recorte.org

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  7. Remington

    Sexta-feira, 26 junho, 2009, às 18:55

    A Livraria da Travessa usou máquinas de escrever dos anos 50 para enfeitar as pilhas de Apresentação da Poesia Brasileira, de Manuel Bandeira, que exibe em suas lojas.

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