Autores Cosac Naify na FLIP 2008
 


INGO SCHULZE [Celular]|VITOR RAMIL [Satolep]
HUMBERTO WERNECK [O santo sujo, a vida de Jayme Ovalle]
VANESSA BARBARA [O livro amarelo do terminal] |LORENZO MAMMÌ [Três canções de Tom Jobim]
     

 

 

EPIFANIAS DO COTIDIANO

Primeiro autor de língua alemã a participar da FLIP lança livro de contos pela Cosac Naify

"Um dos seis melhores romancistas jovens da Europa." [New Yorker]

Ingo Schulze é um cidadão em constante deslocamento. Com livros publicados em 27 idiomas, o escritor alemão já esteve em festivais literários em dezenas de países: só neste ano já falou em eventos do Cairo a Jerusalém, de Paris a Nova York, de Zurique a Budapeste. Em Paraty, aos 46 anos, o escritor entra para a história da FLIP como o primeiro ficcionista de língua alemã a participar dessa festa, realizada entre os dias 2 e 6 de julho.

O autor, nascido em Dresden, na antiga Alemanha Oriental, vem ao Brasil para defender as cores do volume de contos Celular - treze histórias à maneira antiga, editado pela Cosac Naify.

Trabalho que lhe valeu o prestigiado prêmio de melhor livro de ficção na Feira de Leipzig do ano passado, Celular também é feito de deslocamentos. Seus personagens se defendem contra um mundo em constante aceleração, o mundo do celular, do tempo do celular, este aparelho que nos torna excessivamente comunicáveis e que não nos permite sumir ou ficar em silêncio.

Nos encontros e desencontros magistralmente narrados por Schulze, acompanhamos as novas configurações da família - o homem cuida da casa, a mulher trabalha fora etc. -, o vandalismo gratuito, o medo do terrorismo, das guerras, as transformações no cotidiano do Leste Europeu pós-socialista. Seja num cabeleireiro em Manhattan ou em uma casa de campo perto de Berlim, há sempre uma atmosfera de tensão pairando nas histórias que aparentam tratar das coisas mais banais. Mas essas situações, quando vistas pelas lentes do grande observador que é Schulze, são tratadas com humor e linguagem apurada.

O grau de excelência mostrado por Schulze no ato de contar histórias lhe valeu diversos prêmios e elogios da crítica internacional, como a afirmação de que ele é um dos seis melhores autores jovens da Europa (de acordo com a revista New Yorker ) e de que é o "nosso novo escritor de épicos", afirmativa de seu conterrâneo Günter Grass.

"Celular é um acontecimento literário: Schulze escreve com uma leveza e um refinamento muito difícil de se encontrar na literatura alemã atual."
Frankfurter Allgemeine Zeitung

"Ele sempre cria epifanias com o poder da observação e a suave exatidão de sua linguagem [...] Schulze consegue fazer reluzir toda uma vida em uma única cena."
Der Tagesspiegel

"Schulze é um escritor estimulante e original, [...] uma nova voz européia da maior grandeza, que merece ser visto de perto."
The Independent

Ingo Schulze na FLIP 2008
Ter a possibilidade de compreender o significado da existência é, para Ingo Schulze, uma das dádivas da literatura, "que nos permite dialogar com o outro e perceber que não estamos sozinhos", disse o primeiro autor de língua alemã a ser convidado pela Festa Internacional de Paraty.
A reflexão veio acompanhada da leitura de "Nada de literatura ou Epifania no domingo ao entardecer" durante a mesa de debates "Formas breves", na FLIP 2008. Este é um dos treze contos à maneira antiga que fazem parte de Celular (Cosac Naify, 2008). O conto foi comparado por Modesto Carone, participante da mesa, à obra O Aleph, do argentino Jorge Luis Borges.

Os acontecimentos políticos da Alemanha também foram assunto para a conversa: ao ser perguntado sobre a influência da divisão alemã em suas histórias, Schulze disse que a queda do Muro de Berlim em 1989 fez com que a história "se tornasse muito próxima". "Antes, havia muita coisa sobre a qual não podíamos falar, e de repente tudo aquilo veio à tona".

Além de Carone, escritor e especialista em Franz Kafka, também estava presente Rodrigo Naves, crítico de arte e historiador, responsável pelo projeto gráfico da coleção Espaços da arte brasileira (Cosac Naify). A mediação foi de Carlos Augusto Calil.

SAIBA MAIS SOBRE INGO SCHULZE

AUTORES INTERNACIONAIS COSAC NAIFY QUE JÁ VISITARAM A FLIP
O passado, Alan Pauls
Tigre de papel, Olivier Rolin
Paris não tem fim, Enrique Vila-Matas