O JORNALISMO LITERÁRIO GANHA NOVO TOM
Vanessa Barbara, 25 anos, autora
convidada da FLIP 2008, faz estréia editorial com surpreendente
livro-reportagem sobre a rodoviária do Tietê,
primeira obra jornalística no catálogo Cosac
Naify
"Em O livro amarelo do Terminal Vanessa chegou à conclusão de que o Terminal Rodoviário do Tietê é uma versão condensada do mundo -- e, como tal, pedia um Vasco da Gama, um Lévi-Strauss, uma Mata Hari e um Woodward & Bernstein. Neste livro épico ela assumiu o papel dos quatro."
[João Moreira Salles]
"Vanessa Barbara é a melhor escritora que eu conheço"
[Antonio Prata]
Uma das atrações da sexta edição
da FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty,
a escritora paulistana Vanessa Barbara faz sua estréia
no universo do livro com uma obra que embaralha os conceitos
daquilo que se conhece por jornalismo literário. O
livro amarelo do Terminal , primeiro título da
Cosac Naify na seara da reportagem, conduz seus leitores a
uma viagem singular ao interior da maior rodoviária
da América do Sul, o Terminal do Tietê, em São
Paulo.
Os recursos narrativos usados ao longo deste pequeno volume (amarelo) são os mais diversos possíveis: da reportagem clássica, com farto apoio de documentação histórica sobre a criação da rodoviária, até o nonsense , que se evidencia, por exemplo, no capítulo em que a autora apresenta um "gerador automático de reportagens".
Vanessa Barbara entende do assunto. Colaboradora regular da revista piauí , ela foi autora de uma das principais reportagens do número 1 da publicação, um saboroso texto sobre telemarketing chamado "Bom dia, meu nome é Sheila" (w ww.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=343&anteriores=1&anterior=102006) .
O livro amarelo do Terminal, projeto iniciado há cinco anos, segue o mesmo tom.
O olhar arguto da escritora faz com que ela enxergue
em meio ao tumulto do Tietê personagens como o sr. Creso,
que passa todos os dias na rodoviária pontualmente
às 19h para cumprimentar os funcionários, o
vendedor de malas Hugo, "o Mala", um bebê que dança
pelo saguão do terminal com uma bolacha de maisena
na mão e uma infinidade de freiras e de surfistas.
Ao longo d' O livro amarelo Barbara nos apresenta
ainda aos dedicados busólogos, grupo de aficionados
por tudo o que diga respeito aos ônibus, e faz um rasante
pelo universo burocrático-místico da empresa
que controla a rodoviária, a Socicam , ao tentar conseguir
alguns dados técnicos sobre o terminal.
Ao mesmo tempo que se preocupa com o macro, a autora deixa claro o seu interesse pelas histórias anônimas. Em um dos capítulos traz uma "história oral do Tietê", feita a partir de fragmentos de conversas colhidas ao acaso. Noutros capítulos reproduz os recados do locutor Marcos, "A voz mais sedutora do Oeste", a voz da velhinha que pára no balcão de informações e pergunta "Moça, onde é que eu faço inscrição para ir pro Iraque" e registra trechos dos hits musicais do Tietê.
Essa mesma polifonia da rodoviária está
transposta no projeto gráfico elaborado pela diretora
de arte da Cosac Naify Elaine Ramos e por Maria Carolina Sampaio.
Por serem de gramatura mais fina, as páginas (amarelas)
do livro permitem uma transparência maior. A sobreposição
parcial das letras emula a bagunça estética
do Tietê. Para os três capítulos de cunho
mais histórico optou-se por um papel semelhante ao
carbono, material muito utilizado na confecção
de bilhetes de ônibus.
Toda essa aparente anarquia acaba perfazendo
um retrato nítido de um espaço importante da
cidade de São Paulo. Assim, ao voltar à rodoviária
em abril deste ano para escrever o capítulo de conclusão
do trabalho, iniciado em 2003, ela conclui que alguns elementos
da rodoviária mudaram, que alguns de seus personagens
saíram de cena, mas que o terminal continua funcionando
como uma "versão condensada do mundo", como apontou
na orelha do livro o jornalista e documentarista João
Moreira Salles.
Assista
à entrevista de Jô Soares com Vanessa Barbara
SAIBA
MAIS SOBRE VANESSA BARBARA
AUTORES INTERNACIONAIS COSAC NAIFY
QUE JÁ VISITARAM A FLIP
O
passado, Alan Pauls
Tigre
de papel, Olivier Rolin
Paris
não tem fim, Enrique Vila-Matas
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