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VISÕES INUSITADAS SOBRE TRÊS CANÇÕES DE TOM JOBIM
Lorenzo Mammì, que analisou
em livro a canção "Sabiá",
esteve entre os convidados da FLIP 2008, no aniversário
de 50 anos da Bossa Nova
"Lorenzo Mammì pontifica com uma excepcional análise que extrapola a canção e cobre o genial espectro criativo de Jobim"
[João Marcos Coelho, O Estado de S. Paulo]
Três canções de Tom Jobim, originalmente concebido por ocasião do décimo aniversário da morte do compositor (1927-1994), traz nomes expressivos da crítica musical em ensaios que exploram a literatura, a tradição erudita e a música popular na obra do "maestro soberano".
As canções de Tom Jobim ganham
novas e surpreendentes interpretações, em inflexões
sutis, que desvendam a arte de Jobim e seu notável
talento de conjugar complexidade e simplicidade. Na análise
dos três críticos, ressalta-se o alcance da canção
em nosso país, em matéria de composição
e reflexão.
No aniversário de 50 anos da Bossa Nova,
o livro reafirma-se como referência para aqueles que
buscam um entendimento mais profundo sobre canções
que marcaram este gênero musical. Lorenzo Mammì,
que no livro analisa "Sabiá", foi convidado
da FLIP 2008 - Festa Literária Internacional de Paraty,
e ao lado do compositor Carlos Lyra debateu a revolução
proporcionada pela Bossa Nova no universo musical, dentro
e fora do Brasil.
"Sabiá", com uma melodia modulante, foi composta originalmente com atenção voltada para o canto erudito, e ganhou letra de Chico Buarque, com referências à "Canção do exílio", de Gonçalves Dias. Lorenzo Mammì apresenta em seu ensaio elementos reveladores e quase secretos no percurso do compositor, confrontado com os impasses profundos que afetam sua positividade bossanovista.
Já "Águas de março", analisada por Arthur Nestrovski, é uma melodia enxuta e ritmicamente recortada. Sob sua aparente simplicidade, Arthur Nestrovski nos aponta redemoinhos labirínticos, círculos que não se fecham, e uma controlada "forma-sem-forma", capaz de reunir Olavo Bilac e macumba, samba, Schumann, Chopin e um movimento cromático de ressonâncias barrocas. Pode-se dizer que Tom Jobim encontrou, através dela, um caminho de volta ao Brasil.
"Gabriela", sob a ótica de Luiz Tatit, é uma canção rapsódica - quase uma suíte - , influenciada pela sonoridade do samba e da viola, festas populares e Dorival Caymmi. Luiz Tatit evidencia em seus movimentos a pulsação entre as células ritmadas e de apelo dançante e as oscilações entre o sentimento de comunhão e plenitude e de separação e perda, que se apóiam no próprio mito vital e regenerador de Gabriela.
A edição Cosac Naify tem texto de orelha escrito por José Miguel Wisnik e inclui um CD gravado especialmente para este lançamento, contendo as Três canções de Jobim na voz e no piano únicos de Na Ozzetti e André Memahri.
Ouça Sabiá, composição
de Tom Jobim e Chico Buarque [Jobim Music Ltda], analisada
por Lorenzo Mammì no livro Três Canções.
“[...] os ensaios – de
Lorenzo Mammì, Arthur Nestrovski e Luiz Tatit –
recusam o recorte ‘especializado’ mais usual e
articulam a música e suas circunstâncias. [...]
Não caem em momento algum no formalismo radical e nem
no conteudismo vazio.”
[Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo]
Lorenzo Mammė na FLIP 2008
As comemorações dos 50 anos da Bossa
Nova foram o pretexto para a mesa de debates da Festa Literária
Internacional de Paraty (FLIP 2008), que reuniu o crítico
Lorenzo Mammì, co-autor de Três canções
de Tom Jobim (Cosac Naify, 2004, ao lado de Arthur Nestrovski
e Luiz Tatit) e o músico Carlos Lyra, autor de Eu
a bossa (Casa da Palavra, 2008).
Mediada pelo jornalista Carlos Nobre, a conversa girou em
torno de uma revisão menos festiva da efeméride,
com maior foco na discussão.
Mammí avaliou a Bossa Nova como um instante definidor
na cultura nacional, uma vez que toda música que se
faz depois dela é, de alguma forma, marcada por ela.
O crítico também apontou suas derivações
mais políticas, praticadas dentro do Centro Popular
de Cultura (CPC).
Já Lyra delineou como o gênero musical explodiu
a partir de um esforço da classe média da época
para construir uma música mais próxima à
juventude carioca de então, seguindo um rumo diferente
do trilhado por cantores como Orlando Silva e Silvio Caldas.
"Um jeito novo de fazer música, desenvolvido por
uma geração que não se identificava com
os estilos musicais do Brasil de então", disse
Lyra. "Seguimos por uma forma que se combina com o coloquialismo
das letras e uma interpretação discreta".
SAIBA
MAIS SOBRE LORENZO MAMMÌ
AUTORES INTERNACIONAIS COSAC NAIFY QUE JÁ VISITARAM
A FLIP
O
passado, Alan Pauls
Tigre
de papel, Olivier Rolin
Paris
não tem fim, Enrique Vila-Matas
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