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Imagem: Lipnitzki/Roger-Vopllet
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CHANEL E SEUS CONTEMPORÂNEOS, CRIADORES
DE UMA ÉPOCA
Durante os quase cinqüenta anos em que reinou sobre
o mundo da moda, Gabrielle Chanel (1883-1971) conviveu com
artistas, escritores e pensadores que marcaram o século
XX; muitos deles dedicavam
a ela intensa admiração e compartilharam sua
amizade, conforme nos conta Edmond Charles-Roux no livro A
era Chanel, sobre a vida e a obra da maior costureira
do século. Responsáveis por mudanças
de rumo na moda, no cinema, na arquitetura e em outras artes,
este privilegiado círculo representa o espírito
de uma época que influenciou suas criações
e a trajetória de sua carreira.
É o caso do artista Pablo Picasso (1881-1973), ao
lado de quem Chanel trabalhou num mesmo projeto, no final
de 1922. Ela assinou o figurino de Antígone,
de Sófocles - uma adaptação livre de
Jean Cocteau -, cujo cenário foi criado por Picasso.Trata-se
do primeiro trabalho de Chanel para o teatro, a convite do
diretor Charles Dullin. Embora já um artista revolucionário,
Picasso viu as máscaras criadas por ele para os atores
serem comparadas pejorativamente pela imprensa da época
a "uma vitrine de Carnaval". Somente o figurino
de Chanel recebeu elogios. (Sobre o pintor espanhol, a Cosac
Naify publicou A
unidade da arte de Picasso, 2002)
Em outra passagem, a história de Chanel revela sua
aproximação com Luchino Visconti. Acostumada
a causar encanto no público masculino, ela surtiu efeito
semelhante sobre o jovem, rico e desconhecido italiano, oriundo
de Milão. Na ocasião, ano de 1936, Jean Renoir
preparava seu filme Les Bas-fonds, baseado na peça
de Maksim Górki (a Cosac Naify acaba de publicar a
trilogia
autobiográfica do autor russo). Chanel conseguiu
convencê-lo a receber Visconti, que acompanharia as
filmagens. Mais tarde, Renoir nomeou-o seu assistente, abrindo
assim as portas para o futuro do diretor de O estrangeiro
(1967) e Morte em Veneza (1971).
A criação de uma das peças mais célebres
de Chanel, o vestido "pretinho básico", símbolo
de elegância no mundo inteiro, está relacionada
com o que o arquiteto Le Corbusier (veja A
viagem do oriente, Cosac Naify, 2007, escrito por
ele) intitulou "maratona internacional das artes da casa",
ou seja, a Exposição das Artes Decorativas,
realizada em 1925, em que o preto era a coqueluche do momento,
sobretudo na decoração. "Nascia uma moda,
a do preto, espécie de furor que, associado ao laranja
violento, substituiu as harmonias anteriores e vestiu casas
e mulheres de todas as classes", escreve Edmond Charles-Roux.
Usado por decoradores, ceramistas, joalheiros, ebanistas,
ouvires e cartazistas - embora ainda não tivesse arrebatado
a moda - o preto reinava absoluto e Chanel soube capturar
essa tendência e aplicá-la a seu gosto. Durante
o evento de artes da casa, um termo novo seria lançado:
Art decó, símbolo do modo de vida de
toda uma década.
Outro grande da moda, o estilista francês Christian
Dior (1905-1957), também fez parte da trajetória
de Chanel, impondo-lhe um desafio. Dior entrou definitivamente
para o mundo da moda ao criar o chamado new look,
em 1945, com vestidos acinturados para valorizar o busto feminino,
com o mesmo efeito sobre os quadris. Este e outros destaques
de sua carreira estão narrados no livro
Dior, de Marie-France Pochna (Cosac Naify, 2000).
A maison de Chanel estava fechada havia quinze anos,
período em que a estilista esteve praticamente exilada
da França, por causa de suas relações
com Gunther von Dincklage, ligado ao nazismo. Segundo relata
Edmond Charles-Roux, o triunfo de Dior ajudou a ofuscar ainda
mais a lembrança que tinham dela. Eis que, em 1954,
apostando na vontade das mulheres de se livrar das cintas
elásticas, ela reabre sua maison - contava,
então, com mais de setenta anos. A nova coleção
recebeu severas críticas das imprensas francesa e inglesa,
mas fez enorme sucesso nos Estados Unidos, para depois conquistar
a Europa.
LEIA
TEXTO DE ELENI KRONKA
LEIA
TEXTO DE QUARTA CAPA ASSINADO POR CONSTANZA PASCOLATO
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