Autores Cosac Naify na FLIP 2008
 


INGO SCHULZE [Celular]|VITOR RAMIL [Satolep]
HUMBERTO WERNECK [O santo sujo, a vida de Jayme Ovalle]
VANESSA BARBARA [O livro amarelo do terminal]|LORENZO MAMMÌ [Três canções de Tom Jobim]
     

 

 

 

O JORNALISMO LITERÁRIO GANHA NOVO TOM

Vanessa Barbara, 25 anos, autora convidada da FLIP 2008, faz estréia editorial com surpreendente livro-reportagem sobre a rodoviária do Tietê, primeira obra jornalística no catálogo Cosac Naify

"Em O livro amarelo do Terminal Vanessa chegou à conclusão de que o Terminal Rodoviário do Tietê é uma versão condensada do mundo -- e, como tal, pedia um Vasco da Gama, um Lévi-Strauss, uma Mata Hari e um Woodward & Bernstein. Neste livro épico ela assumiu o papel dos quatro."
[João Moreira Salles]

"Vanessa Barbara é a melhor escritora que eu conheço"
[Antonio Prata]

Uma das atrações da sexta edição da FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty, a escritora paulistana Vanessa Barbara faz sua estréia no universo do livro com uma obra que embaralha os conceitos daquilo que se conhece por jornalismo literário. O livro amarelo do Terminal , primeiro título da Cosac Naify na seara da reportagem, conduz seus leitores a uma viagem singular ao interior da maior rodoviária da América do Sul, o Terminal do Tietê, em São Paulo.

Os recursos narrativos usados ao longo deste pequeno volume (amarelo) são os mais diversos possíveis: da reportagem clássica, com farto apoio de documentação histórica sobre a criação da rodoviária, até o nonsense , que se evidencia, por exemplo, no capítulo em que a autora apresenta um "gerador automático de reportagens".

Vanessa Barbara entende do assunto. Colaboradora regular da revista piauí , ela foi autora de uma das principais reportagens do número 1 da publicação, um saboroso texto sobre telemarketing chamado "Bom dia, meu nome é Sheila" (w ww.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=343&anteriores=1&anterior=102006) .

O livro amarelo do Terminal, projeto iniciado há cinco anos, segue o mesmo tom.

O olhar arguto da escritora faz com que ela enxergue em meio ao tumulto do Tietê personagens como o sr. Creso, que passa todos os dias na rodoviária pontualmente às 19h para cumprimentar os funcionários, o vendedor de malas Hugo, "o Mala", um bebê que dança pelo saguão do terminal com uma bolacha de maisena na mão e uma infinidade de freiras e de surfistas. Ao longo d' O livro amarelo Barbara nos apresenta ainda aos dedicados busólogos, grupo de aficionados por tudo o que diga respeito aos ônibus, e faz um rasante pelo universo burocrático-místico da empresa que controla a rodoviária, a Socicam , ao tentar conseguir alguns dados técnicos sobre o terminal.  

Ao mesmo tempo que se preocupa com o macro, a autora deixa claro o seu interesse pelas histórias anônimas. Em um dos capítulos traz uma "história oral do Tietê", feita a partir de fragmentos de conversas colhidas ao acaso. Noutros capítulos reproduz os recados do locutor Marcos, "A voz mais sedutora do Oeste", a voz da velhinha que pára no balcão de informações e pergunta "Moça, onde é que eu faço inscrição para ir pro Iraque" e registra trechos dos hits musicais do Tietê.

Essa mesma polifonia da rodoviária está transposta no projeto gráfico elaborado pela diretora de arte da Cosac Naify Elaine Ramos e por Maria Carolina Sampaio. Por serem de gramatura mais fina, as páginas (amarelas) do livro permitem uma transparência maior. A sobreposição parcial das letras emula a bagunça estética do Tietê. Para os três capítulos de cunho mais histórico optou-se por um papel semelhante ao carbono, material muito utilizado na confecção de bilhetes de ônibus.

Toda essa aparente anarquia acaba perfazendo um retrato nítido de um espaço importante da cidade de São Paulo. Assim, ao voltar à rodoviária em abril deste ano para escrever o capítulo de conclusão do trabalho, iniciado em 2003, ela conclui que alguns elementos da rodoviária mudaram, que alguns de seus personagens saíram de cena, mas que o terminal continua funcionando como uma "versão condensada do mundo", como apontou na orelha do livro o jornalista e documentarista João Moreira Salles.

Assista à entrevista de Jô Soares com Vanessa Barbara

SAIBA MAIS SOBRE VANESSA BARBARA

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Tigre de papel, Olivier Rolin
Paris não tem fim, Enrique Vila-Matas