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Divulgação
"Bossa na Oca" celebra os cinqüenta anos da Bossa Nova

OCA ABRIGA BOSSA NOVA, CINQÜENTA ANOS DEPOIS

O livro Três canções de Tom Jobim (Cosac Naify) esmiúça a maestria
de um dos mestres do gênero


Chico Buarque se lembra exatamente onde estava, em 1958, quando ouviu pela primeira vez Chega de Saudade e a nova batida do violão de João Gilberto. Caetano Veloso é capaz de recordar como se fosse ontem o que estava fazendo quando ouviu pela primeira vez a nova batida do violão de João Gilberto. Edu Lobo, a mesma coisa. Todos queriam ser João Gilberto.

Durante estes cinqüenta anos que se seguiram, a genialidade que gerou a Bossa Nova foi com justiça dividida entre outros personagens. Boa parte desta história pode ser vista na exposição "Bossa na Oca", em cartaz no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, até dia 7 de setembro, com curadoria de Carlos Nader e Marcello Dantas.



Três canções de Tom Jobim
De: R$ 49,00
Por: R$ 34,30
Veja detalhes do livro e compre neste site

Lá estão João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, em grande e maior destaque, mas também os violonistas Roberto Menescal, Oscar Castro Neves e Chico Feitosa; os letristas Ronaldo Bôscoli, Newton Mendonça e Carlos Lyra e as vozes de Nara Leão e Elizeth Cardoso. É preciso reconhecer que o próprio João Gilberto catalisou influencias diversas, experiências vindas do jazz, do samba-canção e outros avanços da música brasileira daquele período de efervescência.

Foi então que as famosas reuniões no apartamento de Nara Leão, em Copacabana, transformaram-se em momentos de "esquenta" de um grupo de classe média interessado em música. No mesmo período, Elizeth Cardoso gravava o LP Canção do Amor Demais, com canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que em parceria já haviam criado o musical Orfeu da Conceição.

As canções de Antonio Carlos Jobim (1927-1994) tornaram-se emblemas desta época e da riqueza de que a música brasileira é capaz, como comprova o livro Três canções de Tom Jobim, lançado pela Cosac Naify por ocasião dos dez anos de morte do maestro, em 2004. Na análise de três críticos - Arthur Nestrovski, Lorenzo Mammì e Luiz Tatit -, ressalta-se o alcance da canção em nosso país, em matéria de composição e reflexão. [Leia texto sobre o livro].

"Uma música com a nossa cara" era o que buscava aquela geração, segundo conta Carlos Lyra. Em meio a vozes soturnas no rádio e letras que falavam apenas de sofrimento, um mundo estava sendo desprezado: o sol e o mar de Ipanema, os barzinhos que começavam a pulular no Rio de Janeiro e a euforia dos anos JK.


Ouça Sabiá, composição de Tom Jobim e Chico Buarque [Jobim Music Ltda], analisada por Lorenzo Mammì no livro Três Canções.

O que ver na Oca
"Bossa na Oca" oferece uma boa imersão no universo da Bossa Nova e do Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960. A começar por uma reprodução de 800 m2 da praia de Copacabana, com o apartamento de Nara Leão. Também não faltaram o piano e o copo de uísque, com a execução de Garota de Ipanema por Vinicius e Tom.

Salas ocupadas por banquinhos e violão recriam cenário para a dupla, destaque do primeiro andar, onde também são exibidos curtas-metragens, entre eles Vinicius de Moraes, de Miguel Faria Jr., criado especialmente para a exposição a partir de imagens que não entraram no longa Vinicius (2005).

Para olhar para o mar que inspirou tantas letras de música, basta deitar-se num sofá, ouvir canções vindas de uma vitrola e contemplar o teto do museu. A qüietude que exige a Bossa Nova também é estimulada em uma câmera chamada anecóica, espaço de silêncio completo, o que permite escutar as batidas do próprio coração.

Bossa na Oca
Até 7 de setembro
Parque do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 03 - São Paulo (SP)
De terça a domingo, das 10h às 21h.
Ingressos: R$ 20 (entrada gratuita às terças-feiras)
Tel. (11) 4003 2050


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