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EPIFANIAS DO COTIDIANO
Primeiro autor de língua alemã a participar da FLIP lança livro de contos pela Cosac Naify
"Um dos seis melhores romancistas jovens
da Europa." [New Yorker]
Ingo Schulze é um cidadão em
constante deslocamento. Com livros publicados em 27 idiomas,
o escritor alemão já esteve em festivais literários
em dezenas de países: só neste ano já
falou em eventos do Cairo a Jerusalém, de Paris a Nova
York, de Zurique a Budapeste. Em Paraty, aos 46 anos, o escritor
entra para a história da FLIP como o primeiro ficcionista
de língua alemã a participar dessa festa, realizada
entre os dias 2 e 6 de julho.
O autor, nascido em Dresden, na antiga Alemanha Oriental, vem ao Brasil para defender as cores do volume de contos Celular - treze histórias à maneira antiga, editado pela Cosac Naify.
Trabalho que lhe valeu o prestigiado prêmio de melhor livro de ficção na Feira de Leipzig do ano passado, Celular também é feito de deslocamentos. Seus personagens se defendem contra um mundo em constante aceleração, o mundo do celular, do tempo do celular, este aparelho que nos torna excessivamente comunicáveis e que não nos permite sumir ou ficar em silêncio.
Nos encontros e desencontros magistralmente narrados por Schulze, acompanhamos as novas configurações da família - o homem cuida da casa, a mulher trabalha fora etc. -, o vandalismo gratuito, o medo do terrorismo, das guerras, as transformações no cotidiano do Leste Europeu pós-socialista. Seja num cabeleireiro em Manhattan ou em uma casa de campo perto de Berlim, há sempre uma atmosfera de tensão pairando nas histórias que aparentam tratar das coisas mais banais. Mas essas situações, quando vistas pelas lentes do grande observador que é Schulze, são tratadas com humor e linguagem apurada.
O grau de excelência mostrado por Schulze no ato de contar histórias lhe valeu diversos prêmios e elogios da crítica internacional, como a afirmação de que ele é um dos seis melhores autores jovens da Europa (de acordo com a revista New Yorker ) e de que é o "nosso novo escritor de épicos", afirmativa de seu conterrâneo Günter Grass.
"Celular é um acontecimento literário: Schulze escreve com uma leveza e um refinamento muito difícil de se encontrar na literatura alemã atual."
Frankfurter Allgemeine Zeitung
"Ele sempre cria epifanias com o poder da observação e a suave exatidão de sua linguagem [...] Schulze consegue fazer reluzir toda uma vida em uma única cena."
Der Tagesspiegel
"Schulze é um escritor estimulante e
original, [...] uma nova voz européia da maior grandeza,
que merece ser visto de perto."
The Independent
Ingo Schulze na FLIP 2008
Ter a possibilidade de compreender o significado da existência
é, para Ingo Schulze, uma das dádivas da literatura,
"que nos permite dialogar com o outro e perceber que
não estamos sozinhos", disse o primeiro autor
de língua alemã a ser convidado pela Festa Internacional
de Paraty. A reflexão veio acompanhada
da leitura de "Nada de literatura ou Epifania no domingo
ao entardecer" durante a mesa de debates "Formas
breves", na FLIP 2008. Este
é um dos treze contos à maneira antiga que fazem
parte de Celular (Cosac Naify, 2008). O conto foi
comparado por Modesto Carone, participante da mesa, à
obra O Aleph, do argentino Jorge Luis Borges.
Os acontecimentos políticos da Alemanha também
foram assunto para a conversa: ao ser perguntado sobre a influência
da divisão alemã em suas histórias, Schulze
disse que a queda do Muro de Berlim em 1989 fez com que a
história "se tornasse muito próxima".
"Antes, havia muita coisa sobre a qual não podíamos
falar, e de repente tudo aquilo veio à tona".
Além de Carone, escritor e especialista em Franz Kafka,
também estava presente Rodrigo Naves, crítico
de arte e historiador, responsável pelo projeto gráfico
da coleção Espaços da arte brasileira
(Cosac Naify). A mediação foi de Carlos Augusto
Calil.
SAIBA
MAIS SOBRE INGO SCHULZE
AUTORES INTERNACIONAIS COSAC NAIFY QUE JÁ VISITARAM
A FLIP
O
passado, Alan Pauls
Tigre
de papel, Olivier Rolin
Paris
não tem fim, Enrique Vila-Matas
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