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"Tento contar
uma história
legal e simples"

 

Leia a entrevista que o criador da coleção Clifford, o cachorrão vermelho concedeu especialmente ao site da Cosac Naify. Norman Bridwell, autor e ilustrador de mais de oitenta livros para crianças, revela diversas curiosidades sobre o maior cachorro do mundo!

Quando você descobriu que queria ser um artista?
Eu sempre brinquei com a arte. Depois do colégio, quando eu tinha 17 ou 18 anos, minha mãe perguntou para qual universidade eu gostaria de ir, e eu disse que queria ir para uma escola de artes.

Como você desenvolveu as suas habilidades artísticas?
Eu freqüentei a escola de artes durante quatro anos. Depois trabalhei com todo tipo de trabalho que envolvesse arte: desenhei tecidos para gravata e fiz fotolitos.

Como é o trabalho de um autor de livros para crianças?
Você tenta imaginar o que passa pela cabeça de seus jovens leitores quando planeja seus livros?

Não. Eu apenas tento pensar no que poderia ser uma situação engraçada. Depois visualizo a cena e tento deixar o sentido da brincadeira o mais claro possível. Tento contar uma história legal e simples.

Quais eram os seus livros preferidos durante a infância?
Eu gostava dos livros de Oz, de L. Frank Baum (1856-1919), e das Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi (1826-90).

Quais são os seus autores preferidos hoje?
Eles influenciaram seu trabalho de algum modo?

Meu primeiro editor sugeriu que eu não lesse muitos livros infantis, para evitar que eles me influenciassem. Dito isto, eu gosto muito de Jane Yolen (1939 -) e de Alice (1918-) e Martin Provensen (1916-1987). E de Richard Scarry (1919-94): adoro as suas estórias de animaizinhos. As ilustrações são espetaculares. Meu filho Tim adorava esses livros.

Como as crianças reagem aos seus livros?
Você tem bastante contato com os seus leitores?

Eu tinha quando visitava as escolas. Até hoje, quando faço sessões de autógrafo, vejo um monte de crianças. Fico muito contente quando vejo uma criança reagir ao livro com sorrisos e entusiasmo. Alguns dos meus primeiros leitores agora têm mais de quarenta anos. Quando estive no hospital, dois dos médicos que me atenderam eram leitores da coleção Clifford.

De onde você tira as idéias para os livros do Clifford?
No começo, eu pensava nas coisas comuns que as crianças esperam de seus cães – como aprender truques ou seguir o dono até a loja. Clifford fazia as mesmas coisas que qualquer outro cachorro. Em um certo momento, começamos a fazer livros sobre as férias, então pensamos em situações de férias.

Quanto a Clifford, o filhotinho vermelho, as crianças me perguntavam de onde o Clifford vinha, e eu precisei pensar sobre isso. Ele tinha que ser o único cachorrão do mundo, então não podia ter mãe, pai, irmãos e irmãs gigantes.

Quanto de comida o Clifford costuma comer?
Cerca de dez sacos grandes de ração para cachorro e duas latinhas como petisco para depois do jantar.

Como Emily Elisabeth limpa o cocô do Clifford quando eles passeiam?
Com uma pá enorme!

Por ser um cachorro tão grande – e um pouco desastrado –
como Clifford faz para não se machucar,
como no caso do livro O cachorro bombeiro?
Ele está em boa forma. Se exercita bastante e seus músculos são muito fortes.

Como o Clifford foi educado?
Foi muito difícil, por causa de seu tamanho?
Não, ele não teve grandes dificuldades em aprender bons modos porque Emily queria muito que ele os aprendesse, e ele queria agradá-la, então se esforçou bastante.

Assim como no livro Clifford e os vizinhos rabugentos,
o tamanho gigante e desengonçado já trouxe inimigos ao Clifford?
Algumas pessoas não o entendem no começo. Mas os que se aborrecem com ele logo aprendem a amá-lo.

Quem é o veterinário do Clifford?
Ele costuma tomar todas as vacinas, como os outros cachorros?
O Clifford vai sempre ao seu veterinário preferido. Não quero revelar seu nome porque ele já tem toda a fama de que precisa. Mas o Clifford se cuida direitinho. Sempre que ele não se sente bem, vai ao médico.

O Clifford é um cachorro único. Será que algum dia
ele irá encontrar uma namorada de seu tamanho?
Até agora, o Clifford não encontrou uma namorada “à sua altura”. Não sabemos ainda se existe outro cachorro tão grande no mundo.