No domingo 7 de maio, a Itália prestou
suas últimas homenagens a Dino Risi, o diretor de
Perfume de mulher (o original, com Vittorio Gassman,
de 1974), entre 54 outros longas-metragens enormemente estimados
por crítica e público. O cineasta, morto no
dia anterior, aos 91 anos, é um dos 15 autores focalizados
em Cinema político italiano - anos 60 e 70,
volume publicado em 2006 na tradicional parceria da Mostra
Internacional de Cinema de SP / Cosac Naify e escrito especialmente
para o Brasil pelas pesquisadoras e professoras italianas
de cinema Elisa Resegotti e Angela Prudenzi.
Entre ensaios, fortuna crítica e outras seções, o livro ilustrado apresenta uma das últimas entrevistas importantes concedidas por Risi, na qual este comenta em especial sua produção cinematográfica sobre as mazelas sociais da Itália nos anos 60, como no contundente Este crime chamado justiça (1971).
Cinema político italiano traz, ainda, entrevista e filmografia de outro importante homem de cinema italiano falecido também em 2008. O roteirista Ugo Pirro, principal colaborador de Elio Petri (1929-1982) em filmes como Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita, também é um dos entrevistados das autoras Angela e Elisa. Foi roteirista de dois filmes ganhadores de Oscar de melhor filme estrangeiro: o citado Cidadão... e O jardim dos Finzi-Contini, de Vittorio de Sica. Falecido em 18 de janeiro último, Pirro revelou às autoras sua desilusão com o cinema italiano do terceiro milênio: ''Está velho, estancado numa linguagem que já não é apropriada para falar daquilo que nos tornamos. Seria preciso recomeçar do zero, reinventar um novo estilo, criar uma relação diferente com a luz, com as cores, com os diálogos. Sinceramente, não vejo ninguém por aí capaz de fazer isso".
Já o livro da Coleção
Mostra Internacional de SP de 2005, dedicado a Manoel de
Oliveira, foi selecionado para figurar numa grande mostra-homenagem
a ser inaugurada em agosto na Fundaçao Serralves,
na cidade do Porto, onde o cineasta português nasceu,
há quase cem anos. O centenário, a celebrar-se
em dezembro, já rendeu ao mais longevo diretor em
atividade no cinema uma Palma de Ouro especial pelo conjunto
da obra, em maio. Sua extensa entrevista no livro Manoel
de Oliveira, concedida na Europa em duas etapas ao crítico
Leon Cakoff, foi revista e corrigida em computador pelo
próprio diretor, um mês antes do lançamento
da publicação, mais um fato a revelar a disposição
incansável desse criador.
COLEÇÃO
MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA NA
COSAC NAIFY