Único filme de Caetano Veloso, O cinema falado (1986) apresenta, em linguagem cinematográfica, a mesma vivacidade de experimentos que o cantor e compositor baiano realizou nos anos 1960 e 1970, quando sua música definia e impulsionava o movimento Tropicalista, um dos mais importantes do cenário cultural brasileiro. Como não poderia deixar de ser, a polêmica em torno do longa-metragem foi intensa: a orquestração de monólogos justapostos e entremeados por seqüências de dança e música tornou-se alvo de debate. Embora reflexões sobre cinema, literatura e artes plásticas também estejam ali, o filme é, sobretudo, uma ode à palavra oral, tendo a fala como elemento que passa a ter valor em si mesmo. Dentre os muitos textos utilizados (trechos de Guimarães Rosa, poemas de Augusto de Campos e Décio Pignatari e ensaios de Thomas Mann e Heidegger), estão fragmentos de “Melanctha”, novela que compõe o livro Três vidas (1909) da autora norte-americana Gertrude Stein, lançado pela Cosac Naify em nova tradução, de Vanessa Barbara. No filme, a atriz Regina Casé interpreta trechos da história traduzidos pelo próprio Caetano, originalmente publicados na revista baiana Código 8, em 1983, e que agora integram a nova edição brasileira.

Assista, abaixo, a fragmentos de “Melanctha” interpretados por Regina Casé. As imagens foram retiradas do DVD O cinema falado, lançado em 2008 pela Universal Music.



O cinema falado
(1986)
Direção: Caetano Veloso
Fotografia: Pedro Farkas
Distribuidora: Universal

[Leia artigo de Carlos Adriano sobre o filme, publicado na Revista Trópico]