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NOTÍCIAS
foto: Cássio Vasconcellos
O pintor e duas obras que estão na exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo

MARCO GIANNOTTI EM LIVRO E EXPOSIÇÃO

Com a exposição Passagens, em cartaz na Estação Pinacoteca, em São Paulo, até o dia 12 de agosto, e o lançamento do livro Marco Giannotti, pela Cosac Naify, o artista plástico passa a limpo sua produção.

O LIVRO
Em um registro fino, a trajetória de Marco Giannotti é contada passo a passo, através das séries que o artista alocou em cada espaço expositivo, desde suas primeiras pinturas, expostas na década de 1980, até os conjuntos que produziu mais recentemente.

Marco Giannotti utiliza um repertório de imagens, técnicas, referências e discussões muito variadas. Suas questões envolvem problemas técnicos da pintura, a experiência artística contemporânea e relações intrincadas entre arte e imagem. A passagem de uma série a outra parece demonstrar um raciocínio pouco ortodoxo em seu pensamento: de imagens serigrafadas de postes para a figuração de circuitos elétricos e desses para trabalhos com faixas de cor justapostas em um repertório complexo.

A edição traz a apresentação do curador Nelson Brissac Peixoto em caderno especial, impresso em papel craft, em cores, incluindo textos de importantes autores em diferentes ramos do conhecimento, entre críticos e historiadores de arte, filósofos e críticos de literatura. Um poema de Haroldo de Campos, escrito especialmente para uma das exposições do artista, abre o volume. Os ensaios funcionam como um registro escrito e discussão de cada uma das mostras, reunindo nomes como Lorenzo Mammì, Alberto Tassinari, Paulo Sérgio Duarte, Vinícius Duarte, Giles-Gaston Granger e Luíz Costa Lima.


R$ 65
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A EXPOSIÇÃO
Passagens
, com curadoria de Nelson Brissac Peixoto, reúne vinte pinturas em grandes dimensões, além de outras vinte em dimensões menores, na Estação Pinacoteca. Os trabalhos apresentam o desdobramento da produção de Marco Giannotti mostando a depuração por que passaram suas obras.

Em cartaz até 12 de agosto (de terça a domingo,
das 10 às 18h)
Entrada gratuita aos sábados

ESTAÇÃO PINACOTECA
Lgo. General Osório, 66 - São Paulo (SP)
Tel. (11) 3337 0185

LEIA TEXTO DE NELSON BRISSAC PEIXOTO SOBRE A EXPOSIÇÃO

Marco Giannotti é um dos mais coerentes artistas de sua geração. A série de pinturas aqui apresentada é a confluência de diversos temas e procedimentos por ele desenvolvidos ao longo do tempo. Temos aqui uma síntese de suas questões essenciais: a força construtiva da cor e o papel da pintura na configuração da espacialidade contemporânea.

Nestas passagens o observador defronta-se com maciças estruturas coloridas, verdadeiras formas arquitetônicas, nas quais se abre, repentinamente, uma fresta. Cor e sombras revestem uma extraordinária fisicalidade, redesenhando o lugar. Um espaço porém mutante, cujo desequilíbrio é acentuado pelas torções do ponto de vista, os enquadramentos de canto, demandando um olhar enviesado que desestabiliza a percepção. O observador percorre configurações que se armam e desarmam continuamente. Um espaço contemporâneo: fluido, do movimento.

Mas há uma manifesta vontade de lugar nestas telas, cujas aberturas verticais e horizontais nos fazem indagar sobre o sentido de janelas e portas e sobre as questões do olhar. O movimento não se dá no interior dos quadros, mas entre as várias telas. Um quadro em relação com outro quadro, modo de colocar a questão da tensão entre espaço arquitetônico e presença humana.

Giannotti carrega essa vontade de lugar trabalhando justamente ali onde há mais resistência, em locais inadequados, edificações públicas e ruínas industriais onde as interferências e o ruído urbano se fazem mais estridentes. O arrojo da empreitada embute uma absoluta confiança na força da pintura. O conteúdo está na experiência do sujeito, não mais no quadro. A pintura constrói o lugar, cria passagens. A pintura é fabricação do mundo.

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