Sentar e tomar um chá com Angélica Freitas. Este era o convite feito por ela a quem entrasse em seu blog, onde postava poemas, textos, impressões. Foi no espaço virtual que a poeta ganhou muitos leitores antes mesmo de publicar o primeiro livro, Rilke shake, em 2007, pela coleção Ás de Colete da Cosac Naify. A força inovadora de sua poesia não demorou a provocar comparações com nomes como a portuguesa Adília Lopes: por meio de uma língua ferina, ambas exercitam o espírito profanatório com que releem as tradições poéticas que as formaram. Seu estilo também traz algo de Cacaso e Leminski, pelo humor às vezes escrachado que carrega em si uma dimensão trágica, de tristeza, deslocamento e inviabilidade.
Com poemas inéditos, a nova edição de Rilke shake chega neste mês às livrarias e realiza um feito raro entre jovens poetas: uma reedição em tempo recorde, apenas dois anos após o lançamento. Mais um indício de que Angélica Freitas já tem lugar garantido na poesia brasileira contemporânea é o fato do livro figurar entre os finalistas do Prêmio Portugal Telecom de 2008.
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Um dos poemas inéditos, “cruzeiro”, você lê aqui neste blog; “eu durmo comigo”, também inédito, está no caderno de anotações, textos selecionados e serviços que a Cosac Naify preparou para a festa literária. Para ter um, basta procurar nas mesas de conversa de nossos autores.
tenho pavor de festinhas
aparo as arestas das farsa
visto minha roupa nova
mas hoje não saio de casa
[Angélica Freitas, Rilke shake | Cosac Naify, 2ª edição, 2009]
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A minha maladresse
era uma forma de délicatesse
por uma e por outra
perdi a minha vida
maladresse e délicatesse
são nomes de bordados
que uma rapariga faz
na juventude
com aplicação
[Adília Lopes, Antologia | Cosac Naify, 2002]
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