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Ilustração de Nelson Cruz

NO LONGE DOS GERAIS: A VIAGEM DE DOIS ESCRITORES

Por Casa de livros / Instituto Fernand Braudel

Quem já leu Guimarães Rosa reconhece que o sertão e as pessoas que lá vivem são os personagens que dão vida e força a sua obra. Impressionado com as imagens que surgem do texto roseano e fascinado pelo "laboratório" vivenciado pelo escritor
durante a viagem em que acompanhou uma boiada, em 1952, o autor e ilustrador
Nelson Cruz, também mineiro, se propôs a refazer o mesmo trajeto de seu conterrâneo, cujas anotações deram origem aos livros Corpo de baile e Grande sertão: veredas, publicados em 1956.

No longe dos Gerais
de Nelson Cruz
R$ 36
Veja detalhes do livro e compre neste site

Nelson buscou documentos, visitou os mesmos lugares, fotografou, anotou e conversou com muitas pessoas. A empreitada resultou no livro No longe dos Gerais, editado pela Cosac Naify em 2004, em que o fio condutor é o olhar de um menino presente na boiada. Na companhia do criador de Sagarana e através do olhar infantil, Nelson nos leva à descoberta da vida de um vaqueiro e nos aproxima de um escritor interessado em sentir e fazer parte do que escreve.

Como parte das atividades de incentivo à leitura realizadas pela Casa de Livros em parceria com o Instituto Fernand Braudel, um grupo de jovens foi convidado a ler e discutir No longe dos Gerais. Abaixo você lê o texto escrito por Mirela M. Teixeira da Silva a partir de suas impressões sobre o livro.

Casa de Livros
Rua Capitão Otávio Machado, 259, Chácara St. Antônio
São Paulo (SP). Tel. (11) 5182-4227

Instituto Fernand Braudel
Tel. (11) 3824 9633

E o menino vê o longe dos Gerais
A experiência pelo interior dos Gerais nos permite uma viagem aos olhos de um menino. Menino esse que consegue captar a essência da eternidade humana.

A viagem é algo que vai além do que nossos olhos podem alcançar. É como se tivesse em nossa frente uma poeirinha alvissareira, que promete muito mais do que almejamos.
A leitura de No longe dos Gerais me ajuda a entender um pouco mais sobre o fascínio de Guimarães Rosa pelo sertão, onde o Homem é personagem principal de uma viagem através da qual vamos ao encontro de nós mesmos, nos tornando heróis de nossa própria história. O sertão é linguagem, e o longe de meus gerais se torna o que é próprio de mim.

"... Essas coisas que parecem não terem beleza nenhuma - é simplesmente porque não houve nunca quem lhes desse ao menos um segundo olhar!"...
Apenas aqueles que abrem os olhos para ver os heróis ao seu lado alcançam a grande vereda que percorremos junto ao Menino. Para nossa sorte, há pessoas que conseguem transportar a beleza que viram em obras grandiosas.

Nos Gerais, a ligação do homem com a terra é o que mais me fascina, pois mostra uma grande harmonia entre o hoje e o ancestral; ali, as possibilidades brotam em cada vereda e a verdade é posta através do olhar de um menino que está entregue ao momento e que se torna cúmplice da intrigante figura do escritor. Os dois, o menino e Guimarães Rosa, estão fascinados pela mesma vida de um vaqueiro.

Mirela Mariano Teixeira da Silva,
20 anos, é multiplicadora do projeto desde 2004


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