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Foto: ©Thilo Mechau
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| O filósofo Vilém Flusser
em aula, uma das coisas que mais o apaixonavam |
VILÉM FLUSSER INSPIRA PEÇA DE TEATRO
ENCENADA EM SÃO PAULO
O tcheco Vilém Flussem (1920-1991) viveu mais de trinta
anos no Brasil e aqui iniciou, solitariamente, suas pesquisas
até tornar-se um respeitado filósofo da linguagem.
Sua trajetória, marcada pela Segunda Guerra Mundial
e pela morte de sua família judia em campos de concentração
alemães, teve este longo respiro - de 1940 a 1972 -
em terras brasileiras, onde conviveu com gente como Haroldo
de Campos, João Guimarães Rosa, Milton Vargas,
Vicente Ferreira da Silva e Miguel Reale. Estas personalidades
integram a lista de onze nomes (incluindo a artista plástica
Mira Schendel, que terá livro publicado pela Cosac
Naify, e o pintor romeno Samson Flexor) com quem Flusser travou
intercâmbios intelectuais, retratados no livro Bodenlos
- uma autobiografia filosófica.
A obra deu origem à peça teatral Bodenlos,
adaptada e encenada pelo Grupo de Teatro da Poli (USP), que
se apresenta durante o mês de novembro no Espaço
Cultural Barco, em São Paulo, com apoio do Consulado
Geral da República Tcheca.
Também autor de O
mundo codificado (Cosac Naify, 2007), em Bodenlos
Flusser cria um texto autobiográfico centrado em diálogos,
na paixão por dar aulas, além de tratar de um
debate com os filósofos norte-americanos Noam Chomsky
e Willard Van Orman sobre um projeto de teoria da comunicação.
O livro esmiúça, sobretudo, a expressão
que o nomeia: bodenlos, isto é, "sem chão",
"sem terra" e também "sem fundamento".
Foi a partir de sua condição de exilado que
criou as bases de sua filosofia peregrina, cujo método
se dá por meio da amplitude e diversidade de ângulos
com que uma questão pode ser examinada. A vivência
no Brasil foi decisiva na constituição da teoria:
o país era visto por Flusser como um celeiro de possibilidades
em que as raízes dos indivíduos, para eles próprios,
importavam pouco.
Já em O mundo codificado, o filósofo
desvenda a tentativa milenar da humanidade de superar suas
limitações físicas por meio da tecnologia.
Nesse processo, o autor demonstra que os designers, embora
tenham um papel central, caminham sobre um chão conceitual
muito frágil.
BODENLOS
Grupo de Teatro da Poli
De 1º a 30 de novembro, sábados e domingos (com
exceção dos dias 22 e 23)
R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 422, Pinheiros -
São Paulo (SP)
Tel. (11) 3081 6986
SAIBA MAIS SOBRE VILÉM
FLUSSER
DESIGN NA COSAC NAIFY
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O
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uma vez uma capa, de Allan Powers
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