autores assuntos  
     
   

EXPOSIÇÕES

Acompanhe a agenda dos artistas
do catálogo da Cosac Naify


OUTRAS NOTÍCIAS

Colóquio homenageia o antropólogo Pierre Clastres em São Paulo


Outubro no Ceuma: Décio Pignatari fala sobre linguagem não-verbal; Vila-Matas é tema de R. Lísias


Cosac Naify conquista seis estatuetas do Prêmio Jabuti; confira os vencedores


Ricardo Mayer ministra workshop sobre tipografia e moda no Rio


Conexões entre o design francês e brasileiro em mostra no Sesc Pompeia


Obra do artista argentino León Ferrari volta às ruas de São Paulo


Uma intensa e completa entrevista da fotógrafa Claudia Andujar a Juan Esteves


Lina Bo Bardi na TV Cultura, em reportagem de Cunha Jr.


Fã de Sempé, Mario Sergio Conti comenta Marcelino Pedregulho


Daniel Bueno fala sobre a linguagem vanguardista de Sempé e Silverstein


Assista às entrevistas com os autores da coleção Ópera Urbana


Odilon Moraes revela seus dez títulos favoritos


 

Confira os mais vendidos de agosto

 
 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

História do design gráfico
Philip B. Meggs
Livro dos homens
Ronaldo Correia de Brito
Novos fundamentos do design
Ellen Lupton e Jennifer Cole Phillips
Lina por escrito
Lina Bo Bardi
Grid: construção e desconstrução
Timothy Samara
Pensar com tipos
Ellen Lupton
O convidado surpresa
Grégoire Bouillier
Histórias da moda
Didier Grumbach
Fashion design - manual do estilista
Sue Jenkyn Jones
O mundo codificado
Vilém Flusser

 
 
NOTÍCIAS
Foto: George Eastman House/Getty Images
Gertrude Stein, 1913

GERTRUDE STEIN PAIRA SOBRE AS CABEÇAS

Prestes a completar cem anos, Três vidas (1909), de Gertrude Stein, dá início às edições de seus livros que serão lançadas pela Cosac Naify - em seguida virão A autobiografia de B. Toklas (1933) e Autobiografia de todo mundo (1937). “Vocês precisam ler Três vidas. Uma das três histórias, a de Melanchta, é um dos melhores contos que existem na língua inglesa”, disse Ernest Hemingway, chamando atenção de editores europeus para o talento da “tutora”. O autor de O velho e o mar foi um dos nomes a ter Gertrude pairando sobre sua obra. A rechonchuda “Mamãe Ganso de Montparnasse” parecia ter o poder de aglutinar ao seu redor as cabeças mais promissoras dos agitados primeiros anos do século XX. Seus ecos atingiram até mesmo um vanguardista contemporâneo - e brasileiro: Caetano Veloso.

É certo que, embora em alguns momentos tenha tentado estabelecer os limites a que o fato chegava, Hemingway admitia a inegável ascendência de Stein sobre seu processo criativo (pensemos na influência que carregou da pintura de Cézanne, “herança” de Stein). Seu Paris é uma festa (do qual obviamente parte o catalão Enrique Vila-Matas para fazer a leitura contrária dos anos em que fora “muito pobre e muito infeliz” na mesma cidade) recupera a figura da escritora como a mulher que abrigava o círculo modernista da Paris do início do século, e a ele dava vida redobrada. O salão de sua casa no número 27 da rue de Fleurus era freqüentado por gente como Henri Matisse, Scott Fitzgerald e Pablo Picasso - o pintor a retratou em1906, em obra que, segundo a modelo, em nada se parecia com ela. "Mas certamente vai parecer,Gertrude, certamente..." retrucava Picasso.

“Miss Stein, em sua faceta de protetora, havia sido para Hemingway o que Marguerite Duras – eu supunha – era para mim”. Assim o escritor catalão Enrique Vila-Matas avalia a relação que teve com a autora de O amante nos difíceis e patéticos anos de juventude, quando tentava se tornar um escritor. Em entrevista a este site, o autor recria o paralelismo, desta vez apontando para seu desenvolvimento intelectual: “O papel que desempenha Stein [na vida de Hemingway] é ocupado, em minha vida mais pelo escritor mexicano Sergio Pitol [autor de El arte de la fuga, 1996], que foi decisivo em minha formação artística”.


Três vidas
R$ 46
Veja detalhes do livro e
compre neste site


Coleção Mulheres Modernistas
Veja detalhes do livro e
compre neste site

Em Paris não tem fim, inventário sentimental dos anos de juventude, as constantes referências que faz Vila-Matas ao escritor norte-americano consolidam o que ele deixa claro desde o início: “decidi que seria como Hemingway” – daí as experiências quase sempre malfadadas na tentativa de ser Hemingway. (O plano foi abolido, e o catalão traçou caminho próprio, reconhecido como dos mais originais da literatura européia contemporânea).

Eis que, para viver como Hemingway, era preciso ter a sua Stein, mesmo que isso não lhe garantisse uma “festa ambulante” como a que viveu seu ídolo de juventude na capital francesa dos anos 1910.

Para Vila-Matas, que não admira especialmente Gertrude, o efeito que causa sua literatura é, para o bem, o de forçar “o leitor a olhar o mundo exterior como se fosse pela primeira vez”. Assim, o catalão dá a mão à palmatória e reconhece-lhe a ousadia vanguardista.

Arrebatado pela forma experimental da escrita de Stein, Caetano Veloso fez de “Melanctha”, uma das novelas que compõem Três vidas, ingrediente para o único filme que realizou, O cinema falado (1986). [Trechos da interpretação da atriz Regina Casé estão disponíveis neste site]. Caetano traduzira fragmentos de “Melantha” ainda em 1983, que hoje formam o apêndice da edição Cosac Naify [leia aqui].

No mosaico cinematográfico modernista composto pelo baiano, Stein contribui com a coloquialidade da linguagem e a reiteração de palavras e argumentos, um “mergulho na atualidade da consciência”, nas palavras de Fabio de Souza Andrade, professor de teoria literária na USP.

Outro mergulho - bem mais sonoro - fez a poeta gaúcha Angélica de Freitas, mais uma a ter Gertrude como acompanhante. Seu encontro com a autora é deleite, como atestam os poemas abaixo.

“Na banheira com Gertrude Stein”
[do livro Rilke shake, de Angélica de Freitas; Cosac Naify, 2007]


gertrude stein tem um bundão chega pra lá gertrude
stein e quando ela chega pra lá faz um barulhão como
se alguém passasse um pano molhado na vidraça
enorme de um edifício público

gertrude stein daqui pra cá é você o paninho de lavar
atrás da orelha é todo seu daqui pra cá sou eu o patinho
de borracha é meu e assim ficamos satisfeitas

mas gertrude stein é cabotina acha graça em soltar pum
debaixo d´água eu hein, gertrude stein? não é possível
que alguém goste tanto de fazer bolha

e aí como a banheira é dela ela puxa a rolha e me rouba
a toalha

e sai correndo pelada a bunda enorme descendo a
escada e ganhando as ruas de st.-germain-des-prés

"A mulher dos outros"
[do livro Rilke shake, de Angélica de Freitas; Cosac Naify, 2007]


fiquei muito tempo naquela banheira sem água
pensando por que gertrude me havia deixado

as unhas roxas os dedos enrugados naquele banheiro
sem aquecimento num apartamento perto do jardin du
luxembourg

sem amor e sem toalha

ela tem alice e basket eu sou a terceira excluída

noutros tempos rilke me chamaria pro jardin
des plantes

hoje eu digo adeus e vou pra gare du nord

lou andreas me espera em göttingen plantaremos beijos
na gänseliesel

SAIBA MAIS SOBRE GERTRUDE STEIN

COLEÇÃO MULHERES MODERNISTAS
Três vidas, Gertrude Stein
Contos completos, Flannery O´Connor
Contos completos, Virginia Woolf
Contos, Katherine Mansfield
A fazenda africana, Karen Blixen
Anedotas do destino, Karen Blixen
O homem sentado no corredor / A doença da morte, Marguerite Duras
Sete narrativas góticas, Karen Blixen
O amante, Marguerite Duras

 

VOLTAR A NOTÍCIAS