Lá estão João Gilberto,
Tom Jobim e Vinicius de Moraes, em grande e maior destaque,
mas também os violonistas Roberto Menescal, Oscar Castro
Neves e Chico Feitosa; os letristas Ronaldo Bôscoli,
Newton Mendonça e Carlos Lyra e as vozes de Nara Leão
e Elizeth Cardoso. É preciso reconhecer que o próprio
João Gilberto catalisou influencias diversas, experiências
vindas do jazz, do samba-canção e outros avanços
da música brasileira daquele período de efervescência.
Foi então que as famosas reuniões no apartamento
de Nara Leão, em Copacabana, transformaram-se em momentos
de "esquenta" de um grupo de classe média
interessado em música. No mesmo período, Elizeth
Cardoso gravava o LP
Canção do Amor Demais,
com canções de Tom Jobim e Vinicius de Moraes,
que em parceria já haviam criado o musical Orfeu da
Conceição.
As canções de Antonio Carlos Jobim (1927-1994)
tornaram-se emblemas desta época e da riqueza de que
a música brasileira é capaz, como comprova o
livro
Três canções de Tom Jobim,
lançado pela Cosac Naify por ocasião dos dez
anos de morte do maestro, em 2004. Na análise de três
críticos - Arthur Nestrovski, Lorenzo Mammì
e Luiz Tatit -, ressalta-se o alcance da canção
em nosso país, em matéria de composição
e reflexão.
[Leia
texto sobre o livro].
"Uma música com a nossa cara" era o que buscava
aquela geração, segundo conta Carlos Lyra. Em
meio a vozes soturnas no rádio e letras que falavam
apenas de sofrimento, um mundo estava sendo desprezado: o
sol e o mar de Ipanema, os barzinhos que começavam
a pulular no Rio de Janeiro e a euforia dos anos JK.
Ouça Sabiá, composição
de Tom Jobim e Chico Buarque [Jobim Music Ltda], analisada
por Lorenzo Mammì no livro Três Canções.
O que ver na Oca
"Bossa na Oca" oferece uma boa imersão no
universo da Bossa Nova e do Rio de Janeiro dos anos 1950 e
1960. A começar por uma reprodução de
800 m2 da praia de Copacabana, com o apartamento de Nara Leão.
Também não faltaram o piano e o copo de uísque,
com a execução de Garota de Ipanema por Vinicius
e Tom.
Salas ocupadas por banquinhos e violão recriam cenário
para a dupla, destaque do primeiro andar, onde também
são exibidos curtas-metragens, entre eles
Vinicius
de Moraes, de Miguel Faria Jr., criado especialmente
para a exposição a partir de imagens que não
entraram no longa
Vinicius (2005).
Para olhar para o mar que inspirou tantas letras de música,
basta deitar-se num sofá, ouvir canções
vindas de uma vitrola e contemplar o teto do museu. A qüietude
que exige a Bossa Nova também é estimulada em
uma câmera chamada anecóica, espaço de
silêncio completo, o que permite escutar as batidas
do próprio coração.
Bossa na Oca
Até 7 de setembro
Parque do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n,
portão 03 - São Paulo (SP)
De terça a domingo, das 10h às 21h.
Ingressos: R$ 20 (entrada gratuita às terças-feiras)
Tel. (11) 4003 2050