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O poder dos sentimentos (1983),
no qual atua a atriz Alexandra Kluge, irmã do
cineasta
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O UNIVERSO MÚLTIPLO DE ALEXANDER KLUGE
Ao comentar com seu amigo e mestre, Theodor
Adorno, a vontade que tinha de ser escritor, Alexander Kluge
- então um jovem consultor jurídico da Escola
de Frankfurt - logo foi desaconselhado. O grande filósofo
alemão dizia que nenhuma boa história fora escrita
após Proust, e que Kluge deveria tentar outra área
mais promissora, como o cinema. Recomendou assim o discípulo
para ser assistente de Fritz Lang, no filme O tigre de
Bengala (1958). Foi o início de sua carreira como
cineasta.
Felizmente, Kluge não seguiu completamente o conselho
de Adorno: recém-publicado pela Cosac Naify, Alexander
Kluge: o quinto ato surge paralelamente às mostras
no CCBB-SP
e no MAM
do Rio de Janeiro (veja programações completas),
com todos os longas-metragens do cineasta e sua produção
para TV. O livro oferece ao leitor um primeiro contato com o
artista e suas primorosas histórias sobre o cinema e
a televisão. São onze textos curtos, extraídos
de Geschichten vom Kino (Histórias do cinema,
2007), recém lançado na Alemanha, em que comenta
desde os primórdios do cinema - com curiosas anedotas
sobre os irmãos Lumière e o trabalho de modificar
o final de filmes russos e americanos, para agradar a platéia
em questão -, até conversas com Jean-Luc Godard
sobre cinema e televisão ou divagações
sobre uma palestra do arquiteto Rem Koolhas.
Kluge deu fundamentais contribuições para os novos
rumos do cinema de seu país. Líder na elaboração
do Manifesto de Oberhausen - o célebre documento de 1962,
assinado por 26 pensadores alemães, que reivindicou abertamente
o desejo do renascimento de um cinema livre em suas idéias
e linguagem - Kluge, em pouco tempo, tornou-se o porta-voz do
movimento e, não por coincidência, em 1981, Rainer
Werner Fassbinder dedica-lhe o seu longa Lola. Seus
filmes - destacamos aqui os notáveis Despedida de
ontem (o longa-metragem, de 1966, foi o primeiro filme
alemão a ser premiado em Veneza após 1945) e A
patriota (1979) - trazem uma reflexão sobre o difícil
passado da Alemanha e as formas de lidar com esse luto na sociedade
do pós-guerra.
Um consenso entre a crítica internacional - foi o
homenageado do Festival de Cinema de Veneza 2007, evento que
o premiou diversas vezes -, este intelectual múltiplo
e de profícua criatividade é ainda pouco conhecido
no Brasil. Seus filmes estiveram aqui poucas vezes, em mostras
para pequenos públicos; os textos ficcionais nunca
haviam sido traduzidos e pouco se sabe sobre os programas
de televisão que ele produz e dirige desde os anos
80, subvertendo a lógica televisiva e mesclando diversos
tipos de linguagens.
Alexander Kluge: o quinto ato traz ainda textos
críticos de estudiosos sobre sua obra, como o da intelectual
Miriam Hansen ("Reinventando o nickelodeon: notas sobre
Kluge e o primeiro cinema"), da Universidade de Chicago,
e do professor Rainer Stollmann, da Universidade de Bremen,
que virá ao Brasil especialmente para o debate sobre
o cineasta, além de incluir um breve ensaio de Arlindo
Machado, professor da ECA-USP e um dos grandes pensadores
sobre a televisão no Brasil. A organização,
assim como o texto que abre o livro, é de Jane de Almeida,
também curadora da mostra.
Após esta primeira incursão no universo de
Kluge, o leitor poderá conhecer não apenas o
cineasta, escritor, diretor de TV etc., mas um dos maiores
pensadores da atualidade. E logo se confirmará o que
Susan Sontag dizia: "Alexander Kluge é uma figura
gigantesca no cenário cultural alemão. Ele é
um exemplo - assim como Pasolini - do que há de mais
vigoroso e original no conceito europeu do artista como intelectual,
e do intelectual como artista".
SAIBA
MAIS SOBRE ALEXANDER KLUGE
VEJA TAMBÉM:
Cinema,
vídeo, Godard, de Phillipe Dubois
O
círculo de giz caucasiano, de Bertolt Brecht
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