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Anúncio de publicidade para o Studio for Solid Photography , c.1985, Nova York.

UMA REVISÃO DA HISTÓRIA DA ARTE

Em 1983, Hans Belting publicou em livro uma conferência em que problematizava a viabilidade e a legitimidade de se insistir nos preceitos da disciplina que ele dedicou a boa parte de seus esforços intelectuais. O título do livro era bastante direto e vinha em forma de interrogação: O fim da história da arte? Para ele, não se tratava de abordar nem o fim da arte e muito menos o fim da história, mas do esgotamento de uma tradição do conhecimento, que predominou na reflexão sobre a visualidade. Segundo o autor, tratava-se de um modo de abordar um determinado recorte de fenômenos, chamado por ele de “enquadramento”, que articulava processos distintos em uma sucessão coerente e linear de eventos, como se todos pertencessem a um mesmo desenvolvimento, dotado de natureza comum. A pergunta feita seria um teste para os limites daquele tipo de narrativa.

O fim da história da arte, publicado agora pela Cosac Naify, faz uma revisão do tema dez anos depois, transformando o que era um questionamento em uma certeza. Segundo Belting é preciso reformular o que ele chama de “ciência das artes” para uma abordagem que evite que o historiador incorra no seu maior pecado: o anacronismo. A história da arte, tal como era contada, aparece para ele como um “equívoco ocidental”. Que trata o desenvolvimento de algumas correntes da produção visual de uma determinada cultura como uma narrativa única e universal. Como descreve o autor: “A assim chamada história da arte foi sempre uma história da arte européia, na qual, apesar de todas as identidades nacionais, a hegemonia da Europa permanecia incontestada. Mas essa bela imagem provoca hoje o protesto de todos aqueles que não se consideram mais representados por ela”. Mais do que isso, ela parece incapaz de incorporar desenvolvimentos recentes da produção, associados a outro tipo de relação com a obra, distintos da contemplação tradicional.

Portanto, não se trata de declarar o óbito da pesquisa sobre arte e nem de tentar trazer para essa sucessão fechada e auto-referente de eventos, fenômenos que não se incluíam nela até então: como a produção visual do Leste europeu, que corria em paralelo à chamada tradição ocidental e os novos modos de se lidar com as imagens e os fenômenos estéticos. Mais do que isso, o autor propõe uma revisão das concepções da pesquisa em um novo modo de encarar esses fenômenos e chamá-los pelo nome que eles têm.

 

Leia entrevista de Hans Belting, concedida a Taísa Palhares


Veja ficha técnica e link para compra neste site

Como resume a historiadora Glória Ferreira, na orelha do livro, “para Belting,
a idéia originária presente no conceito de ‘história da arte’ – de restituir uma história efetiva da arte e trazer à luz seu sentido – vê-se questionada, diante das transformações de seu objeto, por não assegurar um padrão (ou enquadramento) segundo o qual a obra individual possa ser avaliada. A constatação da premência de uma mudança no discurso não implica, diz o autor, em decretar seu fim, pois o jogo pode prosseguir, e suas regras não mais serão as mesmas, encontrando-se agora em processo contínuo de transformação”.

Na tentativa de reformular a chamada “ciência das artes” o autor nos oferece um amplo panorama da produção em história da arte, problematiza algumas peculiaridades da arte contemporânea, tenta entender as peculiaridades dos museus ontem e hoje e nos sugere “uma nova e mais abrangente história da imagem”, onde “a história da arte prévia fosse integrada mas não dissolvida.

A história da imagem poderia conceder o seu direito às mídias imagéticas, onde quer que entrassem em cena, do mesmo modo que também identificaria a arte onde esta se apresentasse historicamente com essa pretensão. A arte apareceria então como um fenômeno histórico tanto quanto o são a coleção de arte e a literatura sobre arte, que igualmente surgiram apenas em determinadas épocas.”

SOBRE O AUTOR

Hans Belting é hoje um dos maiores nomes no pensamento sobre artes visuais. Primeiramente, tornou-se conhecido por sua reflexão histórica e teórica sobre a produção visual na idade média e a arte da Europa setentrional. Além disso, publicou monografias importantes sobre artistas da tradição ocidental e da modernidade. Entre os seus estudos mais conhecidos estão as monografias sobre Giovanni Bellinni, Hieronymus Bosch, Jan Van Eyck, Max Beckmann e os contemporâneos Thomas Struth e Alex Katz. Recentemente, se empenhou em um empreendimento ambicioso: uma pesquisa detida sobre os diferentes sentidos da imagem e as relações entre a arte e as novas mídias, iniciada no seu período como professor do programa de doutoramento da Staatlische Hochschulle für Gestaltung, em Karlsruhe, na Alemanha.

Capa aberta do livro O fim da história da arte

TEORIA E HISTÓRIA DA ARTE NA COSAC NAIFY

A Cosac Naify possui em seu catálogo uma linha de publicações, na área de teoria e história da arte, que contempla desde a forma breve do ensaio a estudos de caráter mais sistemático, focalizando, junto aos clássicos, as gerações mais recentes de autores e textos dos mais importantes críticos, historiadores, teóricos e artistas renovadores do pensamento da arte na atualidade.

Com o objetivo de ampliar e consolidar esta linha, a editora convidou a crítica Sônia Salzstein, professora de história da arte da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, para coordenar uma série de títulos, fundamentais à constituição de uma bibliografia especializada na área.

O projeto gráfico dos livros apresenta uma linguagem onde a tipografia surge como o elemento principal. Elaine Ramos, diretora de arte da Cosac Naify, ressalta que os críticos “tratam da arte do século XX, a partir do momento em que ela deixa definitivamente de ser uma janela para o mundo (retrato, paisagem etc.), e passa a ser auto-referencial, ao enfocar as questões da própria arte (planaridade, pincelada, materiais, mercado etc.), até a diluição da fronteira entre arte e vida e arte e mercadoria”.

Por esse motivo, as capas dos livros são, antes de tudo, apenas capas: letras sobre papel. Elas não elegem um trabalho de arte específico comentado pelo autor, e sim procuram cumprir sua função – a de informar o leitor – de maneira autônoma, opaca, sem referências externas.

O projeto reforça o caráter de embalagem na capa de A transfiguração do lugar-comum, de Arthur C. Danto (que comenta o uso de objetos cotidianos na arte contemporânea), - idéia que já aparecia em Objeto ansioso, de Harold Rosenberg (uma ironia ligada ao título) -, enquanto a capa de O fim da história da arte, de Hans Belting, incorpora a idéia do deslocamento (um jogo com o conceito de “enquadramento”), do erro (referência ao processo industrial). Porém, em todas, a questão de fato é sempre o próprio objeto livro.

O fim da história da arte
Hans Belting
A transfiguração
do lugar-comum

Arthur C. Danto
Objeto ansioso
Harold Rosenberg

PRÓXIMO LANÇAMENTO

Ensaios, de T. J. Clark

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Estética doméstica
, de Clement Greenberg
Visão e forma, de Roger Fry
O espaço moderno, de Alberto Tassinari
A unidade da arte de Picasso, Meyer Schapiro



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