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foto Lenise Pinheiro

FAUSTO ZERO DE GOETHE EM TRADUÇÃO DA COSAC NAIFY GANHA ENCENAÇÃO NO TEATRO

Premiado em 2002 pela Câmera Alemã do Livro como "A edição de teatro mais bonita do mundo", o livro Fausto Zero, da Cosac Naify, chega ao teatro com direção de Gabriel Villela.

Essa primeira versão de Goethe para o seu drama imortal foi traduzida para o português por Christine Röhrig e recebeu projeto gráfico de Raul Loureiro.

Com a montagem atualmente em cartaz no Espaço Promon de São Paulo e dirigida por Gabriel Villela, a atriz Walderez de Barros, três vezes premiadas com o Molière de melhor atriz, comemora quarenta anos de carreira. Walderez protagoniza o Fausto numa criação marcante, estreada no Festival de Teatro de Curitiba de 2004 e destinada a uma carreira nacional.

O programa da peça utiliza imagens do livro Farnese de Andrade, edição da Cosac Naify em homenagem ao artista mineiro (1926-1996), outro livro premiado da editora.

Com cenografia de Gabriel Villela e Márcio Vinicius, música original de Daniel Maia, iluminação de Guilherme Bonfanti e figurinos assinados pelo próprio diretor, as apresentações acontecem quinta, sexta e sábado, às 21h; e domingo, às 19h no Espaço Promon de São Paulo (Av. Juscelino Kubitschek, 1830, (11) 3847-4111). Os ingressos custam de R$ 30 (quinta, sexta e domingo) a R$ 40 (sábado), e a temporada vai até 27 de junho.
Com tradução de Christine Röhrig, [Urfaust] FAUSTO ZERO, também denominado Fausto primitivo ou Proto-Fausto, foi escrito entre 1773 e 1775 por Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832), aos 26 anos, inaugurando o movimento literário Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), ou seja, o pré-romantismo alemão, surgido por volta de 1770. O texto caracteriza-se pela grande economia dramática, com cenas curtas e uma narrativa de cortes ágeis. Mais tarde, em 1808, o autor, um dos maiores expoentes da literatura universal, publicou outra versão (Fausto Primeira Parte), uma das mais importantes obras da literatura mundial, que levou 60 anos para ser finalizada.

SINOPSE
Insatisfeito, Dr. Fausto, conhecedor de medicina, filosofia, jurisprudência e teologia, entrega-se à magia, para ver se, por força do espírito e da palavra, consegue desvendar os mistérios da existência humana. Obcecado pela sede do saber, faz um pacto com o demônio, o terrível Mefistófeles. Vende sua alma ao diabo em troca de uma vida de novos conhecimentos e prazeres. Conhece Margarida, casta e pura, e, num desvario amoroso, engravida a jovem.

Depois, segue sua aventura, sempre em companhia de Mefistófeles, quando descobre que sua amada deu à luz um filho. Não suportando a culpa, Guida afoga a criança até a morte. Tornando-se uma infanticida, é presa e enlouquece. Fausto tenta salvá-la, mas é obrigado a partir com o diabo para o inferno, deixando Guida condenada. Fausto Zero, de Goethe, é a contribuição à cultura humanística no mito de "Fausto: o homem que vendeu sua alma ao diabo".

ELENCO
No palco, Walderez de Barros vive Fausto, Vera Zimmermann interpreta Margarida, e o ator italiano Alvise Camozzi entra na pele de Mefistófeles, enquanto a atriz Maria do Carmo Soares fará os personagens episódicos, como o Espírito da Terra, o estudante e a vizinha Marta. Estreando em teatro, Nicolas Röhrig será o espírito jovem do autor, que não existe na peça. "Há instantes em que Fausto distancia-se fisicamente da ação e Nicolas personifica o autor escrevendo a obra em cena", explica o diretor Gabriel Villela.

O mito de Fausto sempre fascinou Walderez, que leu a versão de Fernando Pessoa aos 15 anos. "A angústia faustiana, de querer entender o mistério do universo e querer ir até às últimas conseqüências no conhecimento de tudo, sempre me acompanhou. Por essa razão é que fui fazer o curso de Filosofia", revela. Para ela, o mito de Fausto continua atual. "Para se colocarem na sociedade de consumo, hoje em dia, as pessoas fazem pactos com o diabo a todo momento, abrindo mão de seus princípios para ter e possuir - que é muito mais valorizado do que ser."

Sobre os 40 anos de carreira, a atriz diz que o que contam não são os anos que viveu no palco. "Mesmo porque a maravilha do teatro é você estar sempre começando. A cada trabalho é um universo novo que visito, no qual aprendo. Eu, que nunca me propus na vida ser atriz, me espanto de ter resistido 40 anos."

O mito de Fausto
Na Europa, o mito de Fausto tornou-se tão popular que, no fim do século 16, surgiram várias representações teatrais sobre a história desse homem - meio mago, meio cientista, considerado, na época, um charlatão. Goethe tinha cerca de 20 anos quando se apaixonou pela história de Fausto.

Para Cristine Röhrig, a tradutora do texto, embora Fausto tenha se perpetuado como um mito, existiu, de fato, um Fausto histórico, um certo andarilho dado a magias, chamado Jorg Faustus, que viveu entre 1480 e 1540, em Würtenberg. Lutero relacionou o feiticeiro ao diabo, dando origem a vários textos em tom de farsa e ao teatro de fantoches que contava a história do Doktor Faust, que vendera a alma ao diabo. Mais tarde surgiu também na Alemanha o Faustbuch, de autoria anônima, no qual começa a se desenhar um sujeito autônomo que se determina por seus próprios desejos. No drama de Christopher Marlowe, de 1592, as peças fundamentais são o monólogo e as reflexões iniciais sobre o sentido do saber e as recompensas que a magia pode lhe trazer.

A tradução
Ao traduzir Urfaust, Christine Röhrig procurou transmitir a essência da obra original de uma maneira que se mantivesse a sua característica de obra popular. "Para isso, muitas vezes ocorreu-me abdicar das rimas e da estrutura em versos que, na tradução, poderiam criar obstáculos à fluência das frases, gerando interrupções bruscas no entendimento. Assim, a opção pelo texto em prosa pareceu-me um resgate da própria proposta do Sturm und Drang, deixando nisso transparecer a plena juventude de Goethe ao compor sua obra final", explica a tradutora. Exaustivamente encenada, Fausto Primeira Parte teve, entre suas montagens mais famosas, a de Max Reinhardt, em Los Angeles, em 1938. A peça também foi adaptada para o cinema, com direção de Claude Autant-Lara. Também no Brasil esta tradução serviu às montagens do diretor baiano Márcio Meirelles e do diretor Marcio Aurélio.

De acordo com Christine Röhrig, existem algumas diferenças entre o Urfaust e a primeira parte da obra posteriormente completada por Goethe. No Urfaust o diálogo do discípulo Wagner com Fausto surge do contraste entre a estética do barroco e o desregramento do Sturm und Drang. "Nessa primeira versão não havia, por exemplo, a cena da cozinha das bruxas, em que Fausto deseja o rejuvenescimento. Faltam ali também as passagens do encontro entre Fausto e Mefistófeles e a cena do pacto que estabelecem entre si, firmado com sangue", diz. Uma possível explicação para isso talvez esteja no fato de que o teatro de fantoches com a história de Doktor Faust ainda estivesse em franca circulação pela Alemanha, o que teria levado Goethe a considerar a questão subentendida por todos, acreditando não ser necessário explicar o óbvio.

Sobre Walderez de Barros
Atriz consagrada pela crítica especializada, tem na bagagem trabalhos dos mais contundentes do teatro brasileiro, e também atuações marcantes na televisão e no cinema. Além de inúmeras indicações para as mais importantes premiações, WALDEREZ DE BARROS conquistou, entre outros, três Prêmios Molière e três Prêmios Mambembe como Melhor Atriz de Teatro.

Alguns de seus premiados trabalhos em teatro: MEDÉIA, tragédia grega de Eurípides; A GAIVOTA, de Anton Tchécov; MAX, monólogo de Manfred Karge; AS PORTAS DA NOITE, espetáculo com poemas e canções de Jacques Prévert; LAGO 21, roteiro de Jorge Takla para trechos de Hamlet e A Gaivota; MADAME BLAVATSKY, texto de Plínio Marcos; O ABAJUR LILÁS, texto de Plínio Marcos; TU E EU, espetáculo-solo com poemas de Rumi. Inaugurou o Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, com uma adaptação de AS CIDADES INVISÍVEIS, de Ítalo Calvino; fez o papel de Maria em O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, adaptação feita por Maria Adelaide Amaral para a obra de José Saramago. Seu último trabalho em teatro foi na peça A PONTE E A ÁGUA DE PISCINA, de Alcides Nogueira, com direção de Gabriel Villela.

Sua primeira novela de televisão foi BETO ROCKFELLER, de Cassiano Gabus Mendes, na Tevê Tupi, SP. Na Rede Globo, consagrou-se nacionalmente fazendo o papel de Judite, na novela O REI DO GADO, de Benedito Rui Barbosa. Por esse trabalho, recebeu vários prêmios, entre eles o Prêmio de Melhor Atriz de Televisão da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Participou, também, entre outras novelas da Rede Globo, de LAÇOS DE FAMÍLIA e MULHERES APAIXONADAS, de Manoel Carlos.Trabalhou nas minisséries DONA FLOR e HILDA FURACÃO, da Rede Globo, além da microssérie LUNA CALIENTE. Em cinema, seus mais marcantes trabalhos são: OUTRAS ESTÓRIAS, adaptação de contos de Guimarães Rosa, dirigido por Pedro Bial; e COPACABANA, um filme de Carla Camurati.

[Urfaust] FAUSTO ZERO

Autor: J.W. Goethe. Tradução: Christine Röhrig. Elenco: Walderez de Barros, Vera Zimmermann, Maria do Carmo Soares, Alvise Camozzi e Nicolas Röhrig. Direção: Gabriel Villela. Cenografia: Gabriel Villela e Márcio Vinicius. Figurinos: Gabriel Villela. Sonoplastia: Daniel Maia. Iluminação: Guilherme Bonfanti. Direção de movimento: Ricardo Rizzo. Adereços e criação de bonecos: Márcio Vinicius. Direção de produção: Francisco Marques. Assessoria de Comunicação: Fernanda Teixeira (Arteplural) e Edison Paes de Melo (Editor).

Espaço Promon
Av. Juscelino Kubitschek, 1830, (11) 3847-4111. Estréia: 27 de março, sábado, às 21h. Temporada: de 27/03 a 27/06. Horários: Quintas, sextas e sábados, às 21h e domingo, 19h. Preços: R$ 30 (Qui, Sex e Dom) e R$ 40 (Sáb). Meia-entrada para estudantes e maiores de 65 anos. Desconto de 20% para empresas conveniadas. Capacidade: 349 lugares. Gênero: Drama. Duração 1h10. Classificação: 14 anos. Ar-condicionado, acesso para deficientes físicos e serviço de bar. Estacionamento próprio: R$ 10.

Veja ficha técnica e detalhes do livro

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