autores assuntos  
     
   


EXPOSIÇÕES

Acompanhe a agenda dos artistas
do catálogo da Cosac Naify


OUTRAS NOTÍCIAS

LÉVI-STRAUSS CEM ANOS: a vida e a obra do maior pensador vivo do planeta. Ensaio inédito será lançado em dezembro


Três títulos Cosac Naify conquistam Prêmio de Excelência Gráfica Fernando Pini


Cosac Naify participa do 3º Espaço Contemporão Beco da arte

O livro inclinado, de Peter Newell: vanguarda da literatura infantil


Centenário de Lévi-Strauss é comemorado com ciclo de debates; veja calendário


Álvaro Siza, Iberê Camargo e tour virtual pela Fundação: assista a vídeos


Acervos de bibliotecas escolares em todo o país receberão 17 títulos Cosac Naify


 

Mais vendidos de outubro

 
 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

O Africano
J.M.G Le Clézio
Novos fundamentos do design
Ellen Lupton
Pensar com tipos
Ellen Lupton
Eu que fiz

Ellen Lupton
Mutações
Liv Ullman
O design brasileiro antes do design
Rafael Cardoso (org.)
Grid: construção e desconstrução
Timothy Samara
Elementos do estilo tipográfico
Robert Bringhurst
Satolep
Vitor Ramil
Papiers à la mode
Isabelle de Borchgrave e Rita Brown

 
 
NOTÍCIAS
Foto de Herbert Matter
Alexander Calder, em 1936.

CALDER NO BRASIL

por Paulo Venancio Filho

Calder sambava. Pois é, poucos, muito poucos sabem da longa relação do maior escultor moderno americano com o Brasil. Agora, toda a peripécia brasileira de Calder está disponível em detalhes no livro Calder no Brasil.

Possivelmente, o Brasil foi, depois da França, o país com o qual o artista mais esteve próximo ao longo da vida. Foi uma relação de mais de três décadas. Calder não foi um visitante acidental ou circunstancial: quis vir ao Brasil. Pode-se dizer que a convivência de Calder se deu dentro do espírito da informalidade e cordialidade brasileiras. Aqui esteve em três ocasiões, em 1948, 1959 e 1960; aqui expôs não uma só, mas várias vezes.

Também aqui tinha grandes amigos. Quando retornou aos Estados Unidos ficaram famosas as samba parties que dava na sua casa-ateliê em Roxbury. Na sua autobigrafia publicada em 1966, Calder, an autobiography with picures, os nomes vão aparecendo: Henrique Mindlin, [Lucio] Costa, [Jorge] Moreira, [Oscar] Niemeyer, Getúlio [Vargas], [Mário] Pedrosa, Lota Macedo Soares, Henrique Lage, [Assis] Chateubriand, Rino Levi, Heitor dos Prazeres, entre outros.

Aqui no Brasil, Calder incorporou a figa às jóias que criava; conheceu os instrumentos musicais brasileiros, matracas, chocalhos e tamborins, que mais tarde refez a sua maneira; viu a arquitetura moderna brasileira que surgia naquele momento; deixou-se cativar pelo ritmo do samba: “O samba que eles tocam aqui me conquistou completamente.” É, portanto, um significativo capítulo da vida do artista e da vida artística brasileira que Calder no Brasil vem revelar.

 

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO E LANÇAMENTO
DO LIVRO

Sábado, 26 de agosto,
das 11h00 às 14h00.
Pinacoteca do Estado
São Paulo
Praça da Luz, 2 – Tel (11) 3299-9844


Veja ficha técnica e link para compra neste site

Alexander Calder ou Sandy, para os amigos, nasceu em 1898 num então subúrbio da Filadélfia e morreu em 1976 em Nova York. Veio ao Brasil em 1948, 1959 e 1960. Estava então um pouco além da metade da sua vida e era já um artista consagrado na Europa e nos Estados Unidos. Ao contrário de muitos, suas estadias nada tiveram das tradicionais visitas oficiais, nem daquela permanência fortuita do estrangeiro desconhecido. Calder já era o famoso inventor daquele tipo de escultura inédita que obrigou Marcel Duchamp a criar um nome que desde então permanece como a marca de seu trabalho: móbile. Nome semântica e sonoramente perfeito para aquelas estruturas de arame, de placas de ferro pintadas suspensas, desprendida dos atributos tradicionais da escultura como peso, massa e volume; leves e flutuantes, oscilando levemente ao sabor do toque ou do vento, que logo se tornaria um dos clássicos da arte do século XX.


Tela sem título conhecida como Composição com fundo amarelo e vermelho, c. 1946

Não é por acaso que a obra de Calder tenha chegado aqui no momento que chegou. Não há coincidência também, existe uma afinidade intrínseca no espírito otimista da obra de Calder e a vida brasileira da época. Calder veio pela primeira vez em 1948 para expor no MEC, então recém-inaugurado, o primeiro prédio moderno das Américas, e em São Paulo no MASP. Se os pilotis, a fachada envidraçada, o terraço-jardim, do projeto do MEC, pretendiam dissolver a massa do edifício, deixá-lo transparente e livre ao nível do solo, então nada mais adequado que a companhia das esculturas suspensas e aéreas de Calder.

A primeira presença da obra do escultor no Brasil foi em 1939, num Salão de Maio em São Paulo. Culpa, muito provável, suspeita-se, de Flávio de Carvalho, um dos promotores da mostra. Presença não circunstancial como mostra um texto anônimo, mas esclarecido, publicado por ocasião do Salão, que avisa logo de quem se trata o escultor norte-americano: “o genial Alexander Calder, um dos maiores arquitetos yankees e que se notabilizou por ter sido o criador da chamada ‘escultura móvel”. Portanto, o público paulista, teve contato com a obra de Calder antes da grande exposição retrospectiva que se realizou no Museu de Arte Moderna de Nova York em 1943 - o mais jovem artista até então a ter uma retrospectiva no MoMA.

Esta exposição teve o sucesso popular de um filme de Walt Disney. Pois afinal não há em Calder também algo da alegria ingênua e simples, casta e sensual, do humor saudável dos filmes de Disney? Fala-se, com razão, no sentido democrático da obra de Calder; obra que atrai a todos sem distinção de idade, sexo ou classe social. Nisso ela encontrou tanto admiradores como detratores. Foi na retrospectiva do MoMA que um de seus grandes admiradores, o maior deles entre os brasileiros, Mário Pedrosa, teve “uma revelação”. E daí surgiu seu primeiro – o primeiro de muitos – ensaio sobre o artista: “Calder, escultor de cataventos”. Logo depois, em 1944, os dois se conheceriam e estabeleceriam uma amizade que duraria até a morte de Calder em 1976.

É claro que sendo o que era, abstrata, aparentemente fácil e imediata, tal obra não poderia agradar a um Portinari e Di Cavalcanti, que dominavam as artes plásticas brasileiras de então. Para muitos a simplicidade bem humorada da obra de Calder era acusada de “empulhação” , como disse Portinari. Sem saber, Calder veio cair no meio da nossa provinciana e acirrada discussão entre realismo e abstração que dividia os artistas brasileiros da época. Daí se compreende o interesse especial que Calder despertou nos arquitetos modernos brasileiros – afastados dessa ociosa polêmica – pela inventividade plástica e espacial de suas esculturas, de tal modo que chegou a discutir com Niemeyer a possibilidade de uma escultura para Brasília, infelizmente nunca realizada.

Os textos reunidos em Calder no Brasil mostram a amplitude de todos os que foram tocados pela obra do escultor: de Carlos Drummond de Andrade a Pietro Maria Bardi, de Fernando Sabino a Sergio Milliet, de Rubem Braga a Henrique Mindlin e Ferreira Gullar. Mas acima de todos estes está a presença atenta, de mais de três décadas, de Mário Pedrosa – o primeiro ensaio sobre o escultor data de 1944, o último de 1975. Possivelmente nenhum outro crítico de arte escreveu mais sobre Calder do que Pedrosa. Por aí, percebe-se então que a vivência brasileira de Calder não foi pouca e superficial.

Calder no Brasil é um documento excepcional, cuidadosamente organizado por Roberta Saraiva, que incluiu todos os ensaios de Mario Pedrosa dedicados ao artista, os textos de seus vários amigos e admiradores brasileiros, amplamente ilustrado com fotografias da época e ainda com os trechos da autobiografia de Calder dedicados ao Brasil. É um livro que vai surpreender àqueles que desconheciam este capítulo da vida e obra desse grande artista moderno e de um momento decisivo da modernidade brasileira a qual ele se entregou jovialmente a ponto de afirmar: “Sinto-me vinte anos mais jovem desde que cheguei aqui.”

LEIA TRECHOS DO LIVRO CALDER NO BRASIL

"Um móbile: uma pequena festa local, um objeto definido por seu movimento e que não existe fora deste, uma flor que murcha tão logo se detém, um puro jogo de movimento como há puros jogos de luz. Por vezes, Calder se diverte imitando uma nova forma: ele me presenteou com uma ave-do-paraíso com asas de ferro; basta um pouco de ar quente que a toque de leve ao escapar pela janela: a ave se estica tilintando, se pavoneia, balança a cabeça encristada, joga e oscila, e depois, subitamente, como se obedecesse a um sinal invisível, gira lentamente sobre si mesma, de asas bem abertas. Mas, na maior parte do tempo, Calder não imita nada, e não conheço arte menos mentirosa que a sua. A escultura sugere o movimento, a pintura sugere a profundidade ou a luz. Calder não sugere nada: captura verdadeiros movimentos vivos e lhes dá forma. Seus móbiles não significam nada, não remetem a nada além de si mesmos: eles são, e isso é tudo; são absolutos."
Jean-Paul Sartre em Os móbiles de Calder

"Em ninguém mais que em Calder, e nisso talvez tenha sido o mais fiel dos construtivistas, a linha divisória entre a criação artística e o desenho industrial é menos marcada. Sua arte não tem inibição alguma em recorrer aos princípios da engenharia e do desenho industrial. Surripia, sem a menor cerimônia, não só os materiais mas até os instrumentos e os processos da mecânica para exprimir-se. E ele lança mão de rodas, engrenagens, alavancas, hastes, êmbolos, chapas de metal, vidro, arame, com perfeita desenvoltura. Ninguém já fez uso dessas aquisições, no domínio das artes plásticas, com mais espontaneidade, viço e imaginação do que ele. E sem o menor vestígio de intencionalismo doutrinário ou preocupação de escola. Por isso mesmo, seu ateliê já não é um ateliê, mas uma oficina conjunta de ferreiro, marceneiro, fiandeiro, mecânico, serralheiro, soldador, o diabo."
Mario Pedrosa em A máquina, Léger, Calder e outros

" A arte de Calder, na aparência tão simples (dir-se-iam brinquedos de criança) é, na realidade, a mais ambiciosa possível. Partindo da abstração e suas especulações estéticas, ele procura chegar a uma modalidade de expressão artística, emancipada do plano liso da pintura e do jogo de volumes da escultura, embora tirando a cada uma dessas artes elementos que lhes são substanciais. Ora, não parece possível ao espírito conceber uma forma nova que não caiba dentro das formas imemoriais, classificadas pelos sentidos antes de o serem pela inteligência. Resulta daí que o esforço da criação se frustra, na própria insolubilidade do problema. E o pintor que há em Calder, como o escultor que há nele, se demitem em proveito de um terceiro artista que não pode existir, porque disporia de outro aparelhamento que não o humano. "
Carlos Drummond de Andrade em Ver e contar exposições

"Sim, essas coisas de Calder parecem pássaros, quem sabe são capazes de comer alpiste, talvez num sábado de tarde, se a amada de olhos de luz nos visitar, quem sabe, cantem ˜ acredito que possam cantar como estranhos canários. Também falei em brinquedos, e mantenho: Calder faz brinquedos que produzem alegria. Isso não quer dizer que não sejam coisas sérias; são coisas sérias, e, se vocês quiserem chamar de escultura, chamem; hoje em dia qualquer folha entortada de lata é escultura, que dirá Calder. Ah, esses silenciosos instrumentos de música de Alexander Ragtime Band Calder, que destilam a melodia dos espaços, cheios de graça e de uma preguiçosa poesia..."
Rubem Braga em Calder

TÍTULOS DA PARCERIA COSAC NAIFY/ PINACOTECA DO ESTADO

Ir até aqui – gravuras e fotografias de Marco Buti, Alberto Martins (org.);
Notas de viagem - Thomaz Farkas, Rubens Fernandes Junior e outros;
A vulnerabilidade do ser - Claudia Andujar, Alvaro Machado e outros.

PRÓXIMO LANÇAMENTO

Paulo Pasta – pinturas, Tadeu Chiarelli (org.)

VOLTAR A NOTÍCIAS