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NOTÍCIAS

Cartaz do Festival Internacional de Teatro de Londres: exemplo de desconstrução do grid

ENTENDENDO A ESTRUTURA E A LIBERDADE NO DESIGN
por Daniel Trench

Grid: construção e desconstrução, de Timothy Samara, joga luz sobre um dos pilares fundantes do design gráfico moderno. O grid, sistema de linhas-guia que estrutura a distribuição e a organização de informações no espaço, é aqui analisado cuidadosamente. Essa ferramenta, amplamente difundida pelos designers modernos, costuma ser alvo de discussões acaloradas entre os profissionais da área. Se em um primeiro momento designers lançaram livros-manifesto em defesa de seu uso, a partir dos anos oitenta vemos um movimento dissidente, um esforço para demonstrar os limites desse método.


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Samara propõe então um novo olhar sobre o embate. De maneira nada maniqueísta, retoma a discussão, que hoje nos parece pulverizada. O empenho é recompensado. O livro acaba por provar que o método ainda vive. E mais, mostra-nos que, longe de uma questão ideológica, o uso ou não-uso do grid se torna apenas uma questão projetual.

O autor constrói sua argumentação de modo didático: divide o volume em dois capítulos, “Construindo o grid” e “Desconstruindo o grid”, subdivididos em três partes. O primeiro capítulo dedica-se a projetos que lançam mão do grid como elemento construtivo. Um breve panorama histórico contextualiza a gênese moderna do método. Reproduções de projetos dos pioneiros amparam o texto. Na segunda parte, o autor enfoca a construção do grid. Revela detalhes de sua estrutura, exemplifica e dá nomes aos diferentes tipos de modulação espacial.

Após esse preâmbulo, Samara traz à tona trabalhos contemporâneos que se pautam pelo uso da ferramenta. A variedade de projetos elencada pelo autor é vasta. Vemos a polivalência da estrutura modular nos mais diferentes suportes, desde programas de identidade corporativa e exposições até interfaces digitais.

Um texto analítico e um desenho esquemático do diagrama, ao lado das imagens, esmiúça as decisões projetuais de cada um dos exemplos. O passar de soluções menos complexas a sistemas altamente intrincados reforça o didatismo da publicação, ao mesmo tempo em que deixa claro a pluralidade de resultados que o grid é capaz de oferecer. Desse modo, Samara comprova que “quem cria um leiaute sem graça não é o grid, é o designer”.

Grid posto, Samara parte para sua desconstrução. Na primeira parte, o autor traça um breve histórico das manifestações contrárias ao grid. Ironicamente, vemos que suas raízes são fincadas já no começo do século passado. São, desse modo, paralelas aos primeiros momentos de edificação do método construtivo do grid. Na segunda parte, o autor enuncia algumas manobras de desconstrução que serão vistas em detalhe posteriormente. E finalmente, na terceira parte, apresenta exemplos de projetos que desmontam ou prescindem de uma estrutura racional de organização espacial.

Mais uma vez, as soluções são apresentadas de modo didático. A nomenclatura dos diferentes tipos de modulação, definida no primeiro capítulo, é aqui retomada. Grifa-se, portanto, que os exemplos de desconstrução do grid não são processos arbitrários. Partem, sim, de um conhecimento a priori da estrutura que será quebrada.

Junto a cada um dos exemplos do primeiro e segundo capítulo, segue uma lista de “exemplos correlatos”. Como em um hipertexto, o autor propõe uma leitura paralela e não-linear àquela estabelecida pelo fluxo contínuo de páginas da publicação. Agrupados agora por afinidades que vão além das soluções construtivas, novas relações entre projetos podem ser tecidas.

O projeto gráfico do livro, também assinado por Samara, acaba por ser mais um exemplo de bom uso do grid. Para além da criação de um leiaute harmônico, a estrutura serve aqui para organizar e hierarquizar as diferentes camadas de leitura que textos e imagens oferecem ao leitor.

Mais do que um manual prático, o livro oferece um panorama da história do design moderno por meio da história do grid. A um só tempo, revela as diferentes correntes que contribuíram para o estabelecimento do léxico do design contemporâneo e põe à prova qualquer tipo de especulação acerca da falência do método. É, portanto, referência obrigatória àqueles que, entre linhas, tipos e imagens, enfrentam o embate diário de organizar informações em um espaço.

SAIBA MAIS SOBRE TIMOTHY SAMARA

DESIGN NA COSAC NAIFY:
O mundo codificado, Vilém Flusser
O design gráfico brasileiro: anos 60, Chico Homem de Melo (org.);
O design brasileiro antes do design, Rafael Cardoso (org.)

 

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