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Foto: Acervo de Lygia
Fagundes Telles |
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| Paulo Emílio e Lygia Fagundes Telles
(Paris, 1970) |
MACHADO DE ASSIS REVISITADO
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Clássico machadiano na visão de Lygia
Fagundes Telles e Paulo Emílio
Mais de cem anos após sua primeira edição,
Dom Casmurro continua cativando leitores no Brasil
e mundo afora. A obra-prima de Machado de Assis tem a capacidade
de suscitar ao longo do tempo interpretações
variadas, contrastantes e até mesmo opostas, um atestado
de qualidade literária atribuído somente à
grande arte.
Depois de Três
mulheres de três PPPês e do inédito
Cemitério,
a reedição da obra completa de Paulo Emílio
Sales Gomes prossegue pela Cosac Naify com a publicação
de Capitu,
escrito a quatro mãos por ele e Lygia Fagundes Telles.
O texto foi o vencedor do Prêmio Candango, no Festival
de Brasília de 1969, como melhor roteiro cinematográfico.
Em Capitu, texto recuperado após anos nos
arquivos da Cinemateca Brasileira, o casal assumiu o desafio
de transpor o livro do Bruxo do Cosme Velho para um roteiro
de cinema.
No posfácio, com o tom caloroso de tantos de seus textos,
Lygia Fagundes Telles rememora as circunstâncias da
época em que foi redigida sua primeira e única
parceria com Paulo Emílio, sob uma ditadura militar
que já se encaminhava para os anos de chumbo do pós-AI-5:
"Foram longas, sim, as labirínticas conversas
sobre os caminhos e descaminhos da aventura, conversas que
podiam ser divertidas ou turbulentas. Ásperas ou calmas
mas sempre tão empenhadas, ô, Deus!, a obstinada
vontade de acertar. E as dúvidas, tantas que o simples
clima da exposição de idéias chegava
a ter nas madrugadas murmurejantes (varávamos a noite)
um certo toque de conspiração", relembra
a escritora.
A experiência do roteiro a quatro mãos teve
desdobramentos, como revela o apêndice especialmente
preparado para a presente edição, que recupera
dentre os papéis de Paulo Emílio depositados
na Cinemateca Brasileira os esquemas de dois cursos oferecidos
a alunos de pós-graduação na Universidade
de São Paulo. "Dom Casmurro e o cinema",
em 1974, e "Machado de Assis no cinema", em 1975.
Ambos com um foco particularmente interessado num dos grandes
temas do romance: os olhos.
O crítico possuía várias edições
da obra em sua biblioteca, a mais antiga datando de 1950.
Como nota Augusto Massi no apêndice da edição,
"embora efetivamente não tenha nos deixado um
ensaio sobre Dom Casmurro, podemos entrever neste conjunto
de anotações um esquema para compreender Machado
de Assis. Mais: sete anos depois, a paixão de Paulo
Emílio por Dom Casmurro continuava acesa".
LANÇAMENTO
Terça-feira, 9 de setembro de 2008, às 18h30
Petit Trianon
Academia Brasileira de Letras
Av. Presidente Wilson, 203, Castelo - Rio de Janeiro (RJ)
Tel (21) 3974-2500
www.academia.org.br
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Cemitério
Três
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