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ILUSTRADOR ANDRÉS SANDOVAL
COMENTA SUA TRAJETÓRIA:
DOS CENÁRIOS DO CASTELO RÁ-TIM-BUM
ATÉ O LANÇAMENTO DO AMAZONAS |
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O ilustrador Andrés
Sandoval foi um dos representantes do Brasil no conceituado Salão
do Livro e Imprensa Infantil e Juvenil em Montreuil, na França,
que realizou sua 21ª edição no final de 2005. Como
parte dos eventos do Ano do Brasil na França, o salão
foi especialmente voltado para a literatura infanto-juvenil brasileira.
Andrés possui uma série de trabalhos publicados,
incluindo diversos títulos da Cosac Naify. Amazonas
- no coração encantado da floresta (2003),
o primeiro livro que ilustrou, teve uma edição francesa
em 2005. Em sua passagem pela França, foi convidado pelo
jornal Le Monde para realizar todas ilustrações
do suplemento especial sobre o Salão de Montreuil. Formado
em arquitetura e urbanismo pela USP, Andrés nasceu no Chile,
em 1973, e veio para o Brasil em 1976.
Conheça a trajetória do ilustrador e detalhes de
sua passagem pelo salão francês. |

Como você
se tornou ilustrador de livros?
Depois que saí da faculdade de arquitetura comecei trabalhando
com cenário para cinema, fazia os desenhos técnicos e
às vezes podia dar palpites na direção de arte.
Preparava as plantas e cortes bem detalhados com todos os objetos de
cena, tecidos e pinturas, me realizei como arquiteto. Inventei tanta
coluna e cúpula maluca! Muita coisa era resolvida enquanto o
cenário ia ficando de pé. É um trabalho muito exaustivo,
com centenas de detalhes, mas muito gratificante. Especialmente pelo
fato de ser realizado em equipe. Muitos desses desenhos foram publicados
numa exposição do Castelo Rá-tim-bum no
SESC Belenzinho, em 99.
Entre um filme e outro, porque estes projetos duram apenas quatro meses,
comecei a ilustrar livros. Na faculdade, nunca pensei em trabalhar com
ilustração, imaginava trabalhar como cenógrafo.
Me formei com uma série de desenhos editados de meus cadernos
de viagens em São Paulo, que eu mesmo preparei. Acho que, por
causa da minha formação, ainda hoje me interesso pelo
espaço do livro. Me fascina como as páginas saem umas
embaixo da outras, como ele é circular, como as capas são
portas, as guardas que vão descortinando um miolo. Adoro investigar
e desenhar nessa direção.
Um dos primeiros livros que fiz foi na Cosac Naify, O mundo de cabeça
para baixo, do Rodrigo Montoya. Por volta de 2002 eu estava trabalhando
exclusivamente com desenho. Conhecer o trabalho do Odilon Moraes foi
muito importante nos meus primeiros projetos, trabalhei até como
colorista para ele. Hoje em dia meu trabalho é quase sempre solitário.
Fazer livro também é coletivo, mas não tem o corpo
a corpo do cinema.
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Como foi participar
do Salão do Livro
e Imprensa Juvenil
em Montreuil, na França? O
Salão do Livro de Montreuil é bem pequeno mas muito
dinâmico, com muitas atividades. Nunca vi tanta criança
junta na minha vida! Eu tinha uma agenda bem cheia, com oficinas
de desenho, debates sobre ilustração, encontros com
editores e público em geral. Para as oficinas de desenho
preparei uma série de sessenta pequenos carimbos com desenhos
abstratos feitos por mim. O trabalho consistia em criar composições
livres. De fato, o mais interessante é ver a aproximação
de cada criança com os carimbos. Algumas pensam demais, escolhem
as cores, ficam um tempão pra decidir pelo carimbo certo,
outras são bastante subversivas, usam até a própria
almofada como um recurso gráfico. Tem de tudo, é muito
bom! Eu fico só aprendendo, tentando dar o máximo
de abertura possível para elas e com o maior respeito.
Pegando metrô para o salão e passeando nas horas vagas
por Paris, conheci de perto a Ângela Lago, o Roger Mello,
a Graça Lima e o Gilles Eduar - ilustradores que admiro muito.
Foi um grande aprendizado para mim, começamos projetos malucos
que ainda vão sair por aí! Saímos até
pra desenhar no Jardin des Plantes. |
Como você
participou da edição francesa
de Amazonas - no coração encantado da floresta?
Participei pouco na edição francesa do livro, pois tudo
foi intermediado pelo editorial da Cosac Naify. Acompanhei de longe
as propostas de capa, o cartaz, a ambientação da editora
no Salão, que foi feita com um dos desenhos do livro.
O fato de as ilustrações terem saído com a mesma
qualidade gráfica da edição brasileira me deixou
bem feliz.
Quais técnicas
de ilustração você utilizou
para elaborar os desenhos do livro?
O processo de trabalho em Amazonas foi muito legal. A participação
da Elaine Ramos, hoje diretora de arte, e da Cristine Röhrig, editora
infantil em 2003, foi fundamental! Elas acompanharam meu trabalho como
ninguém, fazendo-me notar o que os desenhos tinham de melhor
etc. Um grande aprendizado. Para esse livro se abriu um espaço
de crítica dentro da própria editora! Coisa difícil
hoje no mercado editorial de São Paulo.
Os desenhos foram feitos com guache sobre papel cartão colorido.
Produzi cadernos de anotações, neles desenhava as possibilidades
de ilustração, esboçava as composições
de página, colava recortes e fotos. Estes cadernos surgiram simultaneamente
aos desenhos feitos para o livro. Neles vou resolvendo o conjunto todo,
as seqüências de imagens, a narrativa. A cada projeto abro
um novo caderno.
Nos desenhos finais evitei fazer esboços à lápis,
desenhei direto com o pincel para dar mais vigor à ilustração,
e o problema foi ter de fazer quase quatro vezes cada desenho... O material
todo foi e voltou várias vezes para o editor de arte, para pensarmos
a diagramação, a capa.
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