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| Cena de Hitler - Um filme da Alemanha
(1977), analisado por Daney |
OS FILMES DE A RAMPA, DE
SERGE DANEY
Alguns destaques do livro, para você garimpar (veja
serviços)
por Alvaro Machado
1. Da nuvem à resistência
(1979)
O filme do casal de diretores franceses Jean-Marie Straub
e Danièlle Huillet analisado no livro de Daney baseia-se
em alguns dos diálogos da obra Diálogos
com Leucó (Cosac Naify, 2001), clássico
do escritor italiano Cesare Pavese.
O último filme do casal mais radical do cinema francês
antes da morte de Huillét, Quei loro incontri
[Aqueles encontros com eles], de 2006, também baseia-se
nesse livro.
A rampa fala, ainda, sobre Fortini Cani,
de 1976, filme baseado no livro Os cães do Sinai,
do italiano Franco Fortini, e de outros filmes nunca exibidos
no Brasil, mesmo na Mostra Internacional de Cinema SP:
- Une Visite au Louvre (2004). Muitos críticos
reputam este filme como uma autêntica "jóia"
(é o segundo filme do casal em torno do grande museu).
- Ritorno del figlio prodigo - Il Umiliati (2003)
2. Nick's Movie (1980), de Wim
Wenders
Com Nicholas Ray creditado como diretor, o filme merece toda
uma análise de Daney, que coloca o filme no topo da
produção do cineasta alemão, quase como
uma exceção em meio ao artificialismo do restante
de sua filmografia.
3. Nationalité immigré
[Nacionalidade imigrante] (1975), de Sidney Sokhona
Este filme francês foi dirigido por um ex-redator do
Cahiers du cinéma e enfoca os expedientes
utilizados pelas organizações estudantis para
liberar o trabalho de imigrantes do Terceiro Mundo nos anos
pós-68. Um dos melhores exemplos do cinema de militância
política, com toda sua paixão e todos os seus
limites.
4. Dois filmes sobre a China
Chung Kuo (1972), de Michelangelo Antonioni, é
um filme politizado rodado de maneira inédita na China.
Daney contrapõe esse filme a Comment Yukong dèplaça
les montagnes [Como Yukong mudou as montanhas de lugar],
rodado em 1976 pelo casal Ivens / Loridan, que tem a duração
de 763 minutos!
5. Histoires d'A (1974), de Charles
Belmont
Trata-se de um exemplo privilegiado dos problemas do gênero
político e do pensamento da época, devidamente
sinalizados por Daney.
6. Dersu Uzala (1975), de Akira
Kurosawa
Kurosawa é um dos poucos diretores abertamente elogiados
pelo crítico francês. Dersu é
um filme que marcou toda uma geração: foi realizado
com capitais soviéticos pelo diretor, que vinha de
uma tentativa de suicídio, após Dodeskaden
(outro título pelo qual Daney tem enorme carinho).
7. Le Diable probablement (1977),
de Robert Bresson
Pouco visto no Brasil, analisa os conflitos da geração
que participou do maio de 1968. Por meio desse filme, Daney
tece uma análise brilhante sobre o papel da banda sonora.
8. Hans-Jurgen Syberberg
Hitler, um filme da Alemanha (1977), de
Syberberg, merece um capítulo importante no livro de
Daney. O diretor é definido como um "cineasta-estado",
assim como Charles Chaplin, ou seja, artistas com poder de
fogo para afrontar todo um governo.
Outros filmes do diretor citados são Karl May
(1974), Parsifal (1982), Die Nacht (de 1985),
bem como as produções em vídeo Marquise
von O (1990), Fräulein Else (1987), Penthesilea
(1987), Edith Clever liest Joyce (1985) e Ein
Traum was sonst (1994).
9. Jean-Luc Godard militante
O livro analisa os filmes de Godard feitos com coletivos
cinematográficos, entre eles Ici et ailleurs
(1975), Numero Deux (1976), Tout va bien
(com Jane Fonda em fase radical) e Vent d'est (este
com Glauber Rocha como ator, 1970).
10. Iluminação (1973)
O filme do polonês Krzystof Zanussi, exibido em duas
edições da Mostra de São Paulo, é
abordado como exemplo de narração subjetiva
no cinema do Leste europeu.
11. Robert Kramer
Milestones (1975), filme do diretor underground
norte-americano, ganha um capítulo de A rampa,
no qual Daney prossegue sua análise das idiossincrasias
do cinema de militância política, mesmo quando
embebido de tintas ficcionais.
Outros filmes de Kramer citados no livro: Ice (1970)
e The Edge [O limite] (1978).
12. Rio Lobo (1970)
O clássico de Howard Hawks merece uma muito irônica
abordagem sobre hipérboles machistas embutidas em sua
narrativa.
13. Salò, de Paolo Pasolini
(1975)
Ao mesmo tempo em que reconhece a combatividade do diretor
italiano, reconhecendo-o como um dos grandes da Itália,
o comentário sobre Salò aborda as limitações
de seu desencantado discurso.
14. Jacques Tati
Entre os filmes do grande diretor francês,
há análises de seu primeiro longa-metragem,
Jour de fête, de 1949 (que no Brasil
passou como Carrossel da esperança), bem como de seu
último, a produção em vídeo Parade,
feita para a TV sueca.
15. Ceddo (1977)
Dirigida pelo africano Ousmane Sembene, uma
produção sui generis em toda a filmografia
do continente, e um ensaio de Daney que se tornou célebre.
16. The Big Red One (1980)
Agonia e glória, de Samuel Fuller. O
filme do diretor norte-americano sobre a Segunda Guerra (proibido
na França no ano de seu lançamento internacional,
1980) é objeto do capítulo "O furor da
narrativa".
17. Le theatre des matières (1977)
De Jean-Claude Biette, sobre uma trupe teatral
na periferia de Paris. Mesmo embutida numa narrativa tradicional,
a fina observação do diretor é objeto
da admiração do crítico.
ONDE ENCONTRAR:
Cópias em DVD da maioria das produções
citadas podem ser encomendadas nos sites www.alapage.com (França)
ou www.amazon.com (EUA).
Agonia e glória está na programação
2007 do canal de TV pago Cinemax Prime (HBO).
Nick's movie está na programação
da 31ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo.
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