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| Iberê Camargo em foto de Leonid
Streliaev (década de 1970) |
DESENHOS DE IBERÊ CAMARGO REAPARECEM
APÓS QUARENTA ANOS
Após quarenta anos guardados em uma
caixa esquecida, desenhos inéditos do artista plástico
Iberê Camargo acabam de ser descobertos na Suíça.
Trata-se dos esboços para a pintura que ocupa o
hall de entrada da Organização Mundial
da Saúde. Doadas na década de 1960, as obras
estavam desaparecidas desde então e só voltou-se
a procurá-las após um pedido da Fundação
Iberê Camargo.
Iberê Camargo é um dos nomes mais importantes
para a arte brasileira do século XX.
No entanto, sua obra não tem sido devidamente organizada
e catalogada. Na tentativa de reverter este fato, a Cosac
Naify publicou, em 2006, o Catálogo
raisonné: volume 1 gravuras. Quatro anos antes,
a editora havia publicado o livro
Diálogos com Iberê Camargo, com uma
série de textos de especialistas - Sônia Salzstein,
Ferreira Gullar, Mario Carneiro, Ronaldo Brito e Sergio Duarte,
entre outros - sobre a produção do artista.
Leia a seguir o texto de Jamil Chade, publicado no jornal
O Estado de S. Paulo, no último 18 de janeiro,
sobre o reaparecimento dos desenhos do artista.
DESCOBERTAS NA ONU 40 OBRAS DE IBERÊ CAMARGO
Por Jamil Chade
O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 18/01/2008
Os porões da ONU guardaram por mais de 40 anos obras
inéditas de Iberê Camargo, que foram descobertas
nesta semana. Uma pesquisa feita pela Fundação
Iberê Camargo chegou à conclusão de que
pinturas do artista ainda estavam com a agência de Saúde
da ONU, na Suíça, e faziam parte de uma doação
que o governo havia feito nos anos 60 à entidade.
As obras estavam em uma caixa fechada e que dizia que somente
poderia ser aberta pelo diretor da Organização
Mundial da Saúde (OMS). A caixa misteriosa chegou a
Genebra com uma doação feita pelo governo brasileiro
à entidade de uma tela de Iberê Camargo em 1966.
Como um costume diplomático, os países doam
obras de seus artistas mais famosos às entidades da
ONU que hoje guardam um verdadeiro acervo de luxo em Genebra
e Nova York.
A tela brasileira foi colocada no hall de entrada
da agência de Saúde da ONU e está lá
desde sua inauguração. A pintura decora um dos
principais locais onde ministros, chefes de Estado e especialistas
lidam com a saúde pública e tomam decisões
sobre preços de remédios, estratégias
para combater a malária e aids.
Mas a caixa com os desenhos e rascunhos desapareceu e ficou
esquecida. Nesta semana, a pedido da Fundação
Iberê Camargo, os funcionários encontraram a
caixa nos arquivos da entidade, 42 anos depois de ter chegado
a Genebra. Em sua tampa havia uma mensagem escrita pelo próprio
pintor: 'Não dobre e não remova nada sem a autorização
do diretor-geral.'
"Quando fomos contactados, estranhamos o pedido, pois
de fato ninguém nunca havia ouvido falar nisso. Mas
depois fomos investigar e encontramos uma caixa com desenhos
e rascunhos inéditos do pintor", contou Fadela
Chaib, porta-voz da Organização Mundial da Saúde
(OMS).
Na quarta-feira, a diretora da OMS, a chinesa Margaret Chan,
interrompeu seus trabalhos para finalmente abrir a caixa.
Nela estavam 13 pinturas à óleo, com testes
e rascunhos para a pintura final que hoje está no
hall da entidade. As telas demonstram como a idéia
para a pintura final evoluiu.
A diretora da OMS, Margaret Chan, não perdeu tempo
e anunciou que vai organizar uma exposição com
as 13 telas e quer que as obras sirvam de decoração
para a comemoração dos 60 anos do Dia Mundial
da Saúde, marcado para abril.
A Fundação Iberê Camargo está
catalogando todas as obras do pintor, nascido em 1914 e morto
em 1994. O pintor foi um dos principais artistas do século
xx no Brasil e tem suas obras expostas em todo o mundo. Até
hoje, a Fundação já catalogou mais de
7 mil obras do pintor nascido em Restinga Seca, no Rio Grande
do Sul.
NA COSAC NAIFY:
Oswaldo
Goeldi: iluminação, ilustração,
de Priscila Rossinetti Rufinoni
Maneira
branca - gravuras de Elisa Bracher, textos de Lorenzo
Mammì, Sônia Salzstein e José Bento Ferreira
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