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Homenagem à Manoel Bandeira

Crônicas Inéditas 2
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Apresentação da Poesia Brasileira
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Macbeth, de Sheakspeare
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Mario Bellatin

Flores
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Entrevista

Grégoire Bouillier

O Convidado Supresa
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Angélica Freitas

Rilke Shake
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Poema inédito

Flip Zona

  1. Poemas de Angélica Freitas são música para Vitor Ramil

    Quinta-feira, 2 julho, 2009, às 22:03

    O compositor e escritor Vitor Ramil, autor de Satolep (Cosac Naify, 2008) e convidado da última edição da Flip, é conterrâneo da poeta Angélica Freitas – ambos são de Pelotas. Apesar disso, demoraram a se conhecer. Mas quando isso aconteceu, o resultado não poderia ser mais frutífero: música. Abaixo, Ramil conta um pouco dessa história.

     

    Como você conheceu a Angélica e suas poesias?

    Conheci sua obra em uma visita à Cosac Naify, quando estive em São Paulo, em 2008. Assim que voltei ao hotel, comecei a ler Rilke shake e já gostei. Foi amor à primeira vista, o que não deve ser novidade para ela, pois a poesia da Angélica tem esse poder. Conheci a poeta bem mais tarde, depois de musicar alguns de seus versos.

    O primeiro poema que musiquei foi “Vida aérea”. Depois vieram “r.c.” e “Família vende tudo”, que compus em uma van, na estrada. Depois aquela do violinista, de nome comprido. E, por fim, “Fusca”. Em algumas parcerias adaptamos certas passagens do poema, mas foi coisa pouca.

    Quando ela veio a Pelotas nos encontramos, mais precisamente na praia do Laranjal, onde a mãe dela mora e onde costumo veranear. Nos sentamos no jardim lá de casa e, tomando um mate, apresentei as canções a ela.

    O que mais lhe chamou a atenção na poética da autora?

    Esse refinamento do simples, ou essa simplicidade do refinado, que são sua marca. Além disso, os poemas têm a densidade da poesia e a instantaneidade de letra de música, algo que busco combinar quando escrevo canções. Como não me identificar com eles?

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  2. Amores e chinelos

    Quinta-feira, 2 julho, 2009, às 11:29

    Na conferência de abertura da Flip 2009, o crítico e professor Davi Arrigucci Jr. falou da formação poética de Manuel Bandeira, que tem no alumbramento uma de suas principais forças. Espécie de epifania, ou êxtase diante do sublime “que nos abre para o insondável”, esta emoção diante das coisas miúdas do cotidiano é tomada, na obra bandeiriana, por enorme profundidade, revelando uma capacidade única de colher da vida concreta grandes experiências humanas. “A poesia pode estar nos amores e nos chinelos”, dizia o poeta.

    "Bandeira soube se desligar de um mero sentimentalismo", disse o crítico Davi Arrigucci Jr. na aberura da Flip 2009. Foto: Livia Deorsola

    "Bandeira soube se desligar do mero sentimentalismo", disse o crítico Davi Arrigucci Jr. na abertura da Flip 2009. Fotos: Livia Deorsola

    Arrigucci lembrou que foi no morro do Curvelo, em Santa Teresa, no Rio, que Bandeira exercitou plenamente este olhar sobre as coisas simples e deixou de lado o sentimento de auto-piedade, passando à superação constante frente à morte iminente. “Bandeira poderia ter sido um personagem de Thomas Mann em seu A montanha mágica”, comparou o crítico. Foi dali, do interior de seu quarto, mirando do alto a vida passar pela janela, que, para Arrigucci, estabeleceu-se de vez a estreita relação entre o alto e o baixo, o mundo interior e o exterior que caracteriza toda a poesia de Bandeira.

    Aplaudido de pé, Arrigucci Jr. encerrou suas considerações com breves análises de alguns poemas do autor, como “Momento num café”, “Poema só para Jaime Ovalle”, “Comentário musical” e “Poema do beco”.

    Edson Nery da Fonseca, grande conhecedor da obra de Bandeira e organizador de "Poemas religiosos e alguns libertinos" (Cosac Naify, 2007), foi aplaudido ao entrar na Tenda dos Autores

    Edson Nery da Fonseca, grande conhecedor da obra de Bandeira e organizador de "Poemas religiosos e alguns libertinos" (Cosac Naify, 2007), foi aplaudido ao entrar na Tenda dos Autores para assistir à conferência

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  3. Carlito Azevedo revela do que nos salva a poesia de Angélica Freitas

    Terça-feira, 30 junho, 2009, às 18:31

    Perguntamos ao poeta e editor da editora 7Letras Carlito Azevedo por que ele gosta tanto da poesia de Angélica Freitas. Abaixo, a resposta.

    “A Angélica consegue criar. Já nos primeiros versos de qualquer poema seu, uma atmosfera feliz e profanadora que nos convida a relativizar o gigantismo de certos sentimentos solenes, sagrados, até mórbidos que por muito tempo quiseram, e ainda hoje querem, se fazer passar pela poesia mais autêntica, pela mais sensível forma de se viver um estado poético.

    Com ela não tem autor sagrado (mesmo os que mais admira, como Gertrude Stein), não tem sentimento hierarquicamente superior (ela mesmo já se definiu uma vez como a “patinha sem páthos”), o que tem é a força do poema, nascendo do contato furioso da existência, como uma sonda enviada para investigar todos os sentimentos que ainda não vivemos, como uma transparência através da qual se quer ver as pessoas de agora, na ruas de agora, falando a língua de agora, sentindo os sentimentos de agora.

    Nesse sentido, acho que ela se inscreve numa esplêndida tradição da poesia universal, mas que infelizmente está em baixa no Brasil, apesar de Oswald de Andrade. Que é a tradição da anti-poesia de um Nicanor Parra, o maior poeta chileno do século, de uma Susana Thénon, o segredo mais bem guardado da poesia argentina, e de uma Adília Lopes, a portuguesa mais brasileira desde Carmem Miranda.

    Para os poetas dessa tradição, o poema é a arma mais potente para desmontar as armadilhas que o tempo dispõe à nossa frente o tempo todo. Penso que a armadilha da identidade (sexual, política, nacional etc), que nos quer sempre “idênticos” a nós mesmos, sem possibilidade de metamorfose, é aquela que, até agora, mais mereceu os disparos certeiros da poesia de Angélica”.

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