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A entertainer Josephine Baker no traço de Di Cavalcanti, imagem reproduzida em Crônicas inéditas I, de Bandeira

JOSEPHINE BAKER E O BRANQUEAMENTO DA RAÇA,
SEGUNDO MANUEL BANDEIRA

Os nomes estrangeiros grafavam-se às vezes de maneira aportuguesada na imprensa brasileira da década de 1920, onde pontificava um já respeitável crítico e cronista Manuel Bandeira. Assim, a cantora e dançarina norte-americana naturalizada francesa Josephine Baker (1906-1975) virou "Josephina Baker" no saboroso texto sobre a chegada da artista ao Rio escrito pelo poeta pernambucano para o diário carioca A Província em 19 de dezembro de 1929. No texto, Bandeira arriscava uma posição francamente polêmica, interpretando que a famosa cabaretista "vendia" a raça negra em "embalagem" branqueada. E que por isso a artista não "vingou", ou não fez o sucesso esperado num país tão amestiçado como o Brasil (leia mais adiante trecho dos argumentos de Bandeira).


Crônicas inéditas I
R$ 65
No prelo - Vendas antecipadas

"Josephina Baker é uma mulata clara" é um dentre 113 textos do autor até agora inéditos em livro e finalmente reunidos pela Cosac Naify (em dois tomos, o primeiro com lançamento em abril próximo) junto a uma acurada pesquisa de imagens - ao todo, são 37 fotos - sobre os temas tratados: música clássica, música popular, artes plásticas, literatura, cinema e comportamento.

Bandeira na Cosac Naify

Alternando livros de prosa e poesia, a coleção Bandeira na Cosac Naify tem capas duras com fotos de época no caso das crônicas e, no caso dos versos, delicadamente revestidas com papel texturizado. Mas, além de todo os cuidados editoriais merecidos por essa obra - como apêndices com estudos inéditos, fortunas críticas e índices remissivos -,   as novas edições do poeta vêm sendo acompanhadas de elementos e recursos inéditos para o seu entendimento. Em 50 poemas escolhidos pelo autor (2006) há um disco encartado com 29 poemas na voz do próprio Bandeira, em gravações raras (conheça a determinação, os acentos e até alguns floreios do mestre neste exemplo em áudio: "Evocação do Recife").

Já o lançamento seguinte, Poemas religiosos e alguns libertinos (2007) apresentou ao leitor uma seleção de Edson Nery da Fonseca que iniciou toda uma polêmica na imprensa brasileira. Seria pertinente a junção das duas vertentes proposta já no título do livro? (Saiba mais nesta notícia: Seleção de textos de Manuel Bandeira para livro suscita discussões).

Após o terceiro lançamento da série, Crônicas da província do Brasil (2006), que tem três diferentes capas fotográficas à escolha do leitor, sai agora a primeira fornada de textos inéditos de Bandeira em torno da vida e da cultura da Capital Federal, Rio de Janeiro, nos anos de 1920 até 1931. Assim, já pela primeira quinzena de abril, poderemos entender finalmente por que o tão esperado "ícone negro" que aportou aqui com sua famosa saia de bananas representou, para o poeta de Estrela da manhã , um autêntico blefe: "Tudo isso o povo tem visto muito. O que ele queria era a negra, a estrela negra. Josephina é apenas uma mulata".

Muitas outras formulações contundentes e até mesmo engraçadas de um sempre surpreendente Bandeira sobre arte, estética e costumes, você poderá conferir em Crônicas inéditas I, nas livrarias do país e neste site a partir de 12 de abril.

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