NOVA
SÉRIE SOBRE DESIGN GRÁFICO PUBLICA
ELEMENTOS DO ESTILO TIPOGRÁFICO,
OBRA FUNDAMENTAL SOBRE O TEMA

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Leia abaixo sobre
a obra e veja os cartazes vencedores
do concurso nacional promovido para marcar este lançamento.
Numa
época em que os debates sobre design gráfico
e tipografia concentram-se na tensão dos limites estabelecidos
pelas tradições de ofício e pelas doutrinas
modernas, não deixa de ser curioso o sucesso literalmente
estrondoso do clássico Elementos do estilo tipográfico,
escrito, projetado e composto pelo tipógrafo, ensaísta
e poeta norte-americano Robert Bringhurst.
A obra e reúne e discute em profundidade todos os
conhecimentos que a história da tipografia ocidental
transformou em tradição ao longo dos últimos
seiscentos anos, respaldado por uma linguagem deliciosamente
acessível. Traduzido para línguas como o russo
e o grego, o livro chega à sua terceira edição
como uma unanimidade entre os designers gráficos do
mundo inteiro. Qual é, afinal de contas, a razão
desse fenômeno?
A resposta está escondida na definição
de estilo literário de Walter Benjamin, que inspirou
o título do livro. Vejamos como o próprio autor
interpreta essa definição: "O estilo literário",
diz, "é o poder de mover-se livremente pelo comprimento
e pela largura do pensamento lingüístico sem deslizar
para a banalidade. Estilo tipográfico, neste sentido
amplo e inteligente da palavra, não significa nenhum
estilo em particular, meu estilo, seu estilo, neoclássico
ou barroco, mas o poder de mover-se livremente por todo o
domínio da tipografia e de agir a cada passo de maneira
graciosa e vital, sem ser banal".
É exatamente essa pretensão, dar ao leitor
as informações necessárias para alcançar
essa liberdade instrumental e, sobretudo intelectual, o que
diferencia o livro de Bringhurst dos manuais práticos,
dos compêndios históricos e dos volumes introdutórios
sobre o assunto.
O interesse central é o texto; ele é a razão
de ser da tipografia. Se pensarmos no texto como a idéia
abstrata de um escrito qualquer, talvez essa afirmação
careça de força para justificar um livro; mas
basta constatar que o conhecimento humano deve sobretudo à
tipografia o mérito de sua duração e
a coisa muda de figura. Mais do que isso: a história
da tipografia é também a história de
sua tentativa de fazer jus aos textos que ela concretizou,
de produzir-se à sua semelhança, com a mesma
sofisticação.
Mas, convenhamos: com toda essa carga intelectual, como é
possível que este seja um livro ininterruptamente recheado
de informações práticas desde o início?
Se a tipografia precisa honrar seu conteúdo, se a principal
tarefa do tipógrafo, nas palavras do autor, é
descobrir "a lógica externa da tipografia na lógica
interna do texto", não existe problema tipográfico
que não seja, também, um problema de linguagem.
Esse é o vetor do livro, a chave para entender a seqüência
de seus capítulos e a razão pela qual ele trata
desde o início, sem cerimônias, de questões
como o espacejamento de letras e palavras ou dos modos de
recuar um parágrafo.
Os capítulos seguem-se nesta ordem: "Primeiras
intenções" fala das relações
entre tipografia e conteúdo; "Ritmo & proporção"
fala do movimento horizontal e vertical que caracteriza a
tipografia (unidades básicas de construção
dos tipos, espacejamento, linhas, parágrafos etc.);
"Harmonia & contraponto" fala dos tamanhos,
estilos, famílias e contrastes das fontes de texto.
Vale a pena fazer um comentário: as palavras ritmo,
harmonia e contraponto, todas pertencentes ao âmbito
musical, não aparecem nos títulos desses capítulos
por acaso: de todas as analogias do livro, a analogia da tipografia
com a música e do tipógrafo com o músico
certamente é a mais forte. Isso porque a música
também é um gênero de discurso que, como
a tipografia, possui um código de registro que é
matemático, abstrato, estruturado e proporcional, e
que é ao mesmo tempo a chave das performances mais
livres, irreverentes e emocionadas.
Os capítulos que seguem, "Formas & dispositivos
estruturais", mostra o papel das aberturas, títulos,
cabeças, tabelas e outros elementos na construção
de um discurso; os "Símbolos analfabéticos"
traços, parêntesis, aspas, diacríticos
e outros (cujo número ultrapassa em muito nosso conciso
alfabeto ocidental) fecham o acervo de elementos básicos.
"Escolhendo & combinando tipos" é menos
um capítulo de regras que de considerações:
técnicas e práticas históricas, pessoais
e culturais; mas é também um capítulo
aberto à complexidade tipográfica do mundo:
páginas multiculturais, novas ortografias.
Essa discussão é aprofundada pelo capítulo
"Interlúdio histórico", um relato
da passagem das antigas formas escribais às formas
da letra tipográfica latina e das transformações
estilísticas e técnicas destas ao longo dos
últimos seiscentos anos. Mas o fundo do poço
fica mesmo no capítulo "Dando forma à página",
uma espantosa e claríssima tour de force matemática
pelas proporções orgânicas, mecânicas
e (novamente) musicais que governaram o desenho de páginas
antigas como o próprio Egito ou complexas como o clássico
índice do atlas do jornal The Times.
O capítulo "O que há de mais avançado"
fecha as discussões do livro, confrontando toda a riqueza
das informações anteriores com as possibilidades
e os desafios da tecnologia atualmente disponível.
Abre-se então um novo livro, um livro de repertório
e consulta, que começa com o capítulo "Espreitando
o catálogo de tipos", uma seleção
ilustrada e comentada das fontes serifadas, sem serifa, góticas,
inscricionais, caligráficas e gregas mais apreciadas
pelo autor , passa por seis apêndices primorosos: "Tipos
& caracteres", "Glossário de termos",
"Designers de tipos", "Fundições
tipográficas", "Recapitulação"
e "Bibliografia", e termina com um índice
onomástico completo.
Elementos do estilo tipográfico é uma referência
e uma companhia indispensável para todos aqueles que
se interessam pelo assunto ou que fazem dele sua prática
profissional. A edição a ser lançada
no Brasil baseia-se na novíssima edição
em inglês, cujo texto acaba de receber os últimos
retoques de Bringhurst e reproduz na íntegra o cuidadoso
projeto gráfico de seu miolo.
Uma das maiores qualidades de Robert Bringhurst é
transformar esse longo trajeto em uma agradável viagem,
aliando erudição, conhecimento técnico
e clareza a uma deliciosa prosa. Todas essas qualidades levaram
o renomado designer Hermann Zapf a declarar: "Espero
que este livro venha a se tornar a Bíblia de todos
os tipógrafos"; desejo que parece ter se tornado
uma incontestável realidade.
A edição de Elementos contou com apoio
do Istituto Europeo di Design.
Para celebrar o lançamento de Elementos
do estilo tipográfico, de Robert Bringhurst -,
a Cosac Naify promoveu um concurso nacional de cartazes
Veja o resultado:
Cartaz de Roberto Raul Janz, de Curitiba (PR),
vencedor na categoria "profissional"
Com essa iniciativa, a editora buscou contribuir para reacender
a tradição do cartaz, que já foi uma
das peças gráficas mais importantes na história
do design, e fomentar o debate em torno da tipografia.
Após a recepção e exame detalhado de
mais de cem peças de todo o Brasil, com inscrições
divididas nas categorias "profissional e estudante",
um júri especialmente composto chegou a um veredito.
O vencedor na categoria "profissional" foi Roberto
Raul Janz, de Curitiba, PR (com a peça reproduzida
acima), que irá receber R$ 1.500 em livros do catálogo
da editora. Já o estudante Fábio Rodrigo de
Castro, cursando desenho industrial em São Paulo, Capital,
irá receber R$ 1.000 em livros da Cosac Naify (sua
peça está reproduzida abaixo).
Foi significativa a adesão dos estados de São
Paulo e Rio de Janeiro no concurso, assim como do Distrito
Federal. Foram recebidos também materiais dos estados
da Bahia, Pernambuco, Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás,
bem como do interior do estado de São Paulo.
Além dos vencedores citados acima, os jurados resolveram
conceder menção honrosa à profissional
Tatiana Gentil Machado, de São Paulo, e aos estudantes
Bio Yoshimoto (SP), Jorge Antonio Gouvêa Gomes e Pâmela
Guimarães Tailor (RJ), além de Alexandre Hector
Benoit (SP).
O júri esteve composto pelos seguintes designers:
Alexandre Wollner (veja o livro Design
50 Anos, desta editora), André Stolarski, Francisco
Homem de Mello e Rafael Cardoso. Participaram ainda, da equipe
de design da Cosac Naify, Elaine Ramos e Luciana Facchini.
A Cosac Naify contou com o apoio da
gráfica Litokromia nesse evento.
Cartaz de Fábio Rodrigo de Castro, de SP (categoria
"estudante") |