Foto: Bia Guedes |
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RECRIAR E ANTECIPAR
Por Biti Averbach*
Em seu nono volume, a Coleção Moda
Brasileira organiza um "abc" da trajetória
criativa de Marcelo Sommer.
A partir de um abecedário visual com 482 imagens
e dos textos de dois jornalistas com olhar apurado - Jotabê
Medeiros e Camila Yahn -, o nono volume da Coleção
Moda Brasileira nos convida a conhecer o mundo mágico
de Marcelo Sommer.
Da imaginação do estilista brota uma quantidade
enorme de fantasia, um universo onírico composto por
suas memórias afetivas de infância. Bailarinas,
palhaços, amuletos da sorte, luzinhas de natal, flâmulas,
uniformes escolares e parques de diversão são
apenas algumas das fontes de inspiração.
Pela passarela de Marcelo Sommer transitam personagens incomuns,
DJs e hostess que trabalham na noite, artistas underground,
clubbers ou até mesmo travestis presidiários
caracterizados de cowgirl, cheerleader ou noiva - como no
desfile antológico realizado dentro do Carandiru.
Se num primeiro momento muitos desses looks causam
estranheza - como a icônica saia em fomato de cabeça
de urso de pelúcia -, logo se percebe que há
algo especial ali. É que da alquimia entre as referências
infantis, o universo do streetwear e a alfaiataria, surge
um estilo original, autêntico, lúdico e ligeiramente
surreal. Com precisão, Jotabê Medeiros afirma
que o estilista "sabe que a roupa é sempre uma
fantasia social, e, por isso, sem limites".
Das primeiras peças vendidas no Mercado Mundo Mix
- época em que Sommer "fazia roupas de tiozinho
de padaria", segundo sua própria definição;
passando pela fase clubber em que propunha peças de
pelúcia para as garotas e saias longas para os meninos;
até o momento de amadurecimento atual, passaram-se
treze anos. Sem dúvida, é uma efeméride
que vem a calhar, já que o treze sempre foi um dos
ícones da sorte para o estilista.
Camila Yahn observa, com propriedade, outras características
importantes presentes em Sommer: a capacidade de se recriar
para não virar refém das próprias referências.
"Sem querer e nem saber, Sommer antecipa uma das maiores
tendências de sua época: a volta dos aspectos
mais humanos e pessoais, o esgotamento da frivolidade e a
desvalorização do inacessível. Seu universo
resgata em todos nós lembranças de conforto
emocional perdidas no tempo."
*Biti Averbach é jornalista e passou
pelas redações das revistas Claudia, Bizz,
Set e Marie Claire. Atualmente, edita o blog
Moda sem frescura
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