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Um fio
de lã vermelha conduz os acontecimentos da vida de um menino até
a idade adulta. Ao longo da jornada, descobertas, perdas e esperanças
são representadas pelos delicados traços do ilustrador Serge Bloch
que acompanham as palavras de Davide Cali, autor de Fico à
espera...
Francês, nascido em 1956, Bloch foi aluno do famoso desenhista e caricaturista Claude Lapointe e já colaborou com importantes jornais, como The New York Times, Washington Post e Chicago Tribune. Por seus desenhos em livros infantis, recebeu a Medalha de Ouro da Society of Illustrators (EUA).
Bloch fala, na entrevista a seguir, sobre o "fio da vida" e sobre os caminhos aos quais ele nos leva, como foi o caso do ilustrador ao se deparar com este texto de Cali: "Senti imediatamente que era UM LIVRO". |

Foto Eric Durand |
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Serge Bloch |
Como surgiu a idéia do fio de lã como condutor da narrativa? Houve alguma razão especial para a escolha da cor vermelha?
Eu tive essa idéia no avião, indo de Paris (França) para Montreal (Canadá). Eu procurava o "fio da meada" [em francês le fil rouge, "o fio vermelho"] - uma expressão que quer dizer uma boa idéia para conduzir a história - para criar um livro, já que o texto era bem curto. E dizendo isso para mim mesmo, vi que a idéia estava aí. A metáfora do "fio da vida" caía bem com o texto. Os três parques da ilustração também desfiam e cortam o fio da vida.
Produzir o livro em forma de carta alude ao prazer da espera: espera-se, com ansiedade, que a carta chegue. Como foi fazer esta opção, em tempos de e-mail, algo tão instantâneo?
O formato alongado permite uma composição com o fio. Tudo caminha no mesmo sentido, o sentido da vida que se desenrola...
O personagem principal da história está sempre à espera de algo e assim sua vida se desenrola. Você acha que o livro ajuda as crianças a pensarem sobre as expectativas da vida?
Eu espero que sim. Elas já podem refletir um pouco sobre a vida que se desdobra, e sobre suas famílias como uma história que se segue: avós, pais, crianças...
Você optou pela simplicidade nos traços, feitos em preto e branco, apenas com o destaque da linha, em vermelho. Ao mesmo tempo, as ilustrações transmitem a densidade dos sentimentos revelados no texto, como a perda e a esperança. Como trabalhou para alcançar este resultado?
Os norte-americanos dizem: Simpler is stronger. Quanto mais simples, mais forte. Eu acredito nisso, e penso que a simplicidade é uma forma leve de falar sobre assuntos pesados, como a morte.
Como se deu esta parceria para a elaboração de Fico à espera...? Qual foram as impressões que teve ao ler o texto pela primeira vez?
Senti imediatamente que era UM LIVRO. Não tenho, com muita freqüência, este sentimento quando leio um manuscrito. Normalmente, penso: "Mais um livro? Por que publicá-lo?". Isto não aconteceu quando li o texto de Davide. Nunca tinha trabalhado com ele, mas seguia os livros dele à distância. Ele mora em Gênova, na Itália, e na época eu morava em Paris.
Entre uma página e outra, há trechos da vida do personagem que são apenas sugeridos, o leitor deve imaginá-los. Dessa forma, a história da vida do personagem pode se transformar na história particular de cada um de nós...
Foi intuitivo, provavelmente...
Quais as principais diferenças ao desenhar para adultos e crianças?
Não há diferenças. Para mim, trata-se da mesma vontade de tocar o leitor, de surpreendê-lo, qualquer que seja a sua idade.