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| Gullar com Lygia Pape, Theon Spanúdis, Lygia Clark e Reynaldo Jardim |
COM LIVROS-POEMA, FERREIRA GULLAR COLOCA
A POESIA NAS MÃOS
Cinqüenta anos de teorias, vertentes,
fatos e entreveros de um dos momentos mais radicais da arte
nacional são lembrados por um dos maiores poetas brasileiros
vivos, Ferreira Gullar, no livro inédito Experiência
neoconcreta: momento-limite da arte, publicado pela Cosac
Naify em mais um lançamento comemorativo dos dez anos
da editora.
Numa das passagens mais instigantes da obra, o poeta e crítico
de arte explica como nasceu a idéia do livro-poema,
então uma nova e expressiva estrutura visual, sob a
constante forma quadrada, em que é preciso manusear
o objeto para desvendá-lo.
Acompanham o volume três livros-poema criados por Ferreira
Gullar - editados pela primeira vez, quase quarenta anos depois
- e, a partir de instruções, dois deles podem
ser recortados e montados pelo próprio leitor. Apenas
Fruta - que, segundo o autor, inspirou Lygia Clark
a fazer o primeiro Bicho, da comentada série de mesmo
nome - vem pronto, na versão final concebida por ele.
Todo o conjunto é protegido por uma luva.
A constituição do livro-poema é dada
pela página como parte da estrutura visual e semântica
do poema. "O passar das páginas é condição
necessária para que ele [o poema] se constitua e que
se realize enquanto expressão", esclarece Gullar
em Experiência neoconcreta, "feito camadas
de silêncio acumuladas nas páginas".
Mudança de rumos na poesia brasileira
Esta unidade indissolúvel entre palavra e página
teve conseqüências muito importantes no desdobramento
da arte concreta e é resultado direto do rompimento
que se deu entre os grupos paulista - formado por Décio
Pignatari e pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos
- e carioca, que aglutinou figuras como Amilcar de Castro,
Lygia Pape, Franz Weissmann, Lygia Clark, Theon Spanúdis
e Reynaldo Jardim. Os últimos optariam pela intuição
como diretriz de sua arte, enquanto os primeiros estariam
atados a amarras puramente cerebrais, segundo avaliação
do poeta maranhense.
Experiência neoconcreta é incrementado
pelo fac-símile do catálogo da 1ª
Exposição neoconcreta (realizada no Museu de
Arte Moderna do Rio de Janeiro, em março de 1959),
incluindo o Manifesto Neoconcreto, redigido por Gullar, também
em 1959, em que estão apontados os novos rumos tomados
pelo grupo carioca. O conjunto traz ainda um rico apêndice,
com textos há muito tempo fora de edição
e poucas vezes reunidos em uma única publicação.
Entre eles, o artigo "Poesia concreta: uma experiência
intuitiva", publicado no Jornal do Brasil, em 1957, uma
interlocção com Haroldo de Campos; "Teoria
do não-objeto", de 1959; e uma carta endereçada
a Augusto de Campos, de 1955.
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Instruções sobre
como montar o livro-poema, segundo Ferreira Gullar:
As páginas, com as palavras que formam o poema, estão sem o recorte que dá forma e substância ao livro-poema. Corte, com uma tesoura, a parte indicada pelo tracejado: a próxima palavra virá com o passar da página. Desta forma, o poema se compõe até formar-se como estrutura espacial. |
LANÇADA NOVA EDIÇÃO DE RELÂMPAGOS,
DE FERREIRA GULLAR
Comemorando a publicação de Experiência
neoconcreta, a Cosac Naify lança a nova edição
de Relâmpagos
- dizer o ver, editado pela primeira vez em 2003. O livro
reúne 48 ensaios de Ferreira Gullar, a maioria inéditos,
escritos ao longo de quase cinqüenta anos de atividade
crítica e literária do autor. Num esforço
editorial, a segunda edição de Relâmpagos
permitiu que o livro alcançasse a metade do preço
da primeira.
Os textos mostram ao leitor parte da experiência que
o próprio poeta teve ao deparar-se com obras de artistas
como Michelangelo, Da Vinci, Picasso e Matisse, passando por
Rembrandt, Rodin, Cézanne, Renoir e Van Gogh, além
dos brasileiros Oswaldo Goeldi, Iberê Camargo, Franz
Weissmann, Arcângelo Ianelli e Siron Franco, entre outros.
Cada texto é acompanhado pela reprodução
da obra analisada.
Neoconcretismo:
vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro,
de Ronaldo Brito, outro importante título da bibliografia
sobre o assunto, também recebeu nova impressão.
Nele, Brito passa em revista as várias tendências
construtivas mundiais na arte do século XX até
alcançar as singularidades do movimento neoconcretista
brasileiro.
SAIBA
MAIS SOBRE FERREIRA GULLAR
NA COSAC NAIFY:
Corte
e dobra: Amilcar de Castro, Tadeu Chiarelli
Coleção
Arte concreta paulista, vários autores
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