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Proprietários dos direitos de imagem de Manuel Bandeira
Bandeira inédito: crônicas escritas entre 1920 e 1931 reunidas pela primeira vez em livro

CHACAL VIVE BANDEIRA

A Cosac Naify lança o livro Crônicas inéditas I, de Manuel Bandeira (organização de Júlio Castañon Guimarães), na Livraria da Travessa, Rio de Janeiro, no dia 13 de abril.
O lançamento contará com a presença do poeta Chacal, que fará uma apresentação performática ao ler a crônica "Antonieta Rudge", escrita por Bandeira em 1930 e originalmente publicada no Diário Nacional.

Leia, a seguir, texto em que Chacal fala sobre suas impressões diante da prosa inédita de Manuel Bandeira, exclusivo para este site.

Lançamento de Crônicas inéditas I, de Manuel Bandeira
13 de abril, às 19h
Livraria da Travessa
Rua Visconde de Pirajá, 572 - Rio de Janeiro (RJ)
Tel. (21) 3205 9002


Crônicas inéditas I
R$ 65
Veja detalhes do livro e compre neste site

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Crônicas inéditas I + Crônicas da província do Brasil


Crônicas inéditas I + 3 livros

BANDEIRA PRA VIDA INTEIRA

Por Chacal

Estou imerso em Bandeira. Faz bem ao batimento cardíaco. Como me acalma! Crônicas Inéditas I, recém lançado pela Cosac Naify, é um bálsamo. Como cronista, Manuel faz sua cruzada com aqueles toques certeiros de um cidadão, de um poeta. Ele se bate, ele se contradiz. Ele exalta e reclama. Bandeira roga a cidadania que preserve um certo nível artístico, prestigiando a música clássica, o canto lírico e observa:
"...a invasão do morbus fox-trot alucinou a nossa população, desviou-a do caminho que conduz à civilização, desorientou-a com a liberdade expressiva tolerada por uma sociedade que só pensa em diversões...

Vencer esse meio, atrair uma parte dos fascinados pelos sports, pelos cinemas e pela dança licenciosa, não é tarefa das mais fáceis, mas a pertinácia do Doutor Duque Estrada, do maestro Francisco Braga e de seus excelentes auxiliares que formam a Orquestra da Sociedade de Concertos Sinfônicos, tem alcançado várias vitórias.
O público já procura ouvir Mozart, Beethoven e Wagner, deseja conhecer os nossos compositores, percebe que temos um meio artístico, aos poucos vai fugindo da formidável atração dos sports, cinemas e dancings". ("Concertos", de 1925, escrita para Brasil Musical).

Quem achar esse recado um tanto conservador, mesmo para uma época em que a cultura de massa ainda não era absoluta, veja esse comentário de Bandeira sobre o livro de Mário de Andrade, Paulicéia Desvairada, então recém lançado: "Para muita gente a arte moderna não passa de uma enorme mistificação. Sem dúvida aqui, como em todos os movimentos, e nem só os artísticos, há os aproveitadores, os adesistas, os débeis, os Camille Mauclair, que mais tarde viram a casaca de empréstimo com que a princípio acompanhavam a procissão. Guillaume Apollinaire, porém, sugeriu que não se conhece em toda a história das artes um só exemplo de mistificação coletiva.

Esse corajoso movimento que alastrou toda a Europa e agora suscita em São Paulo um grupo de artistas como Brecheret, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfati, Rubens de Morais, Sérgio Buarque e tantos outros (leiam a Klaxon!) não é uma mistificação efêmera, mas a integração definitiva na consciência artística de uma porção de cousas que antes oscilavam pesadamente e penosamente nos limbos do instinto. E que alegria ver refletido na arte o momento que vivemos!" ("Mário de Andrade", escrita em 1922 para a revista Árvore Nova).

A crônica é a trincheira do poeta. Assim vi Torquato Neto guerrear em sua coluna "Geléia Geral" na Última Hora pelas cores do movimento tropicalista. Manuel Bandeira batalha pelo que acredita enquanto observa a cidade e seus descaminhos urbanísticos, com ruas pequenas para uma progressiva capital e um até hoje elefante branco chamado Teatro Municipal.

Mas Bandeira também nos brinda com confidências, com delicadezas como a belíssima crônica de nome "Antonieta Rudge" em que fala do seu encantamento e medo de Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho. É um banho de beleza, uma aula de crônica.

A Cosac Naify se esplende ao publicar o que Bandeira pôs em papel. Ela sabe muito bem o que é "Bandeira pra vida inteira".

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