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| Bar azul (1996), de Luiz Braga |
LUIZ BRAGA E DELSON UCHÔA REPRESENTAM O BRASIL NA BIENAL DE VENEZA
A 53ª Bienal de Arte de Veneza, que se
inicia no próximo 7 de junho e vai até 22 de novembro, terá
apenas dois artistas representantes do Brasil: o fotógrafo
paraense Luiz Braga e o pintor alagoano Delson Uchôa. A escolha
foi do curador Ivo Mesquita, também responsável pela 28ª Bienal
de São Paulo.
Nascidos em 1956, os artistas apresentam uma notável vitalidade plástica alcançada pelo jogo entre cores e luz. Como observou o escritor Milton Hatoum na apresentação de Luiz Braga - Fotoportátil volume 1 (primeira reunião de sua obra em livro), é essa conjunção que, em Braga, encanta instantaneamente, num movimento de expansão. "Sua luz-pintura desenha corpos, objetos e paisagens, não para documentá-los, mas para transformá-los em quadros, momentos capturados pelo olhar sensível".
No último mês de abril, 25 imagens inéditas do paraense foram exibidas na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em homenagem ao Ano da França no Brasil. Já a Bienal de Veneza apresentará um panorama de sua obra em cor, com ênfase na produção dos últimos dois anos. "Minha participação no evento é resultado do amadurecimento de meus trabalhos, que se expandem para outros olhares, mas permanecem fiéis à minha intuição", analisa o fotógrafo.
Tendo a Amazônia como grande tema, Luiz Braga atua como fotógrafo profissional desde 1975. Ao longo da carreira realizou trabalhos em preto-e-branco, como A Margem do Olhar, com o qual ganhou o prêmio Marc Ferrez, concedido pelo Instituto Nacional da Fotografia da Funarte. Seu ensaio No Olhar da Rua foi exposto no Centro Cultural São Paulo, em 1984, e as imagens reunidas sob o título Anos Luz, expostas em 1992, no Museu de Arte de São Paulo. Obras do fotógrafo também fazem parte da coleção Masp-Pirelli e compõem o acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e da Photographer's Gallery, de Londres.
Uchôa participou da histórica mostra "Como Vai Você, Geração
80?", em 1984, no Parque Lage (Rio de Janeiro), da 24ª Bienal
de São Paulo, em 1998, com curadoria de Paulo Herkenhoff,
e do 30º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna,
em 2007, organizada por Moacir dos Anjos.
Em tempo: obras de outros artistas brasileiros, como Cildo
Meireles, Lygia Pape (1927-2004), Renata Lucas e Sara
Ramos, também compõem a mostra geral da 53ª
Bienal de Arte de Veneza, mas não fazem parte do pavilhão
brasileiro.
De perto e de longe
Outra característica aproxima Uchôa e Braga: ambos vivem e
trabalham em seus estados de origem, distantes do centro Rio-São
Paulo, e nem por isso deixaram de se destacar no panorama
nacional das artes. Assim como o estilista mineiro Ronaldo
Fraga e o escritor e compositor gaúcho Vitor
Ramil, Uchôa e Braga escolheram fazer de suas moradas
locais não só de inspiração, mas de realização de seus projetos.
"No início, havia a dificuldade de ordem técnica, pois era
preciso viajar muito para conseguir materiais, informação
e equipamentos. Mas a opção de ficar em Belém me deu
tranquilidade e legitimidade na construção de uma trajetória
própria", diz Luiz Braga.
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