
"O surgimento da eletricidade, por volta de 1890, permite criar um segundo período diurno. Luzes fortes são dispostas a intervalos regulares ao longo da orla, de modo que seja possível aproveitar o mar num sistema de turnos verdadeiramente metropolitano, oferecendo àqueles que não conseguiram chegar à água durante o dia uma prorrogação artificial de doze horas. [...] Sua própria artificialidade constitui uma atração: o Banho Elétrico ."

"Até mesmo os aspectos mais íntimos da natureza humana estão sujeitos à experiência. Se a vida na metrópole gera solidão e distanciamento, Coney Island contra-ataca com os Tonéis do Amor . Dois cilindros horizontais - alinhados - curvam-se lentamente em direções opostas. Em cada ponta há uma escadinha que leva até a entrada.
De um lado entram os homens; do outro, as mulheres. É impossível ficar de pé. Homens e mulheres caem uns sobre os outros."

"A Ferrovia Pula-Sela é uma plataforma especial com trilhos que não levam a lugar algum e onde Reynolds propõe o impossível: dois trens em formato de bala correm em alta velocidade no mesmo trilho, um em direção ao outro, para responder a um desafio absurdo feito por Mark Twain: 'A única coisa que o engenho ianque ainda não conseguiu [...] dois vagões passando no mesmo trilho'."

"Em 1909, o prometido renascimento do mundo, anunciado pela Torre do Globo, chega a Manhattan na forma de um desenho que, na verdade, é um teorema que descreve o desempenho ideal do arranha-céu: uma esguia estrutura de aço que sustenta 84 planos horizontais, todos com o mesmo tamanho do terreno original."

"[...] o arranha-céu é o instrumento de uma nova forma de urbanismo incognoscível . Apesar de sua solidez física, ele é o grande desestabilizador metropolitano: promete uma instabilidade programática perpétua."

[Comparação entre os tamanhos relativos do Grande Hotel de Gaudí , o edifício Empire State, o edifício Chrysler e a Torre Eiffel]
"O projeto de Gaudí é um paradigma da conquista do arranha-céu, andar por andar, pelas atividades sociais. Na superfície externa da estrutura, os andares baixos oferecem acomodações individuais, os quartos de hotel; a vida pública do hotel fica no centro, em enormes planos internos que não recebem nenhuma luz natural."

"Agora, os construtores de Manhattan se reúnem nos bastidores do pequeno palco, preparando-se para o clímax da noite: fantasiados como seus próprios arranha-céus, eles apresentarão o balé O skyline de Nova York .
Tal como suas torres, os homens usam roupas com as mesmas características básicas; apenas os traços distintos estão em feroz competição. Suas "roupas de arranha-céu" idênticas se afilam no alto, tentando se adequar à Lei de Zoneamento de 1916. As diferenças estão apenas na parte superior."
Foto: Waldorf-Astoria Hotel

"Na década de 1930 - quando se constrói o segundo Waldorf -, o "hotel" passa a ser o tema favorito de Hollywood. De certo modo, ele poupa ao roteirista a tarefa de criar um enredo.
Um Hotel é um enredo - um universo cibernético com suas próprias leis gerando colisões fortuitas e aleatórias entre seres humanos que nunca se encontrariam em outro lugar. Ele oferece um fecundo corte transversal da população, um rico tecido de inter-relações entre as castas sociais, um campo para a comédia de costumes conflitantes e um fundo neutro de operações rotineiras que confere relevo dramático a cada episódio."
Foto: Rockefeller Center Inc.

"[...] o jardim é uma dupla imagem: dois projetos ao mesmo tempo. Ele pode ser lido como o andar de cobertura dos blocos mais baixos, mas também como o andar térreo das lâminas verticais.
Durante o projeto e a construção do Rockefeller Center , não é possível continuar ignorando o impacto do modernismo europeu no exercício arquitetônico americano. Mas Hood e os Arquitetos Associados são representantes, em primeiro lugar, do manhattanismo e só então do modernismo."
Rem Koolhaas em foto de Sanne Peper.
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