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NOTÍCIAS
Foto: Elaine Ramos
Ismail Xavier, um dos mais importantes pensadores do cinema no Brasil

O DISCURSO CINEMATOGRÁFICO, DE ISMAIL XAVIER,
GANHA EDIÇÃO EM ESPANHOL
Clássico dos anos 1970, livro marcou diversas gerações de profissionais do cinema

Considerada a mais importante obra sobre teoria cinematográfica produzida no Brasil, O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência, de Ismail Xavier, cuja edição brasileira é da Paz e Terra, acaba de ganhar edição na Argentina, pela Manantial Editoral, em tradução à língua espanhola por Mario Cámara.

Um dos principais críticos do país, professor da ECA-USP e coordenador da Coleção Cinema, Teatro e Modernidade na Cosac Naify, Ismail Xavier é autor de O olhar e a cena - Melodrama, Hollywood, Cinema Novo e Nelson Rodrigues (Cosac Naify; 2003) e Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome, este reeditado pela casa em 2007, 24 anos após a primeira publicação, há tempos esgotada no mercado.


El discurso cinematográfico: la opacidad e la transparencia
Manantial Editorial


O olhar e a cena - melodrama, Hollywood, Cinema Novo e Nelson Rodrigues
R$ 59
Veja detalhes do livro e compre neste site


Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome
R$ 55
Veja detalhes do livro e compre neste site

Escrito originalmente em 1977, O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência é a principal referência bibliográfica na formação de diversas gerações de profissionais do cinema, do audiovisual e até mesmo do campo mais amplo da comunicação. “A publicação da edição em castelhano me traz uma enorme satisfação. Amplia de forma substancial seu espaço de diálogo e introduz o livro em um contexto cultural em que o debate sobre o cinema e a reflexão estética apresenta um dinamismo e uma qualidade admiráveis”, afirma o autor no prólogo à edição argentina.

El discurso cinematográfico: la opacidad y la transparencia mantém o prefácio escrito por Arlindo Machado para a edição brasileira atualizada, de 2005, quando também foi acrescentado um novo capítulo que oferece ao leitor um mapa conceitual dos novos caminhos explorados pelo pensamento cinematográfico a partir dos anos 1980. Entre os temas, estão a recuperação da tradição baziniana, as perspectivas feministas, as críticas culturais e filosóficas e o diálogo com a pintura e com a música.

Introdução às estéticas do cinema
O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência reflete as discussões em voga naquele momento, ao mesmo tempo em que guarda ao leitor de hoje uma impressionante atualidade. Trata-se de um panorama das estéticas cinematográficas, em que se apresentam conceitos analisados em determinados tipos de cinema, de acordo com os chamados dispositivos – aparatos econômico e tecnológico, segundo concepção de Jean-Louis Baudry. Há exemplos de obras em que tais dispositivos se dão de forma mais reveladora e interpelam o espectador como sujeito, enfatizando um maior distanciamento crítico. Neste caso, a operação denomina-se “opacidade”. Quando o contrário prevalece, ou seja, os dispositivos são dados de forma a gerar maior ilusão, opera-se a “transparência”.

Guiando-se pela tensão entre estes dois pólos, o livro é um valioso espectro das principais questões do cinema, e não busca ser um “programa poético ou uma intervenção crítica original”, segundo seu autor.

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