O compositor e escritor Vitor Ramil, autor de Satolep (Cosac Naify, 2008) e convidado da última edição da Flip, é conterrâneo da poeta Angélica Freitas – ambos são de Pelotas. Apesar disso, demoraram a se conhecer. Mas quando isso aconteceu, o resultado não poderia ser mais frutífero: música. Abaixo, Ramil conta um pouco dessa história.
Como você conheceu a Angélica e suas poesias?
Conheci sua obra em uma visita à Cosac Naify, quando estive em São Paulo, em 2008. Assim que voltei ao hotel, comecei a ler Rilke shake e já gostei. Foi amor à primeira vista, o que não deve ser novidade para ela, pois a poesia da Angélica tem esse poder. Conheci a poeta bem mais tarde, depois de musicar alguns de seus versos.
O primeiro poema que musiquei foi “Vida aérea”. Depois vieram “r.c.” e “Família vende tudo”, que compus em uma van, na estrada. Depois aquela do violinista, de nome comprido. E, por fim, “Fusca”. Em algumas parcerias adaptamos certas passagens do poema, mas foi coisa pouca.
Quando ela veio a Pelotas nos encontramos, mais precisamente na praia do Laranjal, onde a mãe dela mora e onde costumo veranear. Nos sentamos no jardim lá de casa e, tomando um mate, apresentei as canções a ela.
O que mais lhe chamou a atenção na poética da autora?
Esse refinamento do simples, ou essa simplicidade do refinado, que são sua marca. Além disso, os poemas têm a densidade da poesia e a instantaneidade de letra de música, algo que busco combinar quando escrevo canções. Como não me identificar com eles?
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