LIV ULLMANN E MARIANA XIMENES,
MENINAS QUE SE RECUSAM A MORRER


Atriz, talentosa, sensível, inteligente, determinada. Estas são características que Mariana Ximenes, 27, têm em comum com a atriz e diretora norueguesa Liv Ullmann, 70, que estará no Brasil para lançar Mutações, editado pela Cosac Naify. Apaixonada por Liv, Mariana não é apenas uma grande fã, que tem na ponta da língua os melhores trabalhos da atriz veterana, ou que se sente arrebatada por suas atuações. Tudo isso e algo mais. A brasileira tem sua história pessoal delicadamente marcada pelo livro, escrito mais de trinta anos antes: um presente dado por seu pai à sua mãe quando ainda eram namorados. Nele, a dedicatória sobre a importância que o relato teria para os dois, sem sequer imaginar a vinda de uma filha atriz que se encantaria pela obra e pelas memórias de Liv Ullmann, “um bálsamo acolhedor” como conta Mariana Ximenes na conversa a seguir.

Por que Mutações marcou tanto sua vida? O que o livro significa em sua trajetória profissional e pessoal?
Mutações é um dos meus livros de cabeceira.  E ainda carrega uma história cheia de significados: meu pai deu o livro de presente para minha mãe antes de eu nascer, em 1978, com uma dedicatória muito simbólica. Mal sabiam que o livro seria tão importante para a filha deles também.

Quando passei no vestibular,  uma de minhas tias me escreveu uma carta com um trecho do livro, que começava com a frase: “eu tenho dentro de mim uma menina que se recusa a morrer...”. Foi aí que o li. Fiquei encantada por perceber como ela, Liv, poderia me ajudar contanto suas angústias, as pressões externas e internas que sofria, a busca da honestidade consigo mesma e com os outros, a exposição de emoções; tudo com muito discernimento e poesia, tanto quando se coloca como atriz quanto como mulher. Para mim, ler tudo isso é como um bálsamo acolhedor.

Fico muito feliz com a nova edição. Assim outras gerações poderão curtir essa atriz notável e mulher admirável. Sem contar que me facilitará a vida: adoro dar o livro de presente e, para isso, até agora tinha de procurá-lo desesperadamente em sebos, pela internet para encontrar um exemplar. Já fiz isso algumas vezes.

Poderia destacar as atuações da atriz que mais a impressionaram?
Todas as atuações de Liv são marcantes. Eu destacaria Eva, de Sonata de Outono [1978] - triste, fraca, sobrepujada pela mãe, e ao mesmo decidida e amorosa nos cuidados com a irmã; e Elizabeth, de Persona [1966], atriz que nega seu ofício, emudece para não mentir!
Em Saraband [2003] ela também apresenta um brilhante trabalho.

O que Liv Ullmann pode representar para uma atriz atualmente?
Inteligência, sensibilidade, coragem, determinação, dignidade, são predicados raramente reunidos. Liv os têm, todos, e os levou também para a direção de seus filmes.