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Gullar com Lygia Pape, Theon Spanúdis, Lygia Clark e Reynaldo Jardim

COM LIVROS-POEMA, FERREIRA GULLAR COLOCA A POESIA NAS MÃOS

Cinqüenta anos de teorias, vertentes, fatos e entreveros de um dos momentos mais radicais da arte nacional são lembrados por um dos maiores poetas brasileiros vivos, Ferreira Gullar, no livro inédito Experiência neoconcreta: momento-limite da arte, publicado pela Cosac Naify em mais um lançamento comemorativo dos dez anos da editora.

Numa das passagens mais instigantes da obra, o poeta e crítico de arte explica como nasceu a idéia do livro-poema, então uma nova e expressiva estrutura visual, sob a constante forma quadrada, em que é preciso manusear o objeto para desvendá-lo.


Experiência neoconcreta
R$ 68
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Relâmpagos
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Neoconcretismo
R$ 68
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Acompanham o volume três livros-poema criados por Ferreira Gullar - editados pela primeira vez, quase quarenta anos depois - e, a partir de instruções, dois deles podem ser recortados e montados pelo próprio leitor. Apenas Fruta - que, segundo o autor, inspirou Lygia Clark a fazer o primeiro Bicho, da comentada série de mesmo nome - vem pronto, na versão final concebida por ele. Todo o conjunto é protegido por uma luva.

A constituição do livro-poema é dada pela página como parte da estrutura visual e semântica do poema. "O passar das páginas é condição necessária para que ele [o poema] se constitua e que se realize enquanto expressão", esclarece Gullar em Experiência neoconcreta, "feito camadas de silêncio acumuladas nas páginas".

Mudança de rumos na poesia brasileira
Esta unidade indissolúvel entre palavra e página teve conseqüências muito importantes no desdobramento da arte concreta e é resultado direto do rompimento que se deu entre os grupos paulista - formado por Décio Pignatari e pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos - e carioca, que aglutinou figuras como Amilcar de Castro, Lygia Pape, Franz Weissmann, Lygia Clark, Theon Spanúdis e Reynaldo Jardim. Os últimos optariam pela intuição como diretriz de sua arte, enquanto os primeiros estariam atados a amarras puramente cerebrais, segundo avaliação do poeta maranhense.

Experiência neoconcreta é incrementado pelo fac-símile do catálogo da 1ª Exposição neoconcreta (realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em março de 1959), incluindo o Manifesto Neoconcreto, redigido por Gullar, também em 1959, em que estão apontados os novos rumos tomados pelo grupo carioca. O conjunto traz ainda um rico apêndice, com textos há muito tempo fora de edição e poucas vezes reunidos em uma única publicação. Entre eles, o artigo "Poesia concreta: uma experiência intuitiva", publicado no Jornal do Brasil, em 1957, uma interlocção com Haroldo de Campos; "Teoria do não-objeto", de 1959; e uma carta endereçada a Augusto de Campos, de 1955.

Instruções sobre como montar o livro-poema, segundo Ferreira Gullar:
As páginas, com as palavras que formam o poema, estão sem o recorte que dá forma e substância ao livro-poema. Corte, com uma tesoura, a parte indicada pelo tracejado: a próxima palavra virá com o passar da página. Desta forma, o poema se compõe até formar-se como estrutura espacial.


LANÇADA NOVA EDIÇÃO DE RELÂMPAGOS, DE FERREIRA GULLAR

Comemorando a publicação de Experiência neoconcreta, a Cosac Naify lança a nova edição de Relâmpagos - dizer o ver, editado pela primeira vez em 2003. O livro reúne 48 ensaios de Ferreira Gullar, a maioria inéditos, escritos ao longo de quase cinqüenta anos de atividade crítica e literária do autor. Num esforço editorial, a segunda edição de Relâmpagos permitiu que o livro alcançasse a metade do preço da primeira.
Os textos mostram ao leitor parte da experiência que o próprio poeta teve ao deparar-se com obras de artistas como Michelangelo, Da Vinci, Picasso e Matisse, passando por Rembrandt, Rodin, Cézanne, Renoir e Van Gogh, além dos brasileiros Oswaldo Goeldi, Iberê Camargo, Franz Weissmann, Arcângelo Ianelli e Siron Franco, entre outros. Cada texto é acompanhado pela reprodução da obra analisada.
Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro, de Ronaldo Brito, outro importante título da bibliografia sobre o assunto, também recebeu nova impressão. Nele, Brito passa em revista as várias tendências construtivas mundiais na arte do século XX até alcançar as singularidades do movimento neoconcretista brasileiro.

SAIBA MAIS SOBRE FERREIRA GULLAR

NA COSAC NAIFY:
Corte e dobra: Amilcar de Castro, Tadeu Chiarelli
Coleção Arte concreta paulista, vários autores

 

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