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Foto: Eric Brochu |
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CLAUDE LÉVI-STRAUSS COMPLETA CEM ANOS
DE VIDA COMO
GRANDE PENSADOR DO SÉCULO XX
O antropólogo chega a seu centenário
sendo considerado o mais importante intelectual vivo do mundo.
Conheça duas novas obras do autor com lançamentos
marcados para dezembro
Claude Lévi-Strauss, o mais importante pensador vivo
do planeta, completa cem anos neste 28 de novembro de 2008.
Dedicou grande parte de sua vida estudando o pensamento e
os mitos das civilizações chamadas selvagens
através do método da antropologia estrutural,
do qual é o criador. Seus estudos e proposições
tornaram-se referência obrigatória na filosofia,
na psicologia e na sociologia.
Como parte das comemorações, a Cosac Naify
lança, em dezembro, duas obras do autor. O ensaio inédito
O suplício do Papai Noel, publicado originalmente
na revista
Les Temps Modernes, em 1952, parte da queima pública
de um boneco de Papai Noel em Dijon (França), empreendida
por padres católicos como forma de protesto contra
o que consideravam a extrema mercantilização
do Natal. A partir deste fato, Lévi-Strauss analisa
o mito do Papai Noel ao longo dos tempos, recuperando as influências
pagãs
que ajudaram a compor o personagem e refletindo a respeito
da interferência dos
costumes norte-americanos sobre o Natal francês. Pela
primeira vez publicado em livro e em português, o texto
é dos mais acessíveis já escritos pelo
antropólogo, aberto a vários círculos
de leitores.
O segundo lançamento é a obra Antropologia
estrutural (vol. 1), com tradução da antropóloga
Beatriz Perrone-Moisés. Uma das obras capitais de Lévi-Strauss,
publicada no Brasil pela primeira vez em 1970, o livro reúne
uma vasta série dos principais escritos do intelectual
entre 1944 e 1956. O volume 2 de Antropologia estrutural
também terá nova edição,
programada para o segundo semestre de 2009.
Da série Mitológicas (1964-71), três livros
já foram editados pela Cosac Naify: O cru e o cozido
(2004), Do mel às cinzas (2005) e A origem
dos modos à mesa (2006).
Em 2009, será lançado o quarto e último
volume, O homem nu.
Em 2005, ainda foi publicado De perto e de longe,
uma seleção de diálogos com o filósofo
francês Didier Eribon.
CONHEÇA A TRAJETÓRIA DE LÉVI-STRAUSS
Claude Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas em 28 de novembro
de 1908, durante uma estada de seus pais, pintores franceses,
na cidade. Nos anos de guerra, entre 1914 e 1918, sua família
viu-se obrigada a mudar para Versalhes, onde o avô materno
era rabino. Completou os anos escolares em Paris, ingressando
em 1927 na faculdade de Direito (Place du Panthéon)
e,
ao mesmo tempo, no curso de Filosofia da Sorbonne. Formado
em ambas, logo assumiu seu primeiro cargo de professor no
liceu de Mont-de-Marsan (sudoeste francês), em 1932.
Dois anos depois, recebia o convite para participar da missão
francesa ao Brasil para a criação da Universidade
de São Paulo: aos 26 anos seria professor na Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras junto com Georges Dumas,
Roger Bastide, Fernand Braudel, entre outros, ocupando a cadeira
de sociologia. Seus cursos incluíam um amplo leque
de temas, de sociologia primitiva a antropologia urbana, passando
por lingüística e antropologia física.
Durante sua permanência no país, fez expedições
ao interior, entre os Bororo, os Kadiwéu (1935) e os
Nambikwara (1938 ), recontadas anos mais tarde em Tristes
trópicos (1955), seu livro mais difundido. Delas
extraiu também o material para o seu primeiro artigo
de peso, sobre os Bororo, publicado pela Société
des Américanistes em 1936, considerado seu cartão
de entrada para o círculo dos americanistas, entre
os quais estavam Robert Lowie e Alfred Métraux.
Foi durante a estada brasileira, e sobretudo
devido à experiência de campo que o legitimou,
que o professor de filosofia de liceu se tornou um etnólogo.
No retorno à Europa em 1939, Lévi-Strauss encontrou-se
com o ambiente hostil que antecedeu a Segunda Guerra e, em
pouco tempo, teve que se exilar nos Estados Unidos: Métraux
e Lowie o convidaram – dentro do programa da Fundação
Rockefeller que ajudava intelectuais europeus ameaçados
pelo nazismo – a assumir o posto de professor na New
School for Social Research de Nova York, no curso de sociologia
contemporânea da América do Sul. Essa viagem
teve implicações fundamentais em sua obra. Na
New York Public Library, onde passava as manhãs, descobriu
a etnologia americana de Boas, Kroeber, Mead, Linton etc.,
a muitos dos quais teve acesso pessoal, graças ao seu
reconhecimento como etnólogo americanista. A estada
nova-iorquina rendeu-lhe ainda a convivência com alguns
dos surrealistas históricos também exilados
– como André Breton, Marcel Duchamp, André
Masson e Max Ernst.
Mas foi a oportunidade de conhecer Roman Jakobson, e assistir
a suas conferências sobre lingüística estrutural,
o ponto-chave para todo o desenvolvimento futuro de sua obra.
Jakobson tornou-se para ele uma espécie de tutor, incentivador
e comentador das provas d’As estruturas elementares
do parentesco, que começava a escrever em 1943
em forma de comunicações, e que defenderia como
tese
de doutorado na França, quando retornou em 1948. Ali
se encontravam as origens do estruturalismo, pensamento que
dominaria a cena francesa nos anos 60, ao qual Lévi-Strauss
seria para sempre associado.
As Mitológicas – sua obra maior, em quatro
volumes, na qual põe em prática seus preceitos
teóricos – foram escritas entre as décadas
de 1950 e 60. Já com vários livros publicados
– entre eles O pensamento selvagem e
Antropologia estrutural –, Lévi-Strauss
absorveu-se então nessa imensa empreitada: “A série
mobilizou meu espírito, meu tempo, minhas forças
durante mais de vinte anos. Eu acordava todo dia às cinco
ou seis da manhã [...] Eu realmente vivi em um outro
mundo”.
Sua trajetória profissional foi pontuada a partir de então pelos mais prestigiosos cargos concedidos a um intelectual francês: foi Maître de pesquisa no Centre National de Recherche Scientifique (CNRS), subdiretor do Musée de l’Homme, um dos fundadores da renomada revista de antropologia L’Homme (1961), secretário-geral do Conselho Internacional de Ciências Sociais; em 1959, foi eleito, com apoio de Merleau-Ponty, para a cadeira de Antropologia Social do Collège de France; em 1973, sua eleição para a Academia Francesa terminou de consagrá-lo.Em 1960, fundou o Laboratoire d’Anthropologie Sociale, onde trabalharia o resto de sua vida.
Em 2008, ano de seu centenário, Lévi-Strauss
viu parte de sua obra incluída na prestigiosa coleção
literária “Pléiade” da editora Gallimard.
Veja
galeria de imagens de Claude Lévi-Strauss
A
herança de Lévi-Strauss: o que intelectuais
dizem sobre o mestre
Leia,
com exclusividade, trechos da nova edição de
Antropologia estrutural
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