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| Detalhe do prospecto dos 8 livros da Bauhaus, feito por Moholy-Nagy em 1927 |
A ESCOLA DE DESIGN MAIS INFLUENTE DO SÉCULO XX GANHA EDIÇÃO NO ANO EM QUE COMEMORA 90 ANOS DE EXISTÊNCIA
Livro oferece análises da Bauhaus sob diferentes pontos de vista: dos principais elementos visuais criados pela escola até a psicologia
*Por André Stolarski
Complementando a coleção de obras referenciais sobre design gráfico iniciada há cinco anos, a Cosac Naify lança um dos volumes críticos mais importantes e polêmicos sobre a herança visual da Bauhaus, organizado e projetado pelos renomados críticos e designers norte-americanos Ellen Lupton e J. Abbott Miller: ABC da Bauhaus: a Bauhaus e a teoria do design. Este é o quarto lançamento da autora no país, depois de Pensar com tipos (2006), Novos fundamentos do design (2008) e Eu que fiz (2008),todos editados pela Cosac Naify.
A Bauhaus foi a escola de design mais influente do século XX, não apenas por haver congregado professores, alunos e trabalhos igualmente influentes, mas sobretudo por ter proposto e discutido alguns dos princípios que acabaram por confundir-se com a própria definição da atividade.
Um dos principais motivos dessa influência é a qualidade do trabalho desenvolvido por seus professores. Ícones como Wassily Kandinsky, Paul Klee, Josef Albers, Herbert Bayer, Laszló Moholy-Nagy e Max Bill conseguiram equilibrar a produção pessoal de obras de grande relevância com uma vigorosa atividade pedagógica e teórica. Seus escritos e métodos, que tiveram grande importância na formação de uma disciplina do design na Europa, ganharam força ainda maior com a expressiva migração de diversos professores da escola para os Estados Unidos e com a fundação da Nova Bauhaus em Chicago, infiltrando-se em inúmeros currículos de escolas de design e arquitetura a partir de meados do século passado.
Esta coletânea de ensaios investiga a construção e a validade de um dos principais pilares teóricos do ensino da Bauhaus: a noção de linguagem visual. Partindo de uma pesquisa realizada dentro da escola em 1923, Kandinsky destilou e combinou a essência das formas e cores do mundo numa sentença básica poderosa – triângulo amarelo, quadrado vermelho e círculo azul –, iniciando a construção de uma verdadeira gramática visual que, a seu ver, seria muito mais poderosa, rápida e direta do que a verbal. As enormes consequências dessa formulação podem ser sentidas até hoje nos trabalhos de um sem-número de artistas, designers e arquitetos.
Da mesma forma, as análises contidas neste volume assumem diversos pontos de vista. O designer e teórico J. Abbott Miller mergulha na história da educação para mostrar a enorme influência do movimento alemão do Jardim da Infância (Kindergarten) nos princípios elaborados pela Bauhaus. Ellen Lupton, uma das teóricas mais ativas e reconhecidas do cenário norte-americano atual, examina criticamente os principais elementos do “dicionário visual” criado pela escola, questionando sua neutralidade e seu afastamento da linguagem verbal. Tori Egherman delineia, de forma breve e intensa, o panorama caótico da República de Weimar, mostrando que o ímpeto espiritualista que animou as utopias dos líderes da Bauhaus foi o mesmo que levou os nazistas ao poder. Mike Mills estuda o tipo universal de Herbert Bayer em seu contexto histórico, pondo em xeque as qualidades universais e atemporais tanto do tipo
quanto da geometria pura que o apoia. Encerrando essa sequência histórica, J. Abbot Miller e Ellen Lupton submetem o mesmo teste aplicado por Kandinsky a designers, historiadores, teóricos e escritores da atualidade.
Abrindo-se de forma saudável e consistente ao diálogo com outras disciplinas, esse pequeno volume dedica seus últimos ensaios à psicologia, à física e à matemática. Julia Reinhard Lupton e Kenneth Reinhard partem do teste psicológico de Kandinsky para investigar os significados do triângulo, círculo e quadrado nas teorias de Freud e Lacan. Em dois ensaios, Alan Wolf mostra que o desenvolvimento da física (com o estudo de múltiplas dimensões) e da matemática (com a introdução da geometria fractal) relativizou o caráter ontológico essencial das formas bidimensionais básicas
aclamadas pela Bauhaus.
Publicado em 1991 para acompanhar a exposição O ABC do [triângulo quadrado
círculo]: a Bauhaus e a teoria do design da pré-escola ao pós-modernismo, este livro
foi e é até hoje uma das principais obras críticas sobre a escola, tendo aberto caminho para a revisão de diversos conceitos e práticas profissionais tantas vezes tidos
como naturais.
Outro ponto alto do livro é o seu projeto gráfico. Tratando pesquisa, escrita e conteúdo com o mesmo cuidado, Ellen Lupton, J. Abbott Miller e Mike Mills produziram verdadeiros ensaios visuais, demonstrando na prática que, em termos da relação entre linguagem visual e verbal, o diálogo é sempre mais interessante que a autonomia.
SAIBA MAIS SOBRE ELLEN LUPTON E J. ABBOTT MILLER
• Leia entrevista com Ellen Lupton sobre Novos fundamentos do design e Eu que fiz
DESIGN NA COSAC NAIFY
O mundo codificado, de Vilém Flusser
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