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ODILON
MORAES ILUSTRA A AMIZADE CRIADA POR MÁRIO DE ANDRADE
O autor e ilustrador é convidado da FLIP
2008 e fala sobre Será o Benedito!
"Odilon Moraes poderia ter carregado nas
tintas ou fazer uma simples ilustração dessa
bela história de reconhecimento mútuo entre
adulto e criança. Mas tratou com sutileza essa crônica,
que faz o elogio do transculturalismo muito antes desse palavrão
virar moda"
[Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo,
17/04/2008].
Odilon Moraes colocou todo seu talento a serviço de
um dos autores mais importantes da língua portuguesa:
Mário de Andrade escreveu a crônica Será
o Benedito!, história de uma amizade de rara delicadeza
que ganhou vida a partir das aquarelas do ilustrador.
A crônica, publicada no suplemento literário
do jornal O Estado de S.Paulo, em 1939, acaba de
ser editada em livro pela Cosac Naify - feito inédito
na história da edição brasileira - e
agora faz parte da coleção
Dedinho de Prosa.
Em Será o Benedito!, o escritor e pesquisador
da cultura nacional revela-se também um cronista de
mão cheia: a crônica evoca um Mário de
Andrade prosador, capaz de emocionar jovens e adultos. Em
tom de conversa, Mário conduz o leitor por uma viagem
ao interior de São Paulo, na Fazenda Larga. Há
registros de que o próprio autor teria visitado a fazenda.
Longe dos arranha-céus e dos chofers, o homem da cidade
conhece o garoto Benedito, "nos seus treze anos de carreiras
livres pelo campo". A cerca que separa a casa-grande
do vasto gramado é o obstáculo a ser conquistado
em busca de uma amizade.
Ninguém sabe, ao certo, se o garoto Benedito - cujo
nome faz referência ao Santo siciliano de origem moura,
celebrado em 5 de outubro - realmente existiu, apesar da conhecida
foto que acompanha a crônica no "Suplemento em
rotogravura", da segunda quinzena do mês de outubro,
em homenagem ao dia das crianças. Mas importa sobretudo
a troca afetiva entre o garoto do campo e o homem da cidade,
com pitadas de humor que amenizam a emoção,
elementos tão bem representados pelas ilustrações
de Odilon Moraes.
O ilustrador, que também coordena a coleção Dedinho
de Prosa ao lado do poeta e editor Augusto Massi, passou mais
de um ano para achar o tom certo das "enormes pastagens"
e do "céu violento de setembro" deste conto.
Como ele mesmo relata: "A separação dos
dois universos - cidade e natureza - construída ao
longo do texto, traduzida nos contrastes entre plano e fundo,
sombra e luz, dentro e fora, recursos próprios da imagem".
Outro grande desafio - bem realizado - foi captar a troca
de olhares entre o menino e o homem, ponto alto do relato.
SAIBA
MAIS SOBRE ODILON MORAES
Odilon Moraes na FLIPINHA 2008 (Paraty)
Quinta-feira, 3 de julho, 9:30h
Mesa: "Os desenhos e as histórias", ao lado
de Eva Furnari.
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