É hoje o bate-papo do escritor Mario Bellatin, destaque na Flip 2009, com João Paulo Cuenca, na Livraria da Travessa do Leblon (Shopping Leblon, R. Afrânio de Melo Franco, 290 – loja 205 A), às 19h30.
Após a conversa, o autor irá autografar seu Flores.

O escritor Joca Reiners Terron conversa com Mario Bellatin na noite de ontem, em lançamento na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (SP). Foto: Mariana Silveira

Ele fala de tudo: literatura, cinema, arte, próteses, processo criativo, inspiração, transpiração, cachorros em altares e congresso de dublês de escritores mexicanos. Foto: Livia Deorsola

Bellatin autografa "Flores", cujo originalíssimo projeto gráfico de Elaine Ramos e Maria Carolina Sampaio desconstruiu a própria ideia de livro. Foto: Mariana Silveira
Uma das presenças mais surpreendentes e marcantes da Flip 2009, encerrada ontem (5/7), Mario Bellatin estará em São Paulo para um bate-papo com o escritor Joca Reines Terron. A noite de autógrafos do livro Flores acontece na Loja de Arte da Livraria Cultura / Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073), às 19h.
Amanhã (7/7), escritor mexicano estará no Rio de Janeiro para o lançamento do livro na Livraria da Travessa do Leblon (Shopping Leblon, R. Afrânio de Melo Franco, 290 – loja 205 A), às 19h30. Desta vez o bate-papo será com João Paulo Cuenca.
Sophie Calle escolheu um trecho de O convidado surpresa (Grégoire Bouillier) para a última mesa da Flip, em que autores falam sobre seus livros preferidos.
Mario Bellatin optou por Prosas apátridas, do peruano Julio Ramón Ribeyro, mesmo autor de Só para fumantes. Abaixo, o trecho selecionado pelo autor de Flores.
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Literatura es afectación. Quien ha escogido para expresarse un medio derivado, la escritura, y no uno natural, la palabra, debe obedecer a las reglas del juego. De allí que toda tentativa para dar la impresión de no ser afectado –monólogo interior, escritura automática, lenguaje coloquial- constituye finalmente una afectación a la segunda potencia. Tanto más afectado que un Proust puede ser un Celine o tanto más que un Borges un Rulfo. Lo que debe evitarse no es la afectación congénita a la escritura sino la retórica que se añade a la afectación.
O Mexicano Mario Bellatin (Flores) e o brasileiro Cristóvão Tezza (O filho eterno) protagonizaram uma das mesas mais elogiadas da Flip 2009: O eu profundo e os outros eus, que tratou dos frágeis limites entre autobiografia e ficção. Por diversas vezes as falas foram interrompidas pelas palmas do público.
Bellatin contou como se inventou como escritor. Quando era totalmente desconhecido, ainda estudante na faculdade, e terminava de escrever o primeiro livro, encomendou uma tiragem baixa e distribuiu pelas ruas oitocentos cupons que davam “desconto na compra do livro do grande escritor Mario Bellatin, a ser lançado no dia tal”. “O lançamento foi um sucesso”.

Joca Reiners Terron, Mario Bellatin e Cristovão Tezza. Foto: Sérgio Fonseca / Recortes.org
“Mario Bellatin foi a descoberta literária da minha vida”, disse Heitor Ferraz, encantado com o livro Salão de beleza, escrito pelo mexicano em 1994. “Nele, Bellatin faz uma incrível relação entre beleza e morte, com muita ironia”, diz o poeta, que mora no bairro paulistano de Perdizes, “onde há um salão de beleza atrás do outro, fato que sempre me chamou a atenção.” Ferraz também citou o livro Jacobo, El mutante, lido em uma viagem à Argentina, como outro ponto alto da literatura de Bellatin. “Ele escreve de forma espetacular, realmente me impressiona”.
A próxima leitura será Flores.
Mario Bellatin deu sua receita para obter bons efeitos a partir de textos ruins. “Quando eu era jovem, me arriscava a escrever poesia, e o resultado era, em geral, ruim. Para que parecessem melhores, lia os versos em português, porque a língua é muito bonita. Assim soavam mais bonitos meus poemas”.
A jornalista Juliana Krapp, do Jornal do Brasil, conversou hoje com o escritor Mario Bellatin, autor convidado da Flip 2009. Durante a entrevista, o mexicano, que já declarou admiração por Machado de Assis, Mário de Andrade, João Gilberto Noll e Glauco Mattoso, falou também sobre Clarice Lispector. “Gosto muito de seus contos, mais do que de seus romances. Me incomodam sobretudo aqueles que tentam recriar a prosa poética de Clarice, como se o que ela escreveu fosse um convite a que todos fizessem o mesmo”, afirmou Bellatin.

Bellatin em Paraty, onde se apresenta nesta sexta-feira, em mesa com Cristovão Tezza
Perguntado pela jornalista sobre a Escola Dinâmica de Escritores, criada por ele no México, o autor de Flores revelou a intenção de transformar as experiências que ali acontecem – lugar onde a regra básica é não escrever – em intervenções em vídeo. “Desta forma o que criamos ali passa a ser ampliado a um grupo de pessoas muito maior do que apenas aquelas trinta que se reúnem na escola”, diz Balletin, que estudou cinema em Cuba.
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